Archive for Março, 2008

Conversando sobre mídia

Segunda-feira, Março 24th, 2008

Muitas vezes, ao vermos uma campanha publicitária, observamos e elogiamos (ou criticamos) a criação do anúncio, ou seja, sua direção de arte e redação. Porém, não só de criação uma campanha é sustentada: sua eficiência depende de outros fatores que têm suas importâncias particulares. Estou aqui para defender essa área da publicidade que tanto admiro, a área na qual faço estágio hoje e pretendo trabalhar nela enquanto for publicitário: a mídia.

QUERO MÍDIA E NÃO CRIAÇÃO

Alguns estudantes começam a faculdade sem conhecer direito essa área e, conversando com veteranos, podem até criar uma antipatia sem antes conhecê-la, já que, quando se fala em mídia, logo se associa à matemática. E como só estudamos a matéria por volta do terceiro ano, cria-se um preconceito durante este período.

Confesso que enquanto não conheci de perto o trabalho de um profissional de mídia, mantive certo receio. Porém, bastou aguçar minha curiosidade para que eu fosse atrás de conhecer um pouco mais essa área e logo começar a estudar sobre os melhores pontos de outdoor da minha cidade, bem como o perfil dos leitores dos jornais locais, como calcular a centimetragem do jornal ou da revista, enfim, toda a rotina do profissional de mídia.

E aceite uma coisa, caro blogandeiro: mídia não existe sem cálculos! Isso não foi um consolo? Felizmente os cálculos necessários não têm nada de novo em seus conhecimentos aritméticos, só é necessário um pouco mais de prática. Então vocês me olham com uma enorme expressão de espanto, perguntando a vocês mesmos: o que leva uma pessoa a especializar-se em mídia? É muito simples e eu respondo: mídia também é criação!

Assim como a dupla de criação passa horas pensando em arte e textos perfeitos, o profissional (ou estagiário) de mídia precisa quebrar a cabeça para encontrar soluções criativas e meios diferentes para apresentar aos clientes. Rádio, revista, TV, outdoor (nas cidades onde ainda são liberados) são mídias convencionais, de uso rotineiro. Agora, tente apresentar e, o pior, convencer aquele cliente cabeça-dura a experimentar meios novos, como bikedoor, advertainment em casas noturnas, enfim, tente inovar… não é fácil!

AMARURECENDO SUAS IDÉIAS

Enfim, se para ser um bom profissional de criação você precisa ter uma boa “bagagem” pessoal de informações, em mídia não é diferente. Aliás, todo publicitário deve ser curioso, deve perguntar, deve ler muito, deve ter necessidade de conhecer tudo, conhecer as novidades do mercado, pessoas novas, novas tendências, enfim, precisa atualizar-se sempre. Para tanto, confirmo a teoria do Iuri (ver “Criatividade não nasce em árvore”) e reforço: leia muito, procure livros, sites, blogs, assista televisão, filmes, procure fazer tudo isso com olhar profissional, analisando o roteiro, fotografia e tudo mais. Depois de um tempo de treino, tudo isso torna-se um hábito e você acaba fazendo por prazer. E, acima de tudo, tenha relacionamentos – se possível com alguém que já trabalha na área – faça amizade com alunos que estagiam em agências, participe de Fest’Ups, eventos voltados para universitários, seminários e palestras que a faculdade muitas vezes oferece. Utilize sites de relacionamentos para manter contato com essas pessoas e, assim, trocar informações, dúvidas e experiências.

Afinal, ninguém nasceu sabendo, todos nós tivemos que batalhar para conseguir aquilo que tanto almejamos. Então, se você sonha com uma carreira promissora, sonha em ser um profissional bem sucedido, comece a correr atrás desse sonho o quanto antes. Porque, como já sabemos, nunca é tarde nem cedo demais para começar a aprender.

Reinaldo Luiz Más
Estudante de Publicidade e Propaganda
UNIMAR – Universidade de Marília
masreinaldo@yahoo.com.br

* Participe, envie seu artigo para Bloganda.

Um buuuu para a mu-mu

Segunda-feira, Março 17th, 2008

A vaia é para todas as empresas cujos empregados não usam os produtos que fabricam.

As pautas do Bloganda são originadas em experiências pessoais. Nunca escondi esse fato dos leitores.

Estou no avião pensando sobre o próximo artigo. Eis que me oferecem o lanche e eu, como de costume, aceito. Um “café da manhã” é o que os comissários anunciam. Sem dúvida, mais uma licença poética do mundo da aviação.

Lá estão as tradicionais torradas, o polenguinho e a geléia Mu-mu. Não consigo entender porque uma geléia de frutas se chama Mu-mu, algo que, para mim, remete a doces a base de leite, enfim.

Além do nome, o que mais me impressiona na marca é o fato dos responsáveis pela empresa não consumirem o produto que fabricam. Sim, não acredito que algum executivo responsável por qualquer das áreas de competência da empresa, consuma o produto. Caso contrário, já teriam se atentado ao fato de ser impossível abrir a embalagem individual entregue nas viagens de avião.

Outra possibilidade é ninguém, nessa empresa, viajar de avião. Isso é menos provável. Acredito que viajem e que não aceitem o café da manhã oferecido, se privando, dessa forma, do constrangimento dos outros incautos passageiros, na tentativa, invariavelmente infrutífera, de abrir as embalagens.

As geléias oferecidas são ilusões, são idéias de geléias, não estão lá para serem consumidas, estão lá para serem devolvidas não violadas e poderem retornar no próximo vôo com o objetivo de mais uma vez, transmitirem a idéia de que comemos torradas com geléia.

Onde estão os responsáveis pela geléia Mu-mu? O que lhes fizemos de tão ruim para sermos tratados assim? Por que esse descaso? A companhia aérea também é responsável. Cheguei à conclusão que os executivos da empresa aérea não viajam de avião, pelo menos não nos deles.

Certa vez, li em um dos livros do professor Mena Barreto, que um anúncio de uma companhia aérea alemã trazia o seguinte texto “Nosso vôo para Frankfurt atrasou 7 minutos para ajustes na cafeteira. Se cuidamos da cafeteira assim, imagine como cuidamos dos nossos aviões”. Mais uma vez, se a memória não me trai, esse era o texto e, com certeza, essa era a idéia criativa.

A MARCA É CONJUNTO DE FATORES

Ora, se a geléia oferecida no café da manhã é assim, imagine o que pensar das aeronaves. O produto é um todo, um composto de diversos elementos. Uma marca se constrói nos detalhes. O que dizer, então, do fato da dificuldade em abrir uma embalagem de geléia durante um vôo.

Vergonha para o fabricante da geléia, vergonha para a empresa aérea e vergonha para mim, que, depois de alguns preciosos minutos no ar, desisti de comer a geléia.

A Mu-mu merece uma vaia, um buuu para a Mu-mu, bem como todas as empresas cujos empregados não usam os produtos que fabricam. A vaia é aplicável às empresas de leite longa vida e suas caixas impossíveis de serem abertas sem espalhar leite para todos os lados, aos fabricantes de produtos alimentícios em vidro e seus sistemas à vácuo, verdadeiro desrespeito aos usuários, invariavelmente, submetidos ao suplício de abrir o frasco, aos fabricantes de mostarda e ketchup que insistem em submeter o consumidor ao uso de uma faca, a fim de cortar o bico fechado, e mais uma infinidade de empresas que desrespeitam o consumidor no quesito mais básico de qualquer produto, o acesso ao consumo.

Futuros profissionais de propaganda, esse é um desafio permanente, a atenção sobre os aspectos mais singelos da construção de uma marca. Usem os produtos para os quais estão trabalhando, palpitem sobre o aprimoramento de suas embalagens. Façam experiências reais, comprem o produto, reúnam os profissionais da agência ou do marketing na sala de reunião, distribuam o produto e peçam para que ele seja consumido. Esse exercício pode ser muito mais relevante para a empresa do que o MBA em uma instituição de ensino de primeira linha, e poderá evitar as vaias, que começam como barulho e terminam como fracasso.