O único grito de carnaval possivel é o de horror

24 de Fevereiro de 2009 · 780 views

Os anunciantes continuam a prestigiar o mais chato, enfadonho e entediante espetáculo de todos os tempos: o carnaval de rua transmitido pela televisão brasileira.

Estamos em pleno carnaval e o aborrecimento com a televisão é total. A maratona de falta de assunto começa na sexta-feira com o desfile, sem graça, das escolas de samba de São Paulo e só termina na quarta-feira de cinzas com a revelação das vencedoras da disputa carioca, tão sem graça quanto a paulista.

Cada vez mais a população despreza as transmissões televisivas de um evento que não foi feito para a televisão. As audiências são pífias e, nesse caso, televisão ligada não significa nada, porque de sã consciência, ninguém suporta a sucessão de mesmas coisas em que se transformaram os desfiles de escolas de samba ou os carnavais de rua do nordeste.

As cenas e os personagens são os mesmos há, no mínimo, 20 anos. Não há novidade, não há notícia. Mesmo assim, uma série de anunciantes investe volume considerável de recursos para participarem do evento.

Escrevo esse artigo antes de verificar quem são os anunciantes desse ano, mas aposto que hoje a noite, ao acender a televisão para confirmar todas as minhas previsões sobre a chatice do carnaval, verei um anunciante de verba pública financiando a festa do Momo.

Caso minhas suspeitas se confirmem prometo que voltarei a carga na próxima semana para repudiar o mal uso da verba pública. Caso contrário, fica o registro que, mesmo os anunciantes privados, que não devem satisfação sobre seus investimentos publicitários, deveriam se atentar para a ineficiência do investimento nas transmissões televisivas do carnaval.

O carnaval é um mal negócio para qualquer marca que não pode se beneficiar de daquele espetáculo grotesco em que se transformaram os desfiles de escola de samba, só comparável em chatice, a queima de fogos do final de ano, outro evento que nossa líder de audiência insiste em considerar comercial.

Como a queima de fogos na praia de Copacabana e o desfile de escolas no Sambódromo atendem ao desejo de transformar a cidade do Rio de Janeiro em algo palatável para o resto do Brasil, resta-nos o ato de desligarmos a televisão e deixarmos que os anunciantes falem para ninguém, afinal, foi exatamente eles (os ninguéns) que foram ouvidos quando da decisão de investir alguns milhões em eventos dessa natureza. Bom carnaval!!

6 Responses to “O único grito de carnaval possivel é o de horror”

  1. Diogo Rodrigues Says:

    Olá André, sou estudante de Publicidade, novato tanto na profissão quanto no blog, que pude ter conhecimento em sua palestra, a qual o parabenizo e agradeço pelas elucidações. Quanto ao que foi dito a respeito do Carnaval, você se refere a qualquer tipo de publicidade, mesmo por exemplo os patrocínios de cervejas nos eventos em si, ou apenas aos anúncios feitos atraves da televisão? Seja como for, essas exclusividades nas bebidas, o que não deixa de se tornar uma forma de publicidade portanto não é tão válida assim?

    Obrigado desde já. Sucesso.

  2. André Porto Alegre Says:

    Diogo, obrigado pelo contato. Como sugestão, visite o arquivo do Bloganda e veja que há vários artigos anteriores, mais genéricos sobre a formação do profissional de propaganda. Depois de algum tempo de blog, os artigos se tornam mais temporais e tratam de questõs especificas como o patrocínio do carnaval televisivo. Nesse caso estou falando da televisão e não das ações promocionais presenciais, ou seja, a inclusão das marcas de cerveja nas arenas de desfile. Esse recurso é muito mais adequado ao evento carnaval. A inclusão das marcas nos desfiles é uma midia out of home, absolutamente relevante para o anunciante. MInha crítica está voltada para o patrocínio das transmissões intermináveis da televisão durante a madrugada, que consomem volume de recursos do anunciante e possuem eficiencia discutível.
    Um abraço,

  3. Josué Brazil BRAZIL Says:

    André

    Normalmente o pacote de carnaval proposto pelas emissoras contam com inserções em diferente programas e horários das emissoras, não se restringindo apenas ao desfile das escolas. No final, obtem-se um volume bastante interessante de exposição da marca.
    Além disso, considero que o carnaval é algo bastante relevante em termos de cultura do nosso povo e não pode ser desprezado pelas marcas.
    Entendo seu ponto de vista, mas vejo o carnaval e a sua transmisão televisiva como um produto interessante para algumas categorias de marcas.

  4. Josué Brazil BRAZIL Says:

    … o pacote de carnaval proposto pelas emissoras CONTA com…

  5. Bloganda - Idéias para a formação do profissional de propaganda » Blog Archive » A furiosa toca tambor Says:

    [...] O único grito de carnaval possivel é o de horrorA furiosa toca tamborBBB é a PQP [...]

  6. André Porto Alegre BRAZIL Says:

    Josué, obrigado pela participação. A reaplicação de espaços publicitários em outras programações que não as pertinentes ao patrocínio acontece na grande maioria dos pacotes comercializados pela televisão brasileira. Na Fórmula 1, Jogos de Verão, Futebol etc… Seu objetivo é valorizar o custo do patrocinio, geralmente superestimado pelas emissoras. No caso do carnaval, a valoração do pacote através do 1%GRP só é viável através de uma entrega desproporcional de outras programações, sob pena do anunciante descobrir que fez um péssimo negócio, mesmo sendo o carnaval um espetáculo da cultura brasileira.

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