Piratas de araque
14 de Janeiro de 2008 · 384 Views
A propaganda é responsável pela construção de marcas fortes e admiradas, alvo predileto da ação dos piratas. Aos profissionais de propaganda cabe desenvolver antídotos para a ação.
Esse texto remete ao lançamento do terceiro filme da série Piratas do Caribe, sucesso da Disney, uma das mais competentes empresas de entretenimento e produção de conteúdos áudios-visuais. Junto com o longa-metragem, um lançamento mundial em grande estilo, a empresa colhe os frutos de um outro sucesso, High School Musical 2 um “prato requentado” que de tempos em tempos retrata o dia-a-dia de mocinhas e mocinhos em uma escola nos Estados Unidos. Muita música, muita dança e muita competência em reconstruir histórias de apelo ao público infanto-juvenil.
Enfim, o momento é propício para uma antiga discussão, a pirataria. No mundo todo, empresas sofrem as conseqüências da cópia, muitas vezes grosseiras, de suas marcas e produtos. A Disney enfrenta o problema em dimensões mundiais.
A pirataria é a má conseqüência do sucesso. Empresas são admiradas por seus produtos e pela forma com que constroem e consolidam seu prestígio junto aos diferentes públicos.
Considere que as marcas e produtos admirados e copiados são resultados de estudo e investimento. Empregos são criados, bens de capital são encomendados e designers contratados. Por isso não é legal - em todos os sentidos – minimizar os efeitos da pirataria.
A propaganda é responsável pela construção de marcas fortes e admiradas, alvo predileto da ação dos piratas. Aos profissionais de propaganda cabe desenvolver antídotos para a ação.
CANAIS DE COMUNICAÇÃO PERMANENTE
Através da comunicação publicitária é possível apresentar aos consumidores uma identidade própria, algo que seja facilmente reconhecido e dificilmente copiado. Outro aspecto importante é desenvolver com os públicos que se relacionam com a marca - interno, trade e consumidor - canais de comunicação permanente que permitam a consulta sobre a suspeita de cópias e sua identificação.
Assinaturas sonoras são uma das armas criativas que identificam uma marca. A Intel, maior produtora de processadores para computadores do mundo, utiliza em escala planetária uma seqüência de sons que acompanha a assinatura da marca e está presente em toda a comunicação da companhia, mesmo as feitas em cooperação com o varejo.
Garotos propaganda também são antídotos contra a ação da pirataria. Uma marca que está sempre acompanhada de um personagem real ou fictício é facilmente identificada como original ou pirata.
Esses mecanismos são chamados tecnicamente de sinalizadores de marca, elementos que facilitam o reconhecimento e a originalidade de um produto, marca ou serviço. As marcas mais expostas são aquelas que se restringem a identificação tipográfica facilmente copiada mesmo que de forma tacanha e artificial.
A pirataria também está presente na produção intelectual e tendemos a ser mais complacentes com a prática quando ‘baixamos’ um lançamento cinematográfico ou músicas em nossos computadores e ipods evocando a democratização na distribuição dos conteúdos. Gosto da discussão, mas vamos admitir que esses atos aparentemente inofensivos contribuem para disseminação da pirataria que é crime contra a criatividade, nossa principal matéria-prima.



















14 de Janeiro de 2008 às 9:38
Feliz ano novo Bloganda! Muito sucesso em 2008!
Estive um pouco distante graças a uma quantidade maior de trabalho que o usual, aliado à uma preguiça que surge de tempos em tempos tanto para ler quanto para escrever.
No entanto quando penso em pirataria fico até confuso. Atualmente presenciamos um tipo de anarquia. Fazemos download de filmes, músicas e até softwares sem pagar absolutamente nada. Portanto todos contribuimos para pirataria.
Sabendo disso ainda fico confuso:
Acredito que ao discutir pirataria nos deparamos com o velho dilema “Tostines”; que “vende mais porque é fresquinho ou é fresquino porque vende mais”. Como futuro publicitário e acima de tudo comunicador, me coloco contra a pirataria. Afinal criatividade vale muito. Porém como estagiário, que ganha o suficiente apenas para pagar a faculdade (pelo menos isso), mas que precisa usar softwares de design carissimos, precisa estar atento ao cinema, ler os livros que puder e principalmente alimentar o vício de informação. Sou obrigado a apelar. Será que isso é justificativa? Afinal quem é culpado? O governo que não oferece subsídios para jovens estudarem e crescer profissionalmente? As grandes corporações que querem lucrar cada vez mais? Ou o consumidor que sempre quer o que não pode ter?
Sem contar, que hoje existe um mercado de pirataria. Famílias que sobrevivem graças a esse mercado. Afinal se não há emprego o que fazer? Melhor que roubar. Mas espera ai, pirataria é roubo!
Como disse sou um futuro publicitário e sou contra a pirataria. Acredito que essas questões devem ser levadas em consideração para que possamos definir ações de 360º em relação as marcas que sofrem desse mal avaliando os 4C e 4P.
14 de Janeiro de 2008 às 11:42
Só hoje achei esse post perdido aqui… achei interessante e vou deixar meu comentário também.
Assim como Iuri, sou futuro publicitário e atualmente estagiário. Temos as mesmas necessidades e dilemas.
Agora, fica aqui minha indignação: sou muito ligado à música e durante a leitura estava me lembrando que, há uns cinco anos atrás (long time ago), comprávamos facilmente cds originais de R$ 17 a R$ 23 no máximo! E isso os lançamentos, recém saídos do forno.
Hoje você não paga menos que R$ 35.
Senti o aumento de preço bruscamente. E confesso que não compro um cd original que foi acabado de lançar há muito tempo!
Sou totalmente contra a pirataria, mas infelizmente hoje ou deixamos de comprar produtos originais ou esperamos anos e anos até abaixar o preço (e aquele cd já estar ultrapassado).
Acontece que esse aumento (particularmente, considerado abusivo) não aconteceu somente na indústria fonográfica, mas sim em vários produtos relacionados à cultura (assim como o Iuri citou os livros, senti aumento nesses produtos também).
Sei que a inflação existe e que os preços podem aumentar a qualquer momento. Mas, sejamos francos: todo esse aumento é necessário? A situação financeira do brasileiro não pode ser levada em conta? Dá um desconto, vai…
Depois de todo esse desabafo, a minha opinião como “profissional” resume-se à frase que dá introdução ao texto: Aos profissionais de propaganda cabe desenvolver antídotos para a ação.