O negócio da propaganda
6 de Outubro de 2008 · 682 views
Fazer negócios é uma atividade tão publicitária quanto criar um anúncio. Precisamos incrementar os talentos para os negócios na propaganda brasileira.
As faculdades brasileiras de publicidade são as grades responsáveis pela formação do profissional de propaganda. Por isso as conquistas da nossa atividade profissional, são, também, conquistas dos mais de 500 cursos superiores de propaganda existentes no Brasil.
Com mais ou menos história, mais ou menos tradição, mais ou menos egressos de sucesso, esses cursos debatem o futuro da atividade e formam o profissional que atuará pelos próximos 20 ou 30 anos na propaganda. É muita responsabilidade.
Em resumida análise nos conteúdos programáticos dessas escolas, percebemos alguns traços em comum, independente da região do Brasil onde estão localizadas, e as semelhanças se dão no que é proposto e no que não é proposto como pauta de estudo. No índice de carências, identificamos que o jovem profissional de propaganda não encara a atividade como um negócio.
Não estou falando de empreendedorismo ou inovação. Essas duas disciplinas, de difícil definição, estão presentes na grande maioria das cargas horárias. Refiro-me a uma prática mais comum e convencional. O egresso do curso de propaganda, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, precisa de uma visão ampla sobre o negócio em que está inserido. De forma geral os novos profissionais foram expostos ao produto da propaganda e não ao negócio da propaganda.
PRODUTO X NEGÓCIO
Os conteúdos programáticos das escolas de propaganda contemplam as pesquisas (produto), o planejamento (produto), os planos de mídia (produto), a criação (produto), a produção (produto) e a avaliação de resultados (produto).
Os TCCs – Trabalhos de Conclusão de Curso avaliam a capacidade de criação e adequação dos produtos criados pelos alunos para clientes reais em situações reais, mas não levam em conta o impacto da propaganda no negócio do anunciante, nem a viabilidade das propostas para o negócio da agência.
Não encontro entre as muitas matérias relacionadas nos cursos de propaganda uma disciplina que explicitamente aborde o negócio da propaganda. Isso é uma falha, e tem como conseqüência, gerações de profissionais de propaganda mais envolvidos na excelência dos produtos que nos resultados do negócio da propaganda.
Antes que os críticos de plantão me lembrem que, mesmo assim, temos uma atividade dinâmica, com veículos, agências e fornecedores envolvidos com uma economia que equivale a 1% do PIB nacional, argumento que os grandes movimentos de nosso segmento se dão através de profissionais de propaganda com perfil administrativo e gerencial, que muitas vezes não são considerados publicitários, ou através de executivos financeiros ligados a grupos de investimento nacionais ou internacionais.
Fazer negócios na propaganda é uma atividade tão licita e tão publicitária quanto criar um anúncio ou fazer um planejamento de mídia, por isso, a importância que deve ser conferida a essa área do conhecimento. Quanto mais publicitários souberem fazer negócios, melhor será a propaganda brasileira.













Segunda-feira, 6 Outubro, 2008 às 10:34
Olá.. adorei este artigo.
Este ano estarei formando em Publicidade e a sua crítica teve bastante embasamento. Em relação a faculdade, eles passam um cliente, os alunos brifam, pega todas as informações pertinentes para serem desenvolvida a campanha. A turma se divide em dois, formam-se as agências, desenvolve pesquisa, planejamento, a mídia, criação e produção. Após duas semanas, apresenta ao cliente. Final de tudo: O cliente é obrigado a análisar a criatividade de um dos grupos. Mas geralmente o que eu tenho percebido é que a maioria desses clientes em que a professora traz na sala, discute o porque dos orçamentos desenvolvidos pela produção e a mídia, estarem com preços tão elevados. Vejo que nós alunos, não aprendemos a desenvolver um plano de negócios, e sim distribuir a verba do cliente para vários departamentos e posteriormente apresentar, sem avaliar o gasto feito. Acredio que o cliente deva pensar: Poxa! estes alunos não estão sabendo negóciar.
Pois o cliente apresenta uma verba fictícia de 300.000 reais, e apresentamos a proposta de 298.569 Reais.
Mas que talvez, se soubéssemos desenvolver uma negóciação legal com as produtoras, forneçedores entre outros, talvez essa verba caíria bastante. (Obs: Digo na relação da agência, dentro da faculdade)
Gostaria de saber se existe algum livro que fale
sobre negócios na publicidade, e se tiver, me envie
por e-mail. Obrigado!!
Segunda-feira, 6 Outubro, 2008 às 12:41
Victor, obrigado pelo comentário. Não tenho conhecimento sobre livros que abordem esse tema, mas vou pesquisar mais.
Um abraço,
André
Terça-feira, 7 Outubro, 2008 às 0:57
Olá André!
Estava passando na comu “redatores”, vi seu tópico e cá estou após ler o texto acima. Acho muitíssimo válido você estar discutindo o que considera uma falha nas disciplinas do curso de Propaganda. Mas infelizmente não tem solução. Esta é uma daquelas áreas nebulosas onde a faculdade não pode ajudar.
Só na prática mesmo. Vocês estudantes precisam de um choque de realidade que só o mercado real pode oferecer e não as “agências modelo” que atendem clientes que não foram
contatados por vocês, com uma estrutura que em muitos casos uma agência em início de atividade não teria.
O outro ponto chave que as escolas não ensinam é sobre criatividade. O estudante não tem nenhuma garantia que ao concluir o curso vai criar bons anúncios, daí a importância do choque de realidade nisto também.
Visão para negócios e Criatividade conseguem aqueles que tem vocação e com o tempo lapidam seus talentos.