Para botar um produto no mapa, chame o Fidel
Segunda-feira, Fevereiro 25th, 2008Não resisto à tentação de transformar Fidel em vice-presidente de marketing do mundo.
Não conheço Cuba, e acredito que com a renúncia de Fidel Castro não vá conhecer a famosa ilha. Perdeu a graça. O que não perde a graça é o fato de uma ilha como Cuba tornar-se um dos assuntos mais comentados no mundo todo há quase 50 anos.
Ilhas, com as belezas naturais apresentadas por Cuba, existem centenas só naquela região do globo terrestre. Pelo contrário, muitas dessas com uma distância mais confortável de Miami, o que é um importante diferencial para aqueles que querem ver o Tio Sam longe.
Cuba não tem economia interna, não produz ou exporta nada de significativo, sua política inexiste e seu povo sofre as agruras de uma ditadura de quase meio século. A música é um dos seus atrativos, porém, se toca música cubana no mundo todo. Seus charutos fizeram fama, mas estão mais para uma denominação de origem, como os vinhos, do que um produto genuinamente da terra.
Na ditadura que precedeu a atual, a do Fugêncio Batista, dizem que a banana era o grande produto nacional. Mas convenhamos que, de banana, o mundo está bem servido.
Então por que toda essa badalação para um pedaço de terra, cercado de água por todos os lados, que se cruza de carro em não mais do que algumas horas? Por que as notícias sobre Cuba assumem uma relevância nos meios de comunicação, a ponto da renúncia de um ditador decadente e obsoleto, uma caricatura de um grande homem, preencher páginas de jornal, tempo das tvs e rádio e milhões de clicks na Internet. O Google reúne mais de 8 milhões de menções a Fidel Castro. Por que falar tanto de alguém tão inexpressivo, líder de um país igualmente inexpressivo?
MARQUETEIRO
Marketing. Os blogandeiros sabem que não uso essa palavra como recurso de retórica. É difícil em nossos textos haver menção sobre regras de marketing. Acho tudo isso muito elaborado e me limito a trocar minhas experiências com aqueles que estão se formando na publicidade. Mas não resisto à tentação de transformar Fidel em vice-presidente de marketing do mundo. Sim, se o mundo fosse uma empresa, nosso vice-presidente de marketing seria o Fidel Castro. O cargo de diretor estaria vago, bem como o de gerente, mas teríamos um trainee, o Hugo Chaves, jovem e inconseqüente. Esse departamento estaria lotado de office boys (mensageiros como se dizia antigamente), o Lula, o Evo Morales e muitos outros acomodados no andar de baixo, a América Latina.
Mas vamos voltar ao VP de marketing. Conquistou essa posição com alguns tiros, em uma mata que qualquer latifúndio brasileiro tem como reserva particular, mas que em 1959 ostentava o status de país. Um pequeno, porque não, insignificante país, sofrido (desde aquela época) pelas agruras de sua condição.
Fidel, hoje nosso VP de marketing, assumiu o controle e reposicionou o produto, a ilha. Analisou a situação, avaliou as possibilidades e determinou o foco de sua estratégia, agredir a concorrência, os Estados Unidos da América. Seguiu à risca, todos os conceitos mercadológicos. Encontrou o ponto fraco do concorrente e nunca mais falou em outra coisa que não fosse cutucar a ferida do inimigo.
Fez disso uma profissão de fé. Por longos e improdutivos 49 anos, falou a mesma coisa. Não importava o local ou a situação e lá estava o nosso VP de marketing agredindo verbalmente a concorrência. Os limitados recursos da ilha aguçaram sua estratégia de falar mal da concorrência, só falar. E como falou. Falou tanto, que convenceu muitos, ganhou status de líder de uma nação, quando o que, verdadeiramente tinha nas mãos, era um grupo de famintos cidadãos, fixados na idéia de sair da ilha.
A imprensa se rendeu ao, nenhum, charme do VP de marketing e para ele presta contas com o que mais precioso um veículo de comunicação pode contar, que é seu espaço. Foram cinco décadas de espaço sobre Cuba, os cubanos e seu líder máximo, Fidel Castro.
Tudo era planejado. A indumentária e a aparência lhe conferiam ares de liderança, quando, na realidade, não há quem ou o que liderar. Suas administração é um engodo. Na ilha falta tudo. E seu desenvolvimento em áreas como medicina e educação, não são mensuráveis.
O turismo prosperou. Se é que se pode chamar de turismo as visitas da classe média latino-americana ávida pelo show de horrores que a pobreza proporciona.
Mas Fidel é um vitorioso, não tinha sequer um limão e fez uma limonada, azeda, é bem verdade, mas embalada em grande estilo, capaz de enganar muitos durante muito tempo.
O VP de marketing largou seu posto na empresa global e a ilha cairá no esquecimento. As lições de Fidel de como manter uma marca tanto tempo na mídia, sem apresentar um único resultado positivo, farão parte dos compêndios de marketing. Saberemos um pouco mais sobre obstinação, ingrediente essencial para um profissional se manter no topo e também saberemos como é fácil enganar a mídia, é só contar uma história, repeti-la muitas vezes e acreditar que ela é verdadeira. O resto vem ao natural, é fruto da falta de assunto ou da dificuldade de reconhecer o que realmente é importante.




















