Archive for 2008

Nossa única certeza é que tem mais Bloganda em 2009

Segunda-feira, Dezembro 22nd, 2008

Tenho que confessar que o fato das notícias rarearem no final do ano, sempre me incomodou. Não gosto das retrospectivas recheadas de pequenas desgraças, que no conjunto se tornam grandes eventos. Não gosto de rever aquilo que não me diz respeito, por exemplo, o São Paulo tricampeão brasileiro. Portanto considero esse período que antecede Natal e Ano Novo um porre, por isso só voltamos no dia 5 de janeiro de 2009.

No Bloganda não é diferente. Não temos muitos assuntos que possam contribuir para a formação do profissional de propaganda a não ser dizer que os gurus de plantão já começaram a fazer suas previsões publicitárias para 2009, e como, não conversaram antes, fazem previsões completamente diferentes sobre os mesmos assuntos.

Dessa forma, ficamos sem saber nada de concreto e tratamos como verdades algumas suposições. Por exemplo, supomos que 2009 será um ano de muitas dificuldades com o enxugamento das verbas publicitárias, mas nos esquecemos que essa visão é capitaneada pelas mídias líderes. Alguém acredita que a internet, TV a cabo e cinema irão diminuir em 2009? Claro que não. Mas a televisão vai,  porque representou, nos últimos anos, um investimento incompatível com o seu verdadeiro tamanho. O jornal vai, porque estava sustentado em anunciantes que tendem a diminuir de tamanho.

A ciência para as análises é relativizar as informações. A crise internacional diminuí os recursos existentes na praça. A propaganda sofre com isso, mas a promoção e todas as atividades presenciais crescem nesses momentos. Praticamente todas as grandes agências de publicidade do mercado brasileiro estão preparadas para atender com diferentes ferramentas e plataformas as necessidades dos seus clientes anunciantes. Portanto é relativo que a diminuição da atividade publicitária convencional comprometa o ano de 2009.

De certeza esse Bloganda continua apostando na qualidade do profissional de propaganda. Os jovens publicitários devem cada vez mais se preocupar com sua qualificação e para tanto é preciso ter muito conhecimento, aumentar as referências através de todas as formas possíveis de acesso à informação. Não há crise que resista ao talento e, se tem uma coisa que eu acredito, é no talento do profissional de propaganda brasileiro. Um maravilhoso 2009.

Chega de Chuck Norris, batam no gorila.

Segunda-feira, Dezembro 15th, 2008

Na última semana, esse Bloganda foi palco de um acalorado debate sobre o grupo vencedor do 29º Concurso de Campanhas Publicitárias da APP. Como é costume, nessas ocasiões, presenciamos manifestações de destempero e ignorância.

À parte o assombro sobre a falta de limites com que alguns se manifestam, restou a polêmica sobre a eficiência da campanha estrelada por Chuck Norris para uma pizza em forma de cone fabricada pela Perdigão.

Essa polêmica lembra, em muitos aspectos, a discussão que sucedeu a divulgação do vencedor do Grand Prix em Cannes esse ano. A campanha é da Fallon de Londres, a criação é do publicitário argentino Juan Cabral e o produto é o chocolate Cadbury. O filme, que você pode assistir nesse Bloganda, é um gorila tocando bateria.

Pronto, todos os mal educados de plantão poderão se manifestar sobre a decisão do júri do maior Festival de Publicidade do Mundo. E depois de uma semana de intensa pancadaria no Chuck Norris, poderão se deliciar batendo no gorila baterista.

O fato é que propaganda é isso. O surpreendente é encantador. A simplicidade é vendedora. E a combinação desses dois elementos provoca a ira dos que querem racionalizar sobre tudo. Todos os trabalhos apresentados na APP, no último dia 6 de dezembro, possuíam esses dois elementos.

As campanhas de Burti, Bob’s, Puma, LG e Perdigão são exemplos acabados de competência na arte de surpreender para encantar e simplificar para vender. De que outra maneira podemos analisar os posicionamentos criados para Bob’s e Puma e os apelos gráficos desenvolvidos para Burti e LG?

No entanto a tentação pela critica fácil e a procura pelo debate rasteiro provocou uma avalanche de comentários infelizes. A campanha da Perdigão foi a que melhor expressou, na opinião dos jurados, um conjunto harmonioso que surpreende e vende.

As eventuais falhas detectadas pela atenta platéia, não foram capazes de ofuscar o brilho da campanha da UNISANTA, na visão de três profissionais com experiência em festivais internacionais. O mesmo aconteceu com o filme Gorilla. Criticado por apresentar um gorila tocando bateria para vender chocolate, o filme superou o preconceito dos que defendem uma propaganda burocrática e se tornou uma referência para a criação publicitária.

Os prêmios e os festivais servem para isso. Motivar uma intensa discussão sobre os caminhos da criação. Esse objetivo será ao máximo alcançado com a apresentação de trabalhos inusitados como o da Perdigão com Chuck Norris. Infelizmente os debates não se limitam ao território da propaganda e avançam, como vimos aqui na última semana, sobre a ética dos que criam e julgam.

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