Archive for Fevereiro, 2009

Bloganda, só nessa segunda

Segunda-feira, Fevereiro 9th, 2009

Estou em uma das mais belas capitais do Brasil, Belo Horizonte e não sei se vou conseguir sair daqui sem uma TV de plasma, um armário para o meu quarto ou uma geladeira nova. Isso porque nas últimas 2 horas em que estou no hotel na frente da televisão, fiquei sabendo que amanhã, segunda-feira, é o dia nacional das compras. Não perca, é só amanhã!

APROVEITE!!!

Três grandes redes, duas nacionais e uma local, apelam para os preços baixos para atrair os consumidores em plena segunda-feira.  No mundo todo esse recurso é utilizado e seus resultados são positivos. Isso justifica sua resistência nos planos de comunicação.
É uma gritaria desagradável. Bombas, carimbos e uma infinidade de sons que sobrepõe a voz do locutor, invariavelmente, desesperado. É uma fórmula tão usual que, para muitos, não é propaganda. Mas é. De má qualidade, mas é propaganda.

Entre os maiores anunciantes do mundo se encontra redes de varejo, com grandes investimentos e a mesma estratégia criativa, ou seja, não ter criação. Trabalhei em uma agência especializada em varejo, fui seu diretor de planejamento e atendimento e depois seu Presidente. Foi a maior e mais importante agência especializada em varejo do mercado brasileiro. A Energia Young & Rubicam.

Entre seus clientes figuraram Lojas Arapuã, Wal-Mart, Le Postiche, Babylandia, C&C, Sam’s Club, Transbrasil, Móveis Taurus, Drogão, D&D Shopping e mais outros 14 shoppings centers espalhados pelo Brasil, além da rede de concessionárias Ford.

A Energia puxou a fila de agências especializadas do mercado brasileiro. Foi a primeira a divulgar a idéia de que a propaganda de varejo deveria estar fora das estruturas convencionais das agências. Notabilizou-se por admitir o planejamento como instrumento fundamental à comunicação de varejo e por valorizar a entrega com rapidez e preço baixo.

Sobre esse aspecto, a Energia promoveu uma revolução no discurso da propaganda nacional, afinal abordou que propaganda pode ser feita com preço baixo, sem a ladainha tradicional de qualidade. Todos nós procuramos bons negócios. Produtos de qualidade a preço baixo. Mas na propaganda não se verbaliza isso. É feio, não é chic. A Energia falava de preço e isso encantava os anunciantes.

Fizemos muita gritaria, mas creio que houve um saldo positivo para o desenvolvimento da idéia da importância de se pensar o cliente de varejo de forma diferenciada. As agências devem se envolver com o negócio e seus resultados, mais do que com os anunciantes de produtos ou serviços.

No Brasil, o maior anunciante é uma rede de varejo, as Casas Bahia. A agência que o atende é a maior agência do mercado brasileiro, a Young & Rubicam, mas eu não acredito que, além do faturamento astronômico seus profissionais entendam o papel de transformação que podem exercer em atender uma conta com essas características e com todos os desafios que se apresentam para as Casas Bahia se consolidar no Brasil inteiro.

As faculdades e os futuros profissionais de propaganda devem estar atentos a comunicação de varejo, afinal, que cliente proporciona a criação e produção de 52 filmes em um ano, exatamente o número de segundas-feiras. Não perca!

Muita verba e pouca qualidade

Segunda-feira, Fevereiro 2nd, 2009

No último sábado, dia 30 de janeiro, o jornalista Eugenio Bucci escreveu artigo no jornal O Estado de S. Paulo, sobre o Estado Anunciante. Revelava a grandiosidade das verbas públicas destinadas à propaganda.

Esse Bloganda já abordou o tema. No artigo Financiamento Público da Comunicação, denunciamos a dependência cada vez maior que muitos veículos possuem das verbas públicas destinadas à comunicação. Isso não significa contrariedade sobre a ação de comunicação do Estado e sim uma realidade que pode prejudicar a independência de órgãos de informação que se tornam reféns das verbas estatais.

Porém, pior que o volume de recursos que pode comprometer a informação ao cidadão é a qualidade do que está se criando para o anunciante oficial. Esse Bloganda não desiste de denunciar a crise criativa que assola diversos setores da propaganda nacional, inclusive seu principal financiador, o governo.

Nesse mesmo final de semana assisti a um filme sobre o consumo de bebida e a condução de carros. O tema exaustivamente discutido ganhou tratamento primário sob o patrocínio do governo brasileiro que deveria honrar as verbas destinadas a comunicação oficial e, no mínimo, fazer propaganda de qualidade.

Pois o filme é um exemplo de como não se deve fazer propaganda e esse pode ser seu único serviço, ensinar aos que iniciam na carreira tudo que não é propaganda. A direção é amadora, o casting sofrível e a criação, bem só vamos falar sobre o que existe!

Para se ter uma idéia, contabilizamos 4 assinaturas diferentes no mesmo filme, com mensagens diferentes, todas igualmente desprovidas de criatividade. Somos defensores da comunicação pública. Acreditamos que o Estado tem o dever e o direito de se comunicar. Encaramos a atividade como forma do exercício democrático que pressupõe acesso irrestrito à informação comercial.

No entanto, consideramos que o Estado, por ser o principal anunciante do país, em recursos e, porque não, em relevância da mensagem, deveria primar pela qualidade de sua propaganda. As concorrências públicas, que são ferramentas para seleção das agências, devem privilegiar as reais condições que as empresas possuem para honrar o compromisso de fazer propaganda de qualidade.

O principal anunciante brasileiro não pode ficar a reboque de políticas (ou politicagens) que não tenham como objetivo único transmitir com qualidade suas realizações e suas propostas públicas. Quanto melhor for a comunicação, melhor será o Estado. Acreditem nisso, por mais estranho que possa parecer.

* Até o final da semana publicaremos o filme citado neste post.