A Mídia da Mãe
6 de Novembro de 2007 · 398 Views
Marketing viral, internet 2.0, televisão digital. Mudaram as mídias e mudaram as mães.
Mudaram a mídia e a mãe. A forma de fazer publicidade também vai mudar…
“O futuro nunca mais será o mesmo”. Essa frase é do publicitário Marcio Moreira, brasileiro, um dos mais respeitados profissionais de propaganda, radicado nos Estados Unidos, que trabalha na McCann Erickson. Acho isso genial.
A propaganda, assim como o futuro imaginado por Márcio, não será mais a mesma. Impossível não considerarmos as enormes transformações provocadas pela evolução de tecnologias aplicadas à comunicação.
Terminamos a era da comunicação de massa. Os fenômenos da alta cobertura e da grande audiência dão lugar à comunicação pessoal, privada e proprietária. Um anúncio pode ser estrategicamente postado no You Tube e se transformar em um fenômeno dirigido a um público específico.
Uma comunidade pode ser criada no Orkut e divulgar idéias que antes demorariam meses, quem sabe anos, para se tornarem conhecidas.
Uma mensagem na Internet percorre o mundo em segundos e atinge milhões de consumidores. Esse é o marketing viral. Um vírus de comunicação ininterrupta, constantemente invadindo corações e mentes.
Tudo isso provoca grandes mudanças em nosso negócio e, nas mudanças (mesmo nas boas), todo mundo sofre.
O futuro profissional de propaganda e as escolas devem estar preparados para debater essas mudanças que, boas ou ruins, vão reescrever a história da atividade publicitária.
NOVOS PAPÉIS
Todos os meios reunidos em um único aparelho ou milhões de conteúdos exibidos sem os espaços publicitários. Qual será o modelo de negócio que vai resistir ou ser inventado? Não sabemos. Não sei. Mas me obrigo todos os dias a pensar nesse próximo modelo.
Por exemplo, acredito que as palavras anunciantes, agências, veículos, produtoras e outras cairão em desuso pelo simples fato de perderem seu valor semântico. O anúncio, sucessor do reclame, assim se chama porque sua vocação primária é servir como instrumento de aviso, ferramenta da anunciação. Seu objetivo é tornar público e, quanto mais visibilidade, mais sucesso de todos os envolvidos no processo de comunicação.
Agências são chamadas assim pela intermediação que fazem entre o anunciante e o veículo de comunicação. Também correm risco de cair no esquecimento pelo fato de que a compra do espaço publicitário perde valor quando se admite que na cultura digital os espaços, se existem, não são identificados.
Veículo carrega esse nome por ter propósito de transportar a informação. Pois o transporte de dados continua sendo uma atividade fundamental, mas não é mais característica exclusiva dos veículos de comunicação. Esse papel também é exercido, por exemplo, pelo telefone celular.
As produtoras, como o nome bem diz, produzem os conteúdos comerciais ou de informação. Mas se vivemos em um mundo de conteúdos, essa atividade não é exclusividade daqueles que, originalmente, se dedicam a isto. Salvo outras regulamentações, todos podem desenvolver conteúdos.
Sem os conceitos que conhecemos e estudamos nos últimos 50 anos, o negócio da propaganda assume outra cara. E que cara é essa? Gosto da idéia de chamar anunciantes, agências e veículos de provedores. Acredito nisso. Provedores das diferentes etapas de produção da propaganda.
Os anunciantes dominam seus produtos e serviços. Investem em seu desenvolvimento. Estudam as informações, os argumentos de venda, os diferenciais, portanto são provedores do conhecimento.
As agências dominam os instrumentos da comunicação persuasiva, conhecem as ferramentas da propaganda, possuem recursos humanos suficientes para pesquisar, planejar, criar e veicular o material publicitário, por isso são provedores da tecnologia da comunicação.
Os veículos investiram seus melhores recursos no aprimoramento da sua informação, na melhoria de sua distribuição e na fidelização de seus usuários. É justo que sejam considerados provedores de conteúdo.
Nesse mundo, que imagino mais próximo do futuro, além dos provedores, existem os capacitadores. Aqueles que se especializaram em capacitar as ações pensadas pelas agências, aprovadas pelo anunciante e transmitida pelos veículos.
Produtoras e fornecedores em geral são capacitadores. Eles garantem a infra-estrutura para a ação e dão suporte para o negócio. Isso ocorre em todas as mídias. Produtoras de cine e vídeo, agências de promoção, marketing de incentivo, web design, plataformas de telecomunicações, distribuição de sampling, marketing de relacionamento e uma infinidade de atividades que capacitam, dão corpo e forma aos conteúdos aprovados.
FOCO NA AUDIÊNCIA
Tanto provedores como capacitadores desenvolvem seus negócios com olhos fixos na audiência. Nesse futuro, os consumidores são audiência para as nossas propostas. Sempre que um anúncio é concluído, nele está inserida uma proposta. As histórias que contamos são propostas que fazemos. Compre isso, consuma aquilo, isso vale tanto, aquilo é melhor, você precisa disso, não pode viver sem esse, seus problemas acabaram, não esqueça de alguma coisa. Todas as propostas que fazemos e vamos continuar fazendo não serão mais para consumidores e sim para a nossa audiência.
A audiência é mais criteriosa que o consumidor. O conceito da audiência se baseia na existência de uma sociedade de múltiplos conteúdos e múltiplos meios. O público-alvo conforme estudamos não existe. Ele será resultado da equação fidelidade e conveniência. A fidelidade se dará a partir das boas experiências vividas com as marcas e produtos e a conveniência no poder de acesso às informações sobre elas.
Outro aspecto importante nessa mudança de paradigmas é que a audiência não é tratada somente como quem consome. Isso é um dos fatores relevantes na relação entre os anunciantes e a audiência. No futuro próximo que imaginamos, outros papéis serão assumidos tanto pelo anunciante – provedor – como pelo consumidor – audiência.
A forma mais simples de entendermos esse novo universo de conceitos é pensar que nos últimos 40 anos chamamos as mídias mais convencionais de “mídia da mãe”, uma referência ao conjunto de comportamentos conhecidos e previsíveis das mães no consumo diário de mídia. O fato é que mudaram as mídias e mudaram as mães.


















6 de Novembro de 2007 às 15:19
Sr. André, como já disse antes em outros comentários feitos aqui no Bloganda, estou empolgado com as mudanças que podem vir e acredito que elas vem para uma evolução.
No entanto, não posso deixar de me assustar. Não só porque todos os caminhos a serem percorridos são novos, mas por não saber como me apresentar para o mercado, será que a melhor forma agora ainda é mostrar um portfolio com anúncios impressos feitos para a faculdade? O que devo fazer? Quanto devo ousar? Já disse uma vez que os professores estão presos ao velho modelo e nos desestimulam.
Procuro me manter atento a novas tendências e tento obter o máximo de informações mas talvez ainda esteja longe de atingir o conhecimento. Por isso meu medo, logo mais estou formado e como costumo dizer, não quero ser mais um jovem com diploma de bacharelado em Publicidade e Propaganda trabalhando como vendedor nas Casas Bahia.