Muita verba e pouca qualidade
2 de Fevereiro de 2009 · 605 views
No último sábado, dia 30 de janeiro, o jornalista Eugenio Bucci escreveu artigo no jornal O Estado de S. Paulo, sobre o Estado Anunciante. Revelava a grandiosidade das verbas públicas destinadas à propaganda.
Esse Bloganda já abordou o tema. No artigo Financiamento Público da Comunicação, denunciamos a dependência cada vez maior que muitos veículos possuem das verbas públicas destinadas à comunicação. Isso não significa contrariedade sobre a ação de comunicação do Estado e sim uma realidade que pode prejudicar a independência de órgãos de informação que se tornam reféns das verbas estatais.
Porém, pior que o volume de recursos que pode comprometer a informação ao cidadão é a qualidade do que está se criando para o anunciante oficial. Esse Bloganda não desiste de denunciar a crise criativa que assola diversos setores da propaganda nacional, inclusive seu principal financiador, o governo.
Nesse mesmo final de semana assisti a um filme sobre o consumo de bebida e a condução de carros. O tema exaustivamente discutido ganhou tratamento primário sob o patrocínio do governo brasileiro que deveria honrar as verbas destinadas a comunicação oficial e, no mínimo, fazer propaganda de qualidade.
Pois o filme é um exemplo de como não se deve fazer propaganda e esse pode ser seu único serviço, ensinar aos que iniciam na carreira tudo que não é propaganda. A direção é amadora, o casting sofrível e a criação, bem só vamos falar sobre o que existe!
Para se ter uma idéia, contabilizamos 4 assinaturas diferentes no mesmo filme, com mensagens diferentes, todas igualmente desprovidas de criatividade. Somos defensores da comunicação pública. Acreditamos que o Estado tem o dever e o direito de se comunicar. Encaramos a atividade como forma do exercício democrático que pressupõe acesso irrestrito à informação comercial.
No entanto, consideramos que o Estado, por ser o principal anunciante do país, em recursos e, porque não, em relevância da mensagem, deveria primar pela qualidade de sua propaganda. As concorrências públicas, que são ferramentas para seleção das agências, devem privilegiar as reais condições que as empresas possuem para honrar o compromisso de fazer propaganda de qualidade.
O principal anunciante brasileiro não pode ficar a reboque de políticas (ou politicagens) que não tenham como objetivo único transmitir com qualidade suas realizações e suas propostas públicas. Quanto melhor for a comunicação, melhor será o Estado. Acreditem nisso, por mais estranho que possa parecer.
* Até o final da semana publicaremos o filme citado neste post.












