A furiosa toca tambor

16 de Março de 2009 · 716 views

Terminada a maratona que é o carnaval brasileiro, esse Bloganda volta ao tema para fazer alguns registros, que se em nada tem relação com a formação do profissional de propaganda, em muito tem relação com a cultura brasileira.

Furiosa é como é chamada a bateria da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro e Tambor o enredo da agremiação campeã do carnaval do Rio de Janeiro em 2009. Em São Paulo, a Mocidade Alegre, do bairro do Limão, com um enredo inspirado no Coração sagrou-se campeã. Em comum, além do aparente “tudo igual” em que se resume o desempenho de uma escola de samba, as duas, Salgueiro e Mocidade possuem um presidente mulher, ou seja, uma presidenta.

Não sei o que isso pode significar, mas sem dúvida, muda a perspectiva da participação feminina no carnaval brasileiro e, quem sabe, mude a perspectiva da mulher brasileira na nossa sociedade.  Executivas a frente de empresas de entretenimento, essas mulheres se diferenciam das lideranças empresariais convencionais porque fazem parte das localidades onde essas agremiações estão instaladas, o que se convencionou chamar no Brasil, de comunidade.

Pois essas duas mulheres “são da comunidade” e como tal, administram suas respectivas escolas com a eficiência de quem conhece, em profundidade, como motivar e com quem podem contar. Ou seja, sabem apertar os botões certos para alcançarem bons resultados.

Nós, profissionais de propaganda, podemos nos inspirar nesses ensinamentos. Não é tão absurdo considerar que o trabalho de comunicação obtenha sucesso proporcional ao conhecimento que detemos sobre a história e trajetória do produto. Também não parece muito fora de contexto encarar o fato de que uma campanha publicitária precisa motivar todos os públicos que se relacionam com a marca.

Ainda sobre o carnaval, tratado aqui no artigo O ÚNICO GRITO DE CARNAVAL POSSÍVEL É O DE HORROR (23/02), cabem algumas outras barbaridades. Quem são esses jurados? Devem ser os mesmos entrevistados pelos institutos de pesquisa, afinal ninguém os conhece. Quais os critérios para as notas? Como uma escola de samba recebe 10 de um jurado e 9,9 de outro, no quesito bateria? O que pode ter tirado 0,1 da nota de uma bateria de escola de samba? A resposta não pode ser a desafinação, porque essa é a condição para o sucesso de uma bateria, ser desafinada.

São mistérios que tendem a se tornar mais misteriosos na medida em que as mulheres assumem o controle da principal festa popular brasileira e, todos sabem, mulheres gostam de cultivar segredos.

Fica a esperança e o desafio para que nos próximos carnavais, as mulheres, líderes das escolas de samba das principais cidades brasileiras consigam reverter a falta de expectativas em que se transformou o desfile de carnaval no Brasil, uma sucessão de mesmices, um status quo que só conseguirá ser transposto com muito trabalho e criatividade feminina. Que venham as furiosas.

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