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O que eu quero ser quando crescer

Terça-feira, Setembro 25th, 2007

Aspectos que influenciam na escolha pela profissão de publicitário.

Não há muitos indícios sobre os fatores que levam um jovem a decidir pela profissão de publicitário. Simplistas são as análises que levam em consideração a fama e o dinheiro. O número de publicitários famosos e endinheirados é o mesmo do que em qualquer outra profissão no Brasil.

Por que a cada ano milhares de jovens se inscrevem nos vestibulares de propaganda a ponto de transformar a carreira na mais concorrida habilitação dos mais importantes vestibulares do país?

Há alguns anos eu culpo nossas avós. Defensoras incontestes dos nossos talentos, mesmo aqueles mais obscuros, nossas avós indicam como virtude competências naturais. A expressão “como você é criativo” é um convite à reflexão sobre nosso futuro profissional e a exploração desse patrimônio criativo que só os olhos calejados de nossas avós conseguem identificar.

E na dúvida sobre o que ser quando crescer resgatamos o “como você é criativo” como um chamado, uma vocação. As classes do primeiro ano do curso de publicidade são lotadas de jovens criativos, pelo menos no critério de suas avós. Essa criatividade precisa se transformar em conhecimento e esse é um desafio exclusivo do aluno.

A escola é uma empresa prestadora de serviços. Com qualidades e defeitos inerentes às empresas, e no caso, às grandes empresas. Então é fácil concluir que as escolas já sabem o que querem ser quando crescerem.

E nós? Nós temos uma jornada de formação com o objetivo de sermos publicitários não só quando crescer mas, desde agora.
Precisamos de treino para pensarmos como publicitários. E os publicitários pensam nas histórias que vão contar e como elas podem ser melhores, mais eficientes, mais bonitas, éticas e rentáveis. Não há segredo. Se admitimos que somos contadores de histórias, é obrigatório que nossa formação passe pelo pensamento constante nas histórias que vamos contar.

Defendo a escola como o local ideal para formação do publicitário e não acredito no conflito entre a prática e a teoria. Ambas as experiências, a prática e a teoria, administradas com competência, contribuem para a formação do profissional.

As 427* escolas de propaganda espalhadas pelo Brasil organizam seus cursos de maneira a garantir ao futuro publicitário um conjunto de competências adequadas às demandas do mercado de trabalho e disso faz parte muita teoria. (*dados dos Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação).

Ao contrário do senso comum, que supervaloriza as práticas do dia-a-dia como canal de formação profissional, os repertórios oferecidos pelo conhecimento teórico são a garantia de um publicitário inovador. Inovador e não criativo como pensavam nossas avós. A inovação se dá pelo conhecimento dos processos históricos, econômicos, sociais, políticos e culturais que determinam novos comportamentos e anseios de uma sociedade de consumo, matéria-prima para os contadores de histórias.

Para se entender a estrutura curricular de um curso de publicidade e propaganda no Brasil, deve-se considerar a seguinte divisão:

Matérias Obrigatórias:

ocupam em média 20% da carga horária e dizem respeito à formação básica e instrumental inerentes a qualquer curso superior no Brasil. A queixa geral por parte dos alunos é o distanciamento que esses conteúdos têm da propaganda. Recém-ingressados nas faculdades, esses jovens querem “colocar a mão na massa” e se vêem submetidos a questões que fazem parte de um passado muito recente vivido nas escolas no final do segundo grau.

Cabem aqui dois alertas. O primeiro é para que os alunos de publicidade entendam a importância dessa área de conhecimento abrangente e genérica inserida nas matérias obrigatórias. Os futuros talentos de mídia, criação, atendimento e planejamento precisam conhecer história, economia, estatística e, pasmem, português.

Outro alerta é para professores e coordenadores dos cursos de publicidade e propaganda. Quanto mais exemplos do universo publicitário os alunos tiverem em suas aulas de matérias obrigatórias, mais próximos da profissão que escolheram se sentirão. Isso motiva e valoriza o futuro profissional além de diferenciar o curso.

Matérias de Habilitação:

ocupam em média 45% da carga horária e são responsáveis pela formação profissional do futuro publicitário. O ideal é que esgotem todo o repertório de conhecimento sobre propaganda. Planejamento, pesquisa, atendimento, mídia, criação e produção são as grandes áreas de competência e essas ainda derivam para outras tantas.

Recomendo aos coordenadores de curso, cuidado com a nomenclatura das matérias. De uns tempos para cá, a procura constante de diferenciação entre as escolas afeta a imaginação dos que dão os nomes às disciplinas que usam com freqüência as expressões “aplicada” no meio e “digital” no final, conferindo às matérias uma falsa sensação de modernidade.

Matérias Eletivas:

ocupam 25% da carga horária e consiste na formação complementar do publicitário. Em muitos casos, fazem parte da grade horária regular dos cursos e perdem o caráter eletivo, que sugere que o aluno pode escolher áreas de competência mais simpáticas a ele e às suas aptidões.

Acredito que as escolas deveriam dar mais atenção a essas disciplinas. Aspectos regionais da comunicação publicitária podem ser tratados nesse momento. Nos últimos anos, visitei diversas regiões do Brasil e suas escolas de propaganda e me surpreendi positivamente com a abordagem que os aspectos regionais assumem em muitas delas. Atenção alunos, professores e coordenadores dos cursos de propaganda para o incentivo ao estudo e desenvolvimento da comunicação regionalizada.

TCC, a Agência Experimental e o Estágio:

Ocupam 10% da carga horária do último ano do curso, quando todos já não querem mais se ocupar de nada. Os Trabalhos de Conclusão de Curso se aperfeiçoaram de tal forma nas escolas de propaganda brasileiras que se confundem com trabalhos de profissionais. Isso é fruto do acesso fácil que os alunos têm das ferramentas de criação e de produção, tanto do trabalho como das peças publicitárias. As experiências vivenciadas durante a elaboração de um TCC são muito próximas da vida real profissional, a começar pela administração das pessoas do grupo de trabalho. Depois de mais de 20 anos analisando TCC afirmo com convicção que a grande maioria dos trabalhos é correta, mas sem ousadia. Presos a roteiros pré-estabelecidos e de olho nas notas que podem garantir a formatura, os alunos apresentam uma quantidade enorme de peças publicitárias. Essa atitude visa atender um vício das escolas em estimular a utilização de múltiplas ferramentas de comunicação como se a quantidade pudesse garantir a qualidade do trabalho e isso, muitas vezes, não ocorre.

Ainda existem as Agências Experimentais. Instaladas no interior das escolas, as agências não atendem a totalidade dos alunos matriculados e se transformam em um laboratório restrito à experiência de poucos. Há agências experimentais de muita qualidade no Brasil, que se propõem a desenvolver trabalhos de comunicação para as escolas, ONGS e comunidade.
Sobre os estágios, há pouco o que se falar. As escolas não oferecem um programa de estágio na área e as agências, veículos, produtoras ou clientes tão pouco.

De qualquer forma, o mercado de ensino de propaganda não definiu um modelo de atuação que facilite o acesso ao mercado de trabalho e esse é um desafio das escolas, dos profissionais que atuam em propaganda e das empresas vinculadas à atividade.

Criar um modelo de acesso ao jovem profissional não é uma atitude voluntariosa de abnegados engajados na colocação profissional, é obrigação de todos os profissionais de propaganda. Essa é a única forma de garantir o aperfeiçoamento, a qualificação e valorização do profissional de propaganda.

De fora da sala de aula: Luiz Lara

Sábado, Setembro 22nd, 2007

Antes de tudo o profissional de propaganda tem que saber perguntar. Ser um curioso o tempo todo.

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Ao invés de ter respostas prontas, o bom profissional de propaganda tem que ir ao campo e colocar a ” barriga no balcão ” para descobrir os sentimentos e hábitos do consumidor.Só assim o bom profissional de propaganda poderá se aprofundar sobre a relação que as marcas de seus clientes está tendo com seus consumidores. Porque hoje é fundamental construir um posicionamento forte para uma Marca , que realmente conecte milhares de consumidores. Um posicionamento que deve estar presente em toda a comunicação desta Marca com seus consumidores. Um posicionamento criativo e memorável que seja construído a partir de uma idéia. Porque propaganda é um negócio de idéias. E não precisa ser só um redator brilhante ou um diretor de arte excepcional para ter ou descobrir uma idéia .

As idéias são como borboletas. Estão voando pelo ar, estão na atmosfera, na blogsfera, nos contatos com consumidores, vendedores, funcionários da empresa e acionistas, Todo bom profissional de propaganda ao mergulhar na vida de uma empresa, estudar o DNA de uma Marca, pode diagnosticar o problema de uma Marca e ter uma grande idéia de comunicação, alicerçada num ótimo posicionamento , que pode ser muito bem aplicado nos seus produtos e serviços.

Uma idéia que vai fazer esta marca dar um salto. Que vai alavancar as vendas, que vai trazer inovação e que vai entreter e emocionar milhares de consumidores. Que vão se identificar e defender esta Marca. Aí o ciclo de comunicação se completa.

Portanto acredite: seja curioso, pergunte sempre e pergunte muito. Vá ao campo e nunca acredite em verdades absolutas. Goste de viver numa era global, numa era da informação onde a internet revolucionou nosso jeito de consumir mídia e entenda que nesta era , tudo é importante e tudo comunica. Descubra que nesta era tudo muda e que as Marcas são atores em cena aberta.

Você vai ficar, como já disse, fascinado e logo vai estar fazendo um depoimento como esse para futuros profissionais de propaganda

Luiz Lara
Presidente da Agência Lew’Lara\TBWA
www.lewlara.com.br