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A propaganda tirou férias dos publicitários

Segunda-feira, Janeiro 12th, 2009

Estou de férias, mas isso não evita meu acesso à internet, folhear o jornal local, ouvir um pouco de rádio e assistir televisão. O que não tenho visto nesse inicio de 2009 é boa propaganda.

Na semana passada foi dada a largada para mais um Festival de Cannes. Foram abertas as inscrições para os Delegados de mais de 50 países, serão 10 mil profissionais de propaganda discutindo os rumos do negócio entre os dias 21 e 27 de junho, principalmente os rumos criativos.

Independente da crise econômica mundial que observamos no último trimestre de 2008, acredito que como em todas as edições, o Festival apresentará uma boa amostra do que de melhor foi feito em termos de propaganda em todo o mundo e, mais uma vez, o Brasil terá muitas inscrições e, com certeza, alguns prêmios.

Mas o que vamos inscrever? Puxe pela sua memória e cite 10 filmes de qualidade criativa que você tenha visto na telinha nos últimos 6 meses. Aproveite o esforço e relacione as 10 páginas de revista que mais lhe chamaram a atenção no período e, já que está dedicado a isto, também aponte os 10 jingles ou spots de rádio que fizeram sua alegria no final de 2008 e começo de 2009.

Caso obtenha sucesso no desafio proposto acima, encaminhe sua lista para o Bloganda. O mais provável é que essa tarefa não seja tão fácil, afinal não existem 10 anúncios merecedores de listagem em nenhuma das linguagens propostas.

O Natal não motivou os publicitários brasileiros, o verão muito menos. O que assistimos, vemos ou ouvimos é a típica gritaria do varejo. Travestidos de objetividade, as agências que atendem as contas do grande varejo nacional propõe aos seus míopes clientes filmes publicitários de péssima qualidade criativa.

Nem a Kibon salvou a temporada, não que eu tenha visto. Enfim um festival de propaganda ruim. Em Cannes quando forem divulgados os finalistas de todas as categorias, os delegados brasileiros conhecerão uma série de anúncios nacionais dos quais não se lembrarão da veiculação. É o que chamamos de anúncio fantasma.

Já abordei o tema nesse Bloganda no artigo Medalha, Medalha, Medalha e nele, defendi que os anúncios fantasmas estão para a indústria da comunicação como os desfiles estão para a indústria da moda. Eles servem como pesquisa sobre as tendências de linguagem. Isso não pode nortear toda a propaganda nacional.

Estamos com uma má safra criativa. Não conseguimos aprovar nossas melhores idéias, nossos clientes não se convencem dos nossos propósitos, aprovamos propaganda ruim na ânsia de terminar logo com o exaustivo processo diário de ‘matar um leão’.

Matamos o leão e matamos a propaganda. Não nos impomos como profissionais da área, nos rendemos aos caprichos de clientes despreparados. Seremos mais úteis quanto mais comprometidos formos com nossas idéias e com a qualidade do nosso trabalho.

Ainda podemos salvar o ano de 2009, pelo menos naquilo que está ao alcance dos futuros profissionais de propaganda. A boa formação profissional, calçada em princípios éticos garante uma propaganda de qualidade e, acima de tudo, garante a consciência do publicitário sobre o que deve se feito para evitar que a propaganda tire férias.

Atenção com o mercado, sem esquecer o mercador

Segunda-feira, Janeiro 5th, 2009

Os números do processo seletivo nas universidades brasileiras para o curso de publicidade e propaganda confirmam o interesse dos jovens brasileiros pela profissão de publicitário.

Isso é um ótimo sinal para aqueles que se sentem responsáveis pelo fato de milhares de jovens escolherem nossa profissão. Os publicitários responsáveis, dedicados e, acima de tudo, talentosos, que fizeram da propaganda brasileira uma das mais admiradas do mundo, devem se orgulhar com o fato de tantos jovens, nos melhores anos de suas vidas, quererem seguir a profissão de publicitário.

A mídia especializada em propaganda composta por alguns veículos impressos e uma dezena de sites, além de programas de televisão geralmente veiculados em horários impróprios para menores ou seres produtivos, ecoa com constância os clamores das lideranças do mercado publicitário em defesa do negócio. Fala-se de modelo, de fusões, de regras, de comissões de trabalho, fala-se de tudo que possa, minimamente, proteger o frágil negócio da propaganda e pouco, muito pouco, quase nada se fala do profissional de propaganda.

Esse Bloganda, que nasceu como um centro de reverberação daquilo que pode ser importante para a formação do profissional de propaganda, gostaria que em 2009, os lideres de nossa atividade olhassem menos para o mercado e mais para o mercador.

É o profissional de propaganda a razão de ser desse negócio que movimenta 1% do PIB nacional, que reúne mais de 530 instituições de ensino superior. É chegada a hora de olhar para o profissional de propaganda, sua formação, qualificação e mecanismos para sua valorização. O mercado publicitário deverá em 2009, olhar menos para os mecanismos de proteção contra os sucessivos ataques da sociedade civil organizada que é contra as liberdades de expressão comercial e se dar conta que a luta contra o cerceamento se dará pelo fortalecimento dos profissionais de propaganda e as instituições responsáveis por sua formação.

De nada adianta agências, veículos e anunciantes se mobilizarem se os profissionais não estiverem organicamente, imbuídos do espírito de luta pela valorização que norteará o ano de 2009.

Esse ano é o ano do profissional de propaganda e não da propaganda, é o ano do publicitário e não da publicidade, é o ano de uma campanha nacional pela qualidade de formação. Todos precisamos nos atentar para o fato de que somente a valorização do profissional de propaganda poderá garantir a qualidade de nossas realizações. A liberdade com responsabilidade, que é nossa marca registrada, não está representada por pessoas jurídicas e sim, por pessoas físicas, que há muito, deixaram impressas na história da propaganda brasileira os ideais que contribuíram para a construção dessa trajetória de sucesso.