A utilidade da propaganda
14 de Outubro de 2008 · 2,023 views
Esse Bloganda receia que não se saiba o porquê se anuncia algo para alguém.
É sabido de todos que a propaganda não é uma atividade restrita ao mundo capitalista. Apesar do consumo ser um dos símbolos mais visíveis do regime, a divulgação de feitos foi uma obstinação do comunismo.
Conclui-se que se faz propaganda de tudo. De produtos, marcas e serviços, que são a força propulsora da sociedade de consumo e das idéias igualitárias, a razão de ser do comunismo.
Em ambos os casos, a propaganda teve um papel, uma utilidade. É fundamental que as empresas saibam o porquê estão investindo em publicidade. E, por mais estranho que possa parecer, esse Bloganda receia que não seja tão lógica essa proposição, ou seja, que se saiba o porquê se anuncia algo para alguém.
Nesse último ano, fomos informados do fato do Banco do Brasil completar 200 anos de existência. A despeito da importância do Banco e do momento histórico de sua criação (para os que não se lembram, a chegada da família real em terras brasileiras), seus 200 anos não chegam a motivar manifestações cívicas como outras ocasiões (Tiradentes, Independência, Republica etc.).
No mundo todo, centenas (quem sabe milhares) de empresas completam 200 anos e o fato é lembrado como tributo à perspicácia dos fundadores, à obstinação das gerações seguintes e ao empenho dos colaboradores e tudo isso pode ser explicitado na propaganda. Podemos homenagear a família real, na pessoa de D. João VI, o verdadeiro idealizador do Banco do Brasil, mas isso seria constrangedor diante das inúmeras histórias que o reduzem a um personagem de crônicas humorísticas.
Podemos falar da seqüência de 45 presidentes, eleitos ou impostos, que já comandaram este país, além dos Pedros, o primeiro e o segundo, que não mandaram fechar o Banco do Brasil e fizeram com que ele completasse a histórica marca de 200 anos. Mas seria muita responsabilidade para esse restrito grupo de 47 pessoas e isso não refletiria a verdadeira dimensão do Banco.
Por fim, podemos mencionar os milhares de colaboradores que nesses últimos 200 anos fizeram o dia-a-dia do Banco, dedicando parte importante de suas vidas à construção de uma sólida instituição.
Mas não foi isso que aconteceu. O Banco fez seus 200 anos e o que se viu foram peças publicitárias que não homenagearam D. João, não falaram dos presidentes da República e não mencionaram os colaboradores.
As peças publicitárias comemorativas à data foram uma confusão de propósitos, sem planejamento, sem objetivo, que culminaram com a inserção de uma sobre-capa nos principais jornais do país, no domingo, dia 12 de outubro (dia de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil), de gosto e conteúdo duvidoso.
Esse recurso encapou os jornais e apresentou mensagens como “Hoje, o Banco do Brasil faz 200 anos”, “BB celebra a criatividade e a garra brasileira”, “Uma marca há 200 anos faz o futuro do Brasil”, “BB contribui para o desenvolvimento sustentável do País”, “BB valoriza quem produz e quem exporta” e ainda “A Fundação Banco do Brasil investe em responsabilidade social”. Ou seja, um briefing público. Um amontoado de mensagens que, nem na forma ou no conteúdo, podem ser consideradas propaganda.
As comemorações dos 200 anos do Banco, no que tange à publicidade, são um exemplo de descaso com a gigantesca verba da instituição. Um monte de iniciativas desconexas que agridem o bom-senso e encaminham os profissionais de propaganda à questão: Qual a utilidade da propaganda?














Domingo, 19 Outubro, 2008 às 18:40
Centenas ou até mesmo milhares de empresas tem 200 anos no mundo? Acho q há um equívoco nesta afirmação do 5o parágrafo…
Segunda-feira, 20 Outubro, 2008 às 11:17
Albani, obrigado pelo comentário.
Alguns segmentos de atividade possuem empresas com mais de 200 anos concentradas, principalmente, na Europa. O segmento de financeiras e seguros, indústria de bebidas, editoras e empresas químicas, se destacam na lista de companhias que superaram a marca dos 200 anos.
Nos Estados Unidos existem empresas especializadas na comemoração de aniversário corporativo e nas listas de clientes atendidos, se observa um consideravel número de empresas com mais de 100 anos e muitas com mais de 200 anos.
Seu estranhamento é pelo fato de no Brasil, além de sermos uma país jovem, é muito difícil ficar em funcionamento por tantos anos.
Um abraço,