Ser dono do nariz

25 de Fevereiro de 2008 · 1,065 views

Pequenas empresas possuem tamanhos e modelos que variam conforme as contas publicitárias que se propõem a atender.

Depois que observamos a concentração do negócio da propaganda em poucos e grandes grupos de agências, é impossível não considerar o crescente número de pequenas empresas voltadas ao atendimento das demandas de comunicação de uma variada gama de anunciantes.

Em uma cidade como São Paulo, que se caracteriza pela livre iniciativa em diversos setores da economia, mas principalmente na prestação de serviços, podemos, com facilidade, localizar aproximadamente 300 agências de propaganda operando regularmente.

Essas empresas possuem tamanhos e modelos que variam conforme as contas publicitárias que se propõem a atender. Uma parcela dedica-se ao planejamento de comunicação ou, ao que se convencionou chamar de, arquitetura da marca. Não operam a criação ou a mídia, tão pouco a produção, mas planejam as ações que irão contribuir para a consolidação da marca no segmento de mercado.

Outra parcela se dedica à criação. Essas empresas nascem nas edículas, nos fundos das casas de moradia e são fenômeno fruto da democratização do acesso à informática. Seria impensado, há alguns anos atrás, o investimento em maquinário suficientemente capaz de produzir peças publicitárias ou rótulos de produtos. Pois hoje tudo isso é muito facilitado e proporciona o crescimento de pequenas empresas destinadas à solução de problemas de comunicação através da criação.

Muitas agências focaram suas atividades na mídia através da terceirização desse serviço. É uma consultoria, um aconselhamento dado por profissionais que conhecem os meandros da mídia convencional e se dedicam a prestar serviço nessa área para agências novatas que não têm volume de trabalho que justifique a montagem de um departamento de mídia.

A Internet e a compulsão de toda a empresa em ter um site na rede mundial também contribuíram para o surgimento de empresas dedicadas à criação de sites. Essas estrutura não empregam um grande número de colaboradores, mas movimentam considerável volume de recursos.

Representantes

Os representantes comerciais de veículos também formam um contingente de pequenas empresas voltadas à propaganda. Os veículos não têm condições de montar escritórios próprios em importantes centros anunciantes espalhados pelo Brasil e utilizam os serviços de profissionais locais, publicitários que se responsabilizam pela comercialização dos espaços.

Agências especializadas, principalmente em promoção e contratação de mão-de-obra – promotoras –, fazem parte do rol das empresas de pequeno porte, que movimentam a economia da comunicação e são fundamentais para a execução de muitos dos trabalhos encomendados por médios e grandes anunciantes.

Fenômeno recente são as empresas de trade market. Essas nasceram da demanda em atender os anunciantes que atuam no varejo. Elas avaliam a satisfação no ponto de venda e são capazes de informar os anunciantes sobre os ajustes necessários ao produto ou promoção que está sendo oferecida. Não são empresas de call center, mas utilizam o telemarketing para contatar o trade, avaliar sua satisfação, incentivar as vendas, aplicar promoções e uma infinidade de outras atividades que complementam a propaganda convencional.

Todos esses serviços e muitos outros fazem parte das atribuições de um profissional de propaganda. Identificá-los, reconhecer seus momentos históricos e suas evoluções possíveis é tarefa do profissional de propaganda, principalmente do jovem profissional que está procurando seu espaço em um mercado de trabalho altamente competitivo e restritivo. Essas atividades podem estar abrigadas em pequenas empresas com pequenos investimentos. Para o começo das operações, o importante é conquistar um cliente e ter, ou se cercar de pessoas que tenham, conhecimento para execução do serviço.

One Response to “Ser dono do nariz”

  1. Reinaldo Más BRAZIL Says:

    Com o acesso cada vez mais facilitado às novas tecnologias, é inevitável o surgimento de “eugências” e empresas de pequeno porte, mas com uma forma de trabalhar desorganizada.
    Vejo essa história próxima da minha realidade: alunos de Publicidade e Propaganda que, na falta de uma agência para estagiar e adquirir conhecimentos com outros profissionais, acabam montando a famosa “eugência” dentro de casa, desenvolvendo apenas trabalhos de criação. Porém, deixando de lado a parte estratégica.
    Não que trabalhos assim possam “tirar” clientes das agências, mas, se for fazer, faça bem feito: não é somente a criação que vai solucionar o problema do cliente; cada caso é um caso, mas todos os casos precisam de planejamento.

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