O fato da propaganda
Segunda-feira, Maio 11th, 2009A agência Escala de Porto Alegre e o anunciante Lojas Renner deram, nessa última semana, uma demonstração de que a boa propaganda não está atrelada somente ao planejamento estratégico, mas também à idéia criativa baseada nos fatos reais.
O vendaval que assolou a cidade de São Paulo no último dia 4 de maio, causou diversos estragos na cidade e muitos acidentes. Um acidente eminente foi evitado graças a ação de funcionários de um escritório que salvaram dois trabalhadores de um andaime. Eles faziam a limpeza dos vidros do prédio, pelo exterior da construção e foram pegos de surpresa pela ventania. Entre os heróis estava a tesoureira carioca Carla Pagano Lisboa de 31 anos, que usou uma jaqueta para ajudar no resgate dos rapazes.
Em entrevista a um jornal Carla comentou que a amiga que dividi com ela um apartamento na capital paulista não gosta muito da jaqueta: “Ela não gosta muito dessa jaqueta que comprei há 4 anos em uma loja Renner, no Rio. É velhinha mas adoro usá-la. E depois do que aconteceu vou continuar usando” afirmou em entrevista no dia 6 de maio.
Pois foi o que bastou para que a agência Escala de Porto Alegre veiculasse no último dia 8 de maio, sexta-feira, um anúncio em jornal de grande circulação em São Paulo com o título AS HEROINAS DE HOJE NÃO USAM UNIFORME. VESTEM ROUPA DA RENNER. E ainda mandava um recado público para a Carla: “Carla, venha até a Renner do Morumbi Shopping e receba um presente nosso: uma jaqueta novinha.”.
Essa ação não estava no orçamento da Renner, nem foi antecipada por infindáveis reuniões de planejamento e sequer teve um briefing.
Não havia prazo para a criação e a produção da página inteira do jornal foi tacanha. Mas o resultado é um sopro de oportunismo em uma propaganda cada vez mais grotesca, feia e ineficiente, cercada de anunciantes medrosos e publicitários ansiosos por resolver o problema de faturamento das suas agências.
O exemplo da agência Escala e do anunciante Renner é de coragem em quebrar paradigmas da propaganda. Animados com os grandes índices de audiência da nossa televisão, publicitários investem o seu tempo e o dinheiro dos anunciantes em ações absolutamente previsíveis como compra de pacotes de patrocínios de Campeonatos de futebol, Fórmula 1, novelas e telejornais.
Esses produtos são uma mesmice. Desafie qualquer brasileiro a relacionar os 5 times que ocuparam as primeiras posições no Campeonato Brasileiro desse ano, que a grande maioria acertara o conteúdo. Continue a enquete e pergunte sobre as possibilidades de um brasileiro ser campeão da Fórmula 1, aproveite e pergunte sobre o final da novela e, tirante alguma tragédia, questione sobre ladainha diária do Jornal Nacional.
Tudo o que está aí é muito chato e está cansando o consumidor que quer coisas novas, pelo menos, na abordagem comercial dos meios de comunicação. Quando nós, publicitários, usarmos menos a TV e investirmos nossos recursos criativos mais no jornal, revista, rádio e cinema, teremos uma propaganda dinâmica, com fatos e com uma capacidade de persuasão maior do que o que vemos hoje em dia.
Veja mais: Fantástico, 10 de maio de 2009.













