Archive for Março, 2008

Extra, extra, São Paulo tem trânsito congestionado

Segunda-feira, Março 31st, 2008

O fato de São Paulo ter uma rádio exclusiva para falar sobre trânsito, provocou um efeito nefasto na concorrência, que passou a priorizar o tema em suas transmissões.

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Nos últimos dias, temos sido bombardeados por uma novidade: São Paulo tem o trânsito congestionado. Se não é novidade para você, é novidade para os veículos de comunicação, que assumiram o tema como o assunto da temporada.

Todos os dias, todas as horas, em algumas rádios com freqüência de 5 em 5 minutos, alguém nos informa quantos quilômetros de vias congestionadas podem ser observados na cidade. Uma inutilidade completa.

Em 2007, o Grupo Bandeirantes de Comunicação lançou junto com a Sul América, tradicional empresa de seguros, a Rádio Sul América Trânsito, com informação 24 horas sobre as condições de tráfego na cidade de São Paulo. Um feito inédito para o meio e para os padrões de atuação dos veículos e anunciantes brasileiros. Uma mídia proprietária, uma ação de name right, cercada de forte campanha publicitária, que rendeu aos seus idealizadores, a agência MPM, prêmios como o Grande Prêmio Maxi Mídia, entre outros.

O fato de São Paulo ter uma rádio exclusiva para falar sobre trânsito, provocou um efeito nefasto na concorrência, que passou a priorizar o tema em suas transmissões. Não bastasse o fato de submeter a audiência inteira à inútil informação, pois tanto faz saber que às 9 horas da manhã, de uma terça qualquer, São Paulo tem 167 km de vias congestionadas, outros meios abordam o assunto com dedicação típica de quem não tem nada para falar.

A TV Globo criou um programa entre o Bom Dia Brasil e o Mais Você, chamado de Radar Paulista, no caso de São Paulo, que se dedica a tratar do tema por longos e enfadonhos 5 minutos diários. Como a cidade tem sempre as mesmas vias congestionadas e esse fato ocorre diariamente há mais de 20 anos (pasmem) a informação em nada agrega ao telespectador.

ANUNCIANTES PAGAM A CONTA

O mais impressionante é que alguns anunciantes acreditam na utilidade da informação e patrocinam os programas ou as entradas diretamente de helicópteros, ou seja, pagam por um dado requentado, por uma informação desprovida de qualquer sentido prático. Esse é o típico caso, em que o conhecimento não faz nenhuma diferença e não muda a vida de ninguém. Faço uma ressalva ao fato de ser uma ótima desculpa para os atrasados.

Recomendo um exercício: imaginem que ao invés de falar do trânsito, um problema crônico das grandes cidades, veículos de comunicação, agências de publicidade e anunciantes, tivessem tamanha dedicação a informar, diariamente, o aumento das áreas desmatadas na Amazônia e martelassem esse assunto à exaustão, denunciando os agressores e a ineficiência do Estado brasileiro. Fizessem isso diariamente, de hora em hora e melhor, inspirados pela idéia da agência MPM, as agências propusessem aos grupos de comunicação a cessão de uma freqüência de rádio ou de um canal de televisão para falar sobre meio ambiente e apresentassem a idéia aos seus clientes.

EXAGERO

Não acredito que são idéias excludentes. Podemos continuar a ser informados sobre o trânsito, mas podemos agregar às pautas dos meios de comunicação brasileiros outros temas, outros assuntos, que em muito podem colaborar com o processo de informação e formação da população brasileira e em muito podem agregar valor para uma marca junto ao seu público consumidor.

É um exagero a informação sobre trânsito na cidade de São Paulo. É um exagero a dedicação dos meios, principalmente do rádio, a essa temática. O volume de vias congestionadas não caracteriza uma informação de valor comercial. Os futuros profissionais de propaganda precisam identificar os conteúdos que colaboram na construção de uma marca para não se tornarem reféns da ditadura das grades de programação que se dedicam a fazer o tempo passar.

A cidade limpa dos meus sonhos

Terça-feira, Março 25th, 2008

Uma lei com pouco efeito sobre as danosas conseqüências da falta de políticas públicas efetivamente relevantes para a melhoria da qualidade de vida dos moradores de São Paulo.

A cidade limpa dos meus sonhos tem mais out-door do que crianças perambulando entre os carros vendendo algo ou pedindo dinheiro para, supostamente,se alimentarem. A cidade limpa dos meus sonhos tem mais empenas cegas nos prédios do que praças e parques servindo de moradia para famílias inteiras que se abrigam da chuva e frio em improvisadas barracas de lona preta. A cidade limpa dos meus sonhos tem mais painéis luminosos do que vereadores improdutivos que vivem as custas de recursos públicos. A cidade limpa dos meus sonhos tem mais luminosos nos estabelecimentos comerciais do que o lixo acumulado nas ruas ou em caçambas que prejudicam o transporte e enfeiam nossas ruas. A cidade limpa dos meus sonhos tem mais vida e proporciona qualidade para seus cidadãos.

O Projeto Cidade Limpa em São Paulo foi um tsunami nos resultados. Varreu da cidade qualquer tipo de manifestação visual. Não importava a relevância da informação, farmácias ou hospitais, todos foram proibidos de falar. No entanto, afirmo que seus resultados sobre a consciência dos paulistanos foram nulos.
A cidade está limpa daquilo que o decreto, editado pelo Prefeito e aprovado pela Câmara de Vereadores, considerava sujeira. Mas como não houve continuidade, teve pouco efeito prático sobre as danosas conseqüências da falta de políticas públicas efetivamente relevantes para a melhoria da qualidade de vida dos moradores de São Paulo.

A MESMA

Passado um ano da aplicação da lei, a cidade continua a mesma, agora sem os cartazes, a sujeira aos olhos do Prefeito. Quando visito alguma cidade que ainda não foi poluída pela demagogia e pelo discurso fácil, me encanto com as possibilidades de comunicação que a mídia out-door oferece. Esse meio, uma das mais antigas formas de comunicação, assume nos dias de hoje relevância e seu conceito foi ampliado para OOH (Out of home mídia).

Mas isso não trará os cartazes de volta. A “lei pegou”, como se fala das regras que são adotadas rapidamente por concordância ou omissão da população, e o futuro será diferente. A Prefeitura de São Paulo prepara licitação para escolher a empresa que vai explorar o mobiliário urbano da cidade. No lugar dos out-doors, painéis luminosos, empenas cegas e letreiros, a sujeira do Prefeito, surgem os pontos de ônibus (quantos serão?) explorados por uma única empresa, possivelmente uma multinacional de comunicação, que venderá espaços publicitários nas paradas paulistanas (todas?).

Trocamos o out-door, a sujeira do Prefeito, pelo ponto de ônibus patrocinado. Observem que podíamos ter trocado a empena cega, por transporte de qualidade, melhores vias, investimentos em infra-estrutura, mas não, são sábios os que pensam em uma cidade mais limpa com um anúncio de shampoo na parada de ônibus do bairro da Pedreira, periferia da capital paulista.

Questão de gosto. Não considerava São Paulo uma cidade suja, e não a considero mais limpa por decreto. A gestão da coisa pública exige a aplicação contínua de ações. Dessa forma, a população percebe um movimento em prol da melhoria. A cidade não ficou mais ou menos limpa, e seus dirigentes também não mudaram nada. Continuam fazendo política municipal com outros olhares e, sobre isso, não há muito o que fazer, se não, continuar sonhando com uma cidade, verdadeiramente, limpa.

Conversando sobre mídia

Segunda-feira, Março 24th, 2008

Muitas vezes, ao vermos uma campanha publicitária, observamos e elogiamos (ou criticamos) a criação do anúncio, ou seja, sua direção de arte e redação. Porém, não só de criação uma campanha é sustentada: sua eficiência depende de outros fatores que têm suas importâncias particulares. Estou aqui para defender essa área da publicidade que tanto admiro, a área na qual faço estágio hoje e pretendo trabalhar nela enquanto for publicitário: a mídia.

QUERO MÍDIA E NÃO CRIAÇÃO

Alguns estudantes começam a faculdade sem conhecer direito essa área e, conversando com veteranos, podem até criar uma antipatia sem antes conhecê-la, já que, quando se fala em mídia, logo se associa à matemática. E como só estudamos a matéria por volta do terceiro ano, cria-se um preconceito durante este período.

Confesso que enquanto não conheci de perto o trabalho de um profissional de mídia, mantive certo receio. Porém, bastou aguçar minha curiosidade para que eu fosse atrás de conhecer um pouco mais essa área e logo começar a estudar sobre os melhores pontos de outdoor da minha cidade, bem como o perfil dos leitores dos jornais locais, como calcular a centimetragem do jornal ou da revista, enfim, toda a rotina do profissional de mídia.

E aceite uma coisa, caro blogandeiro: mídia não existe sem cálculos! Isso não foi um consolo? Felizmente os cálculos necessários não têm nada de novo em seus conhecimentos aritméticos, só é necessário um pouco mais de prática. Então vocês me olham com uma enorme expressão de espanto, perguntando a vocês mesmos: o que leva uma pessoa a especializar-se em mídia? É muito simples e eu respondo: mídia também é criação!

Assim como a dupla de criação passa horas pensando em arte e textos perfeitos, o profissional (ou estagiário) de mídia precisa quebrar a cabeça para encontrar soluções criativas e meios diferentes para apresentar aos clientes. Rádio, revista, TV, outdoor (nas cidades onde ainda são liberados) são mídias convencionais, de uso rotineiro. Agora, tente apresentar e, o pior, convencer aquele cliente cabeça-dura a experimentar meios novos, como bikedoor, advertainment em casas noturnas, enfim, tente inovar… não é fácil!

AMARURECENDO SUAS IDÉIAS

Enfim, se para ser um bom profissional de criação você precisa ter uma boa “bagagem” pessoal de informações, em mídia não é diferente. Aliás, todo publicitário deve ser curioso, deve perguntar, deve ler muito, deve ter necessidade de conhecer tudo, conhecer as novidades do mercado, pessoas novas, novas tendências, enfim, precisa atualizar-se sempre. Para tanto, confirmo a teoria do Iuri (ver “Criatividade não nasce em árvore”) e reforço: leia muito, procure livros, sites, blogs, assista televisão, filmes, procure fazer tudo isso com olhar profissional, analisando o roteiro, fotografia e tudo mais. Depois de um tempo de treino, tudo isso torna-se um hábito e você acaba fazendo por prazer. E, acima de tudo, tenha relacionamentos – se possível com alguém que já trabalha na área - faça amizade com alunos que estagiam em agências, participe de Fest’Ups, eventos voltados para universitários, seminários e palestras que a faculdade muitas vezes oferece. Utilize sites de relacionamentos para manter contato com essas pessoas e, assim, trocar informações, dúvidas e experiências.

Afinal, ninguém nasceu sabendo, todos nós tivemos que batalhar para conseguir aquilo que tanto almejamos. Então, se você sonha com uma carreira promissora, sonha em ser um profissional bem sucedido, comece a correr atrás desse sonho o quanto antes. Porque, como já sabemos, nunca é tarde nem cedo demais para começar a aprender.

Reinaldo Luiz Más
Estudante de Publicidade e Propaganda
UNIMAR – Universidade de Marília
masreinaldo@yahoo.com.br

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