O pior anúncio da temporada
19 de Maio de 2009 · 1,418 views
O anúncio da AMIL, empresa de planos de saúde, é o mais bem acabado exemplo da nossa capacidade em produzir coisas ruins na propaganda. Uma vergonha para os publicitários e para os dirigentes da empresa que trabalharam no projeto.
A propaganda é uma atividade solidária. Quando acertamos a mão, todos acertam. Acertam os publicitários envolvidos no processo de produção e veiculação do anúncio, acertam os executivos responsáveis pelo briefing, aprovação e orçamento do trabalho. Todos são vitoriosos e merecedores de crédito.
Quando o trabalho é ruim, todos são culpados. Culpados os publicitários que, por dever de ofício, devem alertar o anunciante para os erros que está incorrendo ao usar seu poder para impor determinados caminhos criativos, culpada a empresa anunciante que, prepotente, se considera imune à precariedade das suas idéias. Pois todos estão condenados.
O anúncio da AMIL é indescritível. Por mais que eu me esforce não conseguiria reproduzir a sucessão de horrores que desfilam na telinha da televisão. Um ator inexpressivo, um cenário incompreensível, uma trilha ridícula e um texto… bem o texto é digno de uma redação de primário.
É impossível entender o que os envolvidos na empreitada pretendiam com o anúncio, além de jogar pela lata do lixo o dinheiro da empresa. Me passou a idéia que, por se tratar de uma empresa de planos de saúde, o objetivo seria submeter o telespectador a uma síncope de qualquer ordem e, dessa forma, fazê-lo optar pelo serviço da AMIL.
Nessas situações sempre me pergunto: Se eles tratam a comunicação dessa forma, como tratarão o negócio deles, que é a nossa saúde? Melhor não arriscar.
Há muito acompanho a estratégia de comunicação (ou falta dela) desse anunciante que insiste em manter uma agência de propaganda dentro da sua estrutura funcional, uma house agency ou “agência da casa”, uma distorção do nosso mercado apoiada na economia burra de recursos destinados à propaganda. Uma agência interna economizaria os honorários a serem pagos para os prestadores de serviços, além de manter sob controle a comunicação.
Pois não acontece nem uma coisa, nem outra. Não há economia, nem há controle. O que costumamos presenciar nessas estruturas são publicitários atormentados por idéias impostas por seus patrões que, invariavelmente, duvidam da competência de seus empregados. Os resultados são anúncios como o da AMIL, o pior anúncio da temporada e um dos mais grosseiros exemplos da anti-publicidade.
Tags: amil, anti-publicidade, house agency, pior anuncio, propaganda ruim













Quarta-feira, 20 Maio, 2009 às 11:45
Ainda não tinha conhecimento do comercial citado, mas assistindo agora, vejo que ele tinha potencial para dar certo. Porém, na minha opinião, o uso exagerado de efeitos especiais (além de outros motivos citados acima, como o ator – com uma dicção forçada, diga se de passagem-, a trilha e o ambiente) e o roteiro tiraram a essência do comercial.
Talvez a intenção foi fazer um filme diferente daquele padrão de família feliz, só que nesta tentativa de inovação, foi perdido o foco da propaganda.
Quinta-feira, 21 Maio, 2009 às 15:33
Ok, no começo parece que o rapaz morreu. Depois você percebe o logo da AMIL ali embaixo e já vê que tem alguma coisa errada. Não gostei da narração e ficou parecendo final de novelas globais como A Viagem. Fico com vergonha da AMIL ao ver esta peça.
Quarta-feira, 17 Junho, 2009 às 12:44
achei o comercial de muito mal gosto, parece até que estão zombando da capacidade mental das pessoas que procuram um plano de saúde, dizendo mesmo nas entrelinhas: Seus burros!
E mais:
“Não nos importa se vc vai morrer, o que nos interessa é que a AMIL esteja com vc” – com relação ao “Eu nao vou sozinho”
acho que nem pra comercial de funerária, ficaria bom rsrsr
Quinta-feira, 18 Junho, 2009 às 12:25
E o helicóptero surgindo do nada? *medo*
Segunda-feira, 24 Agosto, 2009 às 13:41
pd crer, parece final tosco de novela global!