As traquinagens da TV Cultura
27 de Outubro de 2008 · 142 Views
Nossa TV mais pública se alia aos interesses privados.
A TV Cultura divulgou nos últimos dias sua decisão de, a partir de janeiro de 2009, não mais aceitar em sua programação, anúncios de produtos infantis.
A medida, tomada no interior de sua administração, é mais uma demonstração do pouco espírito público do canal, que toma atitudes de grande impacto, sem precedê-las de uma ampla discussão com a sociedade.
A TV Cultura é um exemplo de excelência na sua programação, em especial a destinada às crianças. Construiu esse patrimônio a partir de sucessivas iniciativas de sucesso que obtiveram, rapidamente, reconhecimento nacional e internacional.
O mercado publicitário, representado por agências e anunciantes, foi o apoiador de primeira hora dessa forma de tratar a programação infantil. Aderiu à proposta e, respeitadas as condições comerciais do canal, investiu na produção de comerciais e licenciamento de produtos.
Tudo foi feito com muita ética e responsabilidade. Os anúncios procuravam seguir a orientação dos programas e as marcas se beneficiaram dessa atitude conquistando novos consumidores empolgados com um novo jeito de se fazer TV e propaganda para crianças.
Embalados por interesses mais difusos do que aqueles que fizeram a TV Cultura apoiar um candidato à presidência da República nas últimas eleições, a decisão além de arbitrária é demagógica e atende aos interesses dos que pretendem satanizar a propaganda como a origem de todos os males que afligem a sociedade brasileira.
Não é papel da TV Cultura ceder às pressões de membros de seu Conselho Curador diretamente interessados na proibição da propaganda infantil. Mais honesto seria promover o debate em torno do assunto. Foi dessa forma que, há quase 10 anos, o canal promoveu uma revolução na concepção de programas infantis e reinventou a maneira de produzir programas com a colaboração de diversos especialistas.
A proibição é um ato covarde que não faz jus às tradições da TV Cultura. É a maneira mais fácil, mais prática e mais autoritária. Ao proibir a propaganda de produtos infantis, a TV Cultura rompe o debate sobre a construção da auto-regulamentação, promovido por todos os setores que compõe a indústria da comunicação, inclusive a sociedade civil e que pretende evitar os constantes arroubos de censura sobre a liberdade da expressão comercial.
Baseados em teses que já foram visitadas pela propaganda para a formulação da auto-regulamentação, os defensores da proibição procuram impingir aos anunciantes, agências e veículos a fama de irresponsáveis, interessados somente no lucro fácil advindo do consumo desenfreado que atinge, inclusive e principalmente as crianças.
Esquecem os censores dos tempos modernos, que a atividade publicitária, há muito, tomou a decisão de se auto-regulamentar e discutir com a sociedade os abusos de determinadas marcas e produtos. Esquivam-se do debate e apelam para a proibição, inclusive por força de lei. Utilizam-se de métodos sórdidos como os que provocaram a decisão da TV Cultura, a mais pública das nossas TVs que insiste em se render aos interesses privados.
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Assista aqui o programa especial do Ver TV que foi ao ar dia 19/10/08 na TV Câmara:
http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&velocidade=100k&Materia=73906
Durante o programa foi discutido o projeto de lei que prevê restrição da publicidade infantil, tema da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”.
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