Comer o ovo da galinha feliz
18 de Dezembro de 2007 · 441 Views
Prezados leitores, esse é o último texto desse ano. Voltaremos com textos inéditos no dia 7 de janeiro. Gostaria, em nome da equipe que colabora com o Bloganda, agradecer a todos que, desde setembro, participaram desse projeto com idéias e sugestões.
Em 2008, Bloganda continuará com o objetivo de formar, qualificar e valorizar o profissional de propaganda.
Um bom ano para todos.
Você já pensou nisso?
Ao saborear um ovo, em suas diferentes formas culinárias, passou por sua cabeça, se a galinha, responsável pelo ovo, é uma galinha feliz? Sim, porque galinhas podem ser felizes. E você, mesmo que nunca antes tenha perdido seu precioso tempo para pensar no caso, irá concordar comigo que é muito melhor comer o ovo da galinha feliz.
Nos últimos anos, houve uma supervalorização das marcas que identificam produtos e seus diferenciais de qualidade, preço ou propostas subjetivas. O que parece ser igual é, na realidade, diferente aos olhos dos atentos consumidores. Por isso, há um esforço de informação sobre as condições do processo de produção.
O cuidado com a matéria-prima, sua origem, as condições humanas daqueles que produzem os insumos. A localização das fábricas, as práticas de produção, o destino dos resíduos, a forma de transporte. O relacionamento comercial com fornecedores e clientes. O pós-venda, as centrais de atendimento. Enfim, tudo é importante. Além do produto, existe um universo de aspectos que, hoje, são levados em conta na hora de sua aquisição.
A propaganda torna-se facilmente mentirosa caso enalteça produtos que, sabidamente, em seu processo de produção ou distribuição, desrespeitem o que é aceitável como correto e responsável.
Algumas marcas pagam, ou pagaram, caro pelo descuidado em seus processos produtivos. Até hoje, a Nike se recente do fato de utilizar trabalho infantil em sua linha de produção em paises subdesenvolvidos da Ásia. Conheço muita gente que se nega a ter um produto da marca, por esse deslize de comportamento. Eu mesmo deixei de comer determinadas balas de café importadas, depois que soube da denúncia de que eram produzidas por trabalhadores escravizados da África.
Considero esse um fenômeno do nosso tempo e com o qual os publicitários devem se preocupar. As contas publicitárias e os clientes, disputados com afinco e conquistados como troféus de competência, podem e devem ser olhados pelas agências como empresas capazes de cometer deslizes.
Há algum tempo, esses deslizes eram considerados eventos esporádicos que nada tinham de relação com a comunicação, com o belo filme publicitário produzido com esmero ou com o anúncio de revista e sua modelo majestosa. Nada, ou aparentemente nada, contaminava a criatividade da propaganda na apresentação dos argumentos necessários para seduzir o consumidor.
NOVO CONSUMIDOR
Os tempos são outros. O produto e as marcas estão inseridos em contextos onde a postura da empresa em relação a determinados temas é relevante para o consumidor. Aprendemos a observar as causas e os efeitos das nossas atitudes. Aprendemos a nos perceber como parte integrante de uma engrenagem onde as nossas decisões podem influir nos destinos da humanidade. Isso faz toda a diferença.
Os futuros profissionais de propaganda irão fazer propaganda para um outro tipo de consumidor. E, como corremos o risco desse consumidor mudar antes que as escolas de propaganda percebam o fato, cabe um alerta sobre as campanhas publicitárias que vamos conceber e produzir. Não tenho dúvidas de que serão melhores do que as que fizemos tempos atrás.
Nesse processo, aconselho um cuidado especial para não confundirmos responsabilidade com conservadorismo de pensamentos. O fato de sermos responsáveis não cerceia a criatividade ou a imaginação; muito menos o humor com que podemos tratar as coisas. Esse tom terá de ser encontrado e entendido.
MODAS FÁCEIS
Outro cuidado é com o que é realmente importante. Hoje vemos uma série de anunciantes que fazem campanhas sobre neutralizar carbono. Há bandeiras distribuidoras de gasolina que afirmam que, a cada tanque enchido, uma árvore será plantada, há bancos que garantem a plantação de árvores para as contas abertas e assim por diante. Um disparate apoiado pelo mercado publicitário que não tem como explicar ou verificar a real seriedade ou comprometimento dessas ações.
Nós somos provedores de soluções de comunicação e, como tais, cabe uma interferência mais contundente frente a algumas idéias fáceis que alguns anunciantes têm. Não dá mais para fazer anúncio sobre tudo sem ter uma postura crítica frente a posições de gosto e resultado duvidosos.
Da próxima vez que você comer um ovo, entenda esse singelo ato, com um alerta de muito significado e tente, sempre que possível, se assegurar que esse é um ovo de uma galinha feliz.


















18 de Dezembro de 2007 às 9:32
Sempre é muito difícil para o consumidor verificar o resultado das promessas e mais promessas que recentemente vem sendo feitas por muitas empresas. Como posso saber se a empresa X plantou realmente a árvore que prometeu pela conta que abri????
Nós publicitários temos a responsabilidade de mostrar aos clientes que a promessa foi realmente concretizada, mas não tenho visto muito isso, pelo, contrario, cada vez mais promessas.
Não sei os motivos, mas um deles creio que é a importância dada a determinadas ações. A promessa tem mais peso que o resultado, principalmente nos investimentos destinados a divulgação dessas ações.
Hoje muito se fala em responsabilidade social, mas na verdade vejo que as empresas ainda engatinham nesse quesito. Querem se mostrar responsável, mas será que realmente agem responsavelmente???
Um grande ano de 2008 a todos e que o blog continue contribuindo com o crescimento profissional de nós Publicitários.
18 de Dezembro de 2007 às 18:08
Carlos Eduardo, acredito que cada vez mais seremos cobrados pela sociedade sobre a transparência e retidão das informações contidas em nossos anúncios. Por isso, é nosso papel educar os anunciantes sobre aquilo que é verdadeiramente relevante para o consumidor.
Obrigado e um feliz 2008.
18 de Dezembro de 2007 às 9:45
Concordando com o comentário do Carlos Eduardo, hoje se vê muitas promessas feitas, porém, as mesmas já concretizadas não são mostradas.
E assim como o André escreveu neste “post”, hoje muitos consumidores já cobram das empresas uma posição politicamente e ecologicamente correta.
Afinal, quem não está preocupado com a natureza e todos os danos que estão sendo causados, além dos males que acontecerão no futuro por consequência disso tudo, deve rever seus conceitos e refletir um pouco sobre seus atos.
Um ótimo 2008 e muito sucesso!!