Quem fui que fez?

11 de Fevereiro de 2008 · 1,100 views

Impressões do criador da rede mundial de computadores sobre sua invenção.*
*Baseado na entrevista do jornalista Andrei Netto, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, de 29 de setembro de 2007.

Vamos nos esquecer dele. Já esquecemos. Pior, nunca soubemos de sua existência. Mas o sr. Robert Cailliau é o criador da web. Isso mesmo. Ele é o responsável (alguns chamariam de culpado) pela rede mundial de computadores, a www, que significa World Wide Web.

Em um esforço de síntese, essa é a cronologia da web:

  • Em 1964, Paul Baran publica um estudo em que propõe a criação de uma rede de comunicação descentralizada e resistente a ataques nucleares;
  • Em 1969, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos cria a Arpanet, primeira rede do mundo;
  • Em 1977, Viton Cerf e Bob Kahn demonstram o TCP/IP, que permite a troca de informações entre redes diferentes;
  • Em 1990, Tim Berns-Lee e Robert Cailliau colocam no ar o primeiro site do mundo, no endereço http://info.cem.ch;
  • Em 1994, a Netscape lança o Navigator, software responsável pela popularização da Internet.

Robert Cailliau e Tim Berns-Lee propuseram o sistema de hipertexto e isso deu origem à World Wide Web. Mas por que falamos dele no Bloganda?

Porque Robert, assim como tantos outros, ainda está vivo e assim continuará por muitos anos (ele ainda tem 60 anos) e, na condição de um dos responsáveis pelo instrumento que promoveu tantas modificações no mundo contemporâneo, sua opinião é ouvida e respeitada.

Para Robert, a rede mundial é uma construção coletiva e a compreensão desse aspecto acelera seus avanços, enquanto a competição entre empresas não traz nenhum benefício prático. Sobre esse aspecto, Robert fala da bolha das empresas “.com”, desastre da economia digital inspirado no desejo de fazer muito dinheiro sem trabalhar muito, exatamente o contrário da rede, que foi fruto de muito trabalho e “coragem”, segundo Cailliau.

Ele admite que tinha consciência sobre o poder da sua invenção no mundo acadêmico, mas “se surpreendeu com as utilidades engenhosas de toda ordem que as pessoas fizeram da web” e com a “capacidade que organizações mundiais formadas por poucas pessoas puderam se constituir e se agrupar, como se estivessem na mesma cidade”.

Robert Cailliau afirma que não eram prioridade as questões comerciais: “nós queríamos fornecer uma ferramenta útil e de qualidade aos pesquisadores”. E que as noções de capitalismo e comunismo são anteriores a era digital: “nós deveríamos entrar em um período de colaboração. A web pode ser uma ferramenta formidável nesse objetivo de preservar a vida sobre o planeta”.

Sobre o futuro da web e da Internet, Cailliau é definitivo “(…) não esqueçamos que, até outra ordem, será preciso comer enquanto estamos diante de nossas telas. Logo, precisamos de alguma maneira preservar o planeta”.

Nada de teorias mirabolantes ou teses definitivas. Tudo é muito simples para Robert Cailliau. Tão simples quanto sua invenção. Ele não tinha idéia que estava entrando para a história. Ninguém tem. Não enquanto se está envolvido em uma idéia, com um objetivo claro. No caso de Robert, nada mais, nada menos do que oferecer para o mundo acadêmico uma ferramenta capaz de facilitar a troca de conhecimento.

Essa é uma lição para todos nós que nos apegamos às idéias, como se fossem as únicas ou as últimas. Algumas vão fazer a diferença em nossas vidas, outras, muito poucas, vão fazer a diferença para o mundo. O importante, nesse processo de criação, é termos a certeza de que somos éticos e responsáveis.

4 Responses to “Quem fui que fez?”

  1. Reinaldo Más BRAZIL Says:

    É a famosa analogia à faca de dois gumos: está nas suas mãos e você pode usar para o bem ou para o mal.
    Não que a internet usada com fins comerciais seja algo ruim, e sim que não era sua idéia inicial. Porém, existem pessoas criativas e que encontrem finalidades para diversas coisas.
    Se não estou enganado, foi Santos Dumont que suicidou-se por entrar em depressão depois que aviões eram utilizados na Primeira Guerra Mundial.
    Infelizmente não temos controle sobre como as coisas são utilizadas. Então, vamos nós utilizá-las de um modo que traga benefícios (como o Bloganda).

  2. André BRAZIL Says:

    Reinaldo, obrigado pela gentil referência. Vamos procurar sempre colaborar para a formação do profissional de propaganda.

  3. Iuri BRAZIL Says:

    Reinaldo, concordo plenamente. Acredito também que a internet é um meio comercial sim e fabuloso. Fabuloso pois oferece maneiras de trabalho e de se ganhar dinheiro para qualquer que possuir uma boa idéia e souber aproveitar a ferramenta.
    Independente disso a web atinge um dos objetivos de seu criador, ela é um grande meio de colaboração. Onde mais poderiamos discutir comunicação com pessoas desconhecidas e de forma tão aberta e livre. Sem contar que usuários ao redor do globo ensinam outros a utilizar softwares, fazer manutenção em computadores, até mesmo carros, todos trocamos notícias sobre assuntos de interesse comum.
    Portanto tenho certeza de que o sr Cailliau deve ficar muito orgulhoso de sua invenção.

  4. Vanessa BRAZIL Says:

    concordo com tudo e acredito que ainda tem mais, a interação que proporciona a nós usuários a entender diversas culturas de modo a diminuir as distancias e tbm o preconceito …que nos traga mais beneficios que tristezas..vamos torcer e lutar por isso.

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