Questão de escolhas
8 de Junho de 2009 · 708 views
No começo da faculdade tudo é festa! E eu te digo uma coisa: aproveite as festas, bagunça e curtição nos dois primeiros anos. Nos dois últimos anos faça uma pequena mudança no programa: preste atenção às aulas, curta os professores, os projetos e laboratórios.
Texto de autoria de Brunno Fróes
“You need to experience the evil side at the same time as the angelic side to live fully” – Gaspard Ulliel, ator.
A vida é mesmo engraçada, e adora pregar peças em nós, pobres seres humanos. Se pararmos para analisar direitinho viver é fazer escolhas antes que façam estas escolhas por você. Nós nascemos e logo de cara somos dependentes de seres mais evoluídos. Depois crescemos e somos obrigados a aprender a evoluir, passando por fases levinhas como a pré-escola, onde tudo é brincadeira e hora do lanche. A próxima fase, da primeira a quarta série, é uma fase preparatória para a fase problemática que está por vir. Aí chega o ginásio e você está fodido pela primeira vez. É a pior fase, onde você é obrigado a fazer a primeira escolha importante que mudará toda a sua vida: ser nerd ou o malandrinho (anjinho e o demoninho). Não adianta tentar ser os dois, o meio é bem pior, acredite em mim eu ficava no meio. O meio sempre é esquecido na hora de rotular, da educação física ou trabalhos em grupo. Os nerd’s são autosuficientes e querem fazer os trabalhos sozinhos; os malandrinhos não fazem os trabalhos e nestas horas lembram que existe o grupo do “meio” e tentam se encaixar nele, pois tem a certeza que o único trabalho que farão é o de convencer as pessoas do meio a apenas colocar o nome deles no trabalho. Coloca meu nome aí que eu falo que você é maneiro. Pronto! A ameaça psicológica começa aí e com isso eles conseguem tudo. Afinal de contas o grupo do meio sempre quer ser maneiro. E esta batalha é arrastada até o 3º ano do colegial, onde os conflitos e chantagens se transformam um pouco mais agressivos (“se você não fizer o meu trabalho de biologia eu te mostro como se disseca um rato pessoalmente na saída do colégio”) e/ ou com um teor sexual (“faz meu trabalho de biologia e eu deixo você ter uma aula de anatomia humana com minha prima”). Os hormônios sempre são os culpados, principalmente para seus pais.
Depois do colegial seus pais chegam pra você e soltam a bomba em suas mãos: “Filho, agora você é gente grande. Ta na hora de passar no vestibular e quem sabe, arrumar um emprego”. É meu caro amigo, isto cai como uma bomba em suas costas. Nessa hora você gostaria de reviver todos os anos do colegial novamente, por mais traumatizantes que eles tenham sido. Acredite nenhuma escola, seja ela particular ou pública, e nenhum pai, professor, amigo, primo mais velho, tio camarada ou cobrador do ônibus te prepara para receber este problema – A Faculdade. Parece que você revive tudo novamente, desde o primeiro passo. Você se sente inseguro e totalmente indefeso na hora de escolher a área / curso que você quer. Querendo ou não, esta escolha é a mais importante da sua vida, pois ela vai definir quem você será profissionalmente e psicologicamente. Uma faculdade define e comanda todas as suas experiências futuras. Mas isto é só mais uma das muitas pegadinhas que a vida vai pregar em você. Eu não sugiro fazer como eu fiz, pois acredito muito que eu dei muita, mas muita sorte mesmo na escolha da faculdade. Quando terminei o colegial já tinha decidido e entrado em comum acordo com meu pai (um ser superior e bondoso que nunca me cobrou nada além de média 8,5 no colégio) de que eu não faria faculdade no ano seguinte, pois não fazia a menor idéia do que fazer da vida. Num belo domingo eu acordei e liguei a TV, estava passando um comercial do vestibular da Unimonte: “Ultimo dia de inscrição para o vestibular Unimonte. Não perca a chance de começar seu futuro profissional. Amanhã pode ser muito tarde Zé Mané”. Tudo bem vai, o slogan não era bem assim, mas foi deste jeito que meu cérebro processou a informação e distribuiu todo o medo para minha mente. Sério, naquela hora eu pensei que se não fosse daquela vez, naquele dia, naquele ano, não seria nunca mais. Eu iria morrer socialmente. Seria um pobre rapaz de 18 anos, bonito, mas sem futuro, sem razão, sem sentido algum para viver. No mesmo dia eu fiz a inscrição no vestibular de comunicação social da Unimonte. Já sabia que eu era um ser comunicativo, então escolher a área foi fácil dentre as opções. Mas o curso foi no uni-duni-tê. Relações Públicas, Propaganda e Marketing e Jornalismo. Passei em 1º lugar no vestibular e pude optar por Propaganda e Marketing, não sei até hoje o porquê, deve ter sido sorte.
Como já havia dito, não indico a ninguém este sistema de escolha de carreira. Eu dei sorte, você pode não ter a mesma sorte que eu. Com certeza os alunos de relações públicas não deram a mesma sorte que eu, afinal eles se formaram em RP.
No começo da faculdade tudo é festa! E eu te digo uma coisa: aproveite as festas, bagunça e curtição nos dois primeiros anos. Nos dois últimos anos faça uma pequena mudança no programa: preste atenção às aulas, curta os professores, os projetos e laboratórios. Isto fará total diferença na pior hora da sua vida acadêmica, o TCC. O bom da faculdade é que você tem novamente o poder mágico e soberano de se renovar, de mudar a imagem que você carregou o colegial inteiro, fica ao seu critério quem você quer ser. No meu caso eu preferi continuar no “meio”, pois já estava acostumado demais a isso. Mas desta vez eu me arrisquei mais, aprendi a crescer com o pessoal da faculdade, conhecer coisas novas, pessoas diferentes e realidades inusitadas. Acredito que a faculdade é muito mais importante neste caso, no conflito de realidades e no fato de como você aprende a lidar com isso. Você aprende a respeitar muito mais as pessoas pelas diferenças delas.
E a faculdade passa muito rápido, acredite. A não ser que seu curso seja de medicina, pois aí eu não posso mentir, deve demorar um pouquinho pra acabar. Mas se pensarmos na quantidade de informação que você recebe ao longo dos anos da faculdade, qualquer curso acaba rápido. O meu curso de PMKT passou voando e o final do curso foi triste por alguns motivos. O primeiro motivo foi o fato da amizade com as pessoas, minha turma demorou um bocado para se aproximar de verdade e fazer festas, baladas e noites de vídeo-game e, quando a coisa começou a ficar gostosa a faculdade estava no final. Não adianta, assim como o inicio da faculdade aproxima pessoas diferentes, o fim da faculdade distancia estas pessoas. Esta é mais uma pegadinha que a vida põe em nosso caminho, o lance é criar laços realmente fortes com certas pessoas e batalhar para que estes laços não se partam (uma amiga minha ficou grávida de um carinha da faculdade, quer laço mais forte que este?!). O outro fator bem triste foi o temido TCC. Te garanto que ele é temido por um motivo real, e não é nada fácil concluí-lo. Ainda mais quando tem as regras da ABNT para acabar com o seu sossego. No pacote do TCC vêm junto os conflitos e o estresse – totalmente de graça. Por mais amigo que você seja daquela pessoa, ela vai acabar te decepcionando e você precisa entender isso. Todos nós temos limites e nós temos que aprender a respeitá-los, os nossos e os dos outros. Uma professora minha me falou algo muito verdadeiro: “A pessoa pode ser muito amiga sua, mas vocês dois tem que ser mais amigos ainda para não colocar a amizade de vocês à prova. Às vezes os amigos não servem para companheiros de trabalho e isso é natural”. É o famoso “amigos? amigos, negócios à parte”.
Aleluia! O TCC foi entregue e apresentado, você tirou uma nota satisfatória e a vida é bela. A faculdade acabou… E agora? (Pânico!) Bom, é aí que está verdadeira pegadinha. O próximo passo mais uma vez é você quem tem que decidir. Sozinho. Você tem duas opções sempre: ou começar outro curso, ou uma pós, um MBA e se aprimorar em algo direcionado para a carreira que você está construindo ou apenas dar um tempo para descobrir que carreira é esta que você pretende construir. Eu escolhi a segunda opção, dei um tempo. Quando acabei a faculdade o medo bateu. Graças a Deus, desde o 3º ano da faculdade eu já trabalhava na área, mas, com o final da faculdade, eu me dei conta de que eu teria que saber algumas respostas e não teria mais os professores para responder as perguntas que não estavam muito claras. Eu não era mais o estudante, o estagiário. Eu era o bacharel em comunicação social – com habilitação para Propaganda e Marketing. (E agora?) Agora a gente começa a caminhar e aprender com as pessoas e oportunidades que aparecem no caminho. A faculdade não te ensina tudo, mas te mostra um pouco do caminho certo. Se você vai virar a esquina ou continuar na mesma rua é uma escolha sua e ninguém vai fazer isto por você.
A vida é engraçada, e adora pregar peças em nós, pobres seres humanos. Se pararmos para analisar direitinho viver é fazer escolhas antes que façam estas escolhas por você. Hoje em dia eu trabalho numa área da publicidade que eu nunca havia imaginado trabalhar. O mais surpreendente é que eu gosto muito do que eu faço e se puder vou fazer minha carreira nesta área. Mas o dia de amanhã eu não posso dizer como será. Mas sei que tudo começa quando eu abrir meus olhos, e todo o resto será baseado nas escolhas que eu farei. Nenhuma escolha é certa ou errada, tudo depende do seu ponto de vista. Camiseta azul ou vermelha, o caminho mais longo ou mais curto, procurar novas oportunidades ou estagnar na mesma. É tudo uma questão de escolhas, e assim a gente vai vivendo e se surpreendendo com tudo o que acontece. A maior surpresa é quando a gente acaba acontecendo!
Brunno Fróes
Publicitário, mídia da Agência Fenômeno
brunnogarcia@gmail.com














Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 9:37
sonhando…
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 10:18
O mais estranho de tudo isso e que de repente você muda seu perfil profissional, e precisa tomar atitudes, ser altamente criativos, todos os dias e gerar muitos resultados num espaço de tempo que dá até dor de cabeça em pensar…mas uma felicidade imensa de se imaginar, e ver que nesta história toda (cada uma com as suas particularidades), conseguimos!!!
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 10:31
sonhando… ²
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 10:37
Esse eu definitivamente não podia deixar de comentar. Grande Brunno. Excelente texto cara, parabéns pela participação. Gostaria de dizer mais mas não quero também ficar enchendo linguiça.
Abração!
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 11:52
Parabéns Brunno, muito bom hein!
Mas diz aí, foi pra me cutucar esse texto não foi? (brincadeira). Sucesso cara, e tudo de bom pra ti, é o que te desejo de coração…
Abraço, de quem nunca trocou muita idéia contigo mas que te respeita e admira bastante!
FUI!
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 12:24
Brunninhoooo! Saudades absurdas de ouvir essas palavras…
me deu até vontade de chorar…
sem contar que eu concordo com muita coisa…
concordo tbm que o TCC é um teste… um grande teste…
e desabafando: tivemos problemas sim… mas nossa amizade é muito maior que tudo isso! não é?
haha
PS: a amiga grávida sou eu?
hahaha
Saudade, saudade, saudade!!!!!
Amuuu!
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 14:57
Naty: sim sim. nossa amizade é bem maior que isso
e com certeza sua barriga deve estar bem maior que tudo isso! hauhauha
Segunda-feira, 8 Junho, 2009 às 15:08
huahua
orgulho é poko!
e qq outro elogio deve ser suspeito! hehe
amo demais!
Terça-feira, 9 Junho, 2009 às 8:39
ooo bruninho!
parabens cara!’
certeza q quem na se identificou com o texto inteiro se identificou “soh” com dois tercos!
saudades desses bons tempos e das geek partys!
abracao, pra vc e pra toda nossa galera, que virou e mexeu ta marcando presenca no bloganda!
Terça-feira, 9 Junho, 2009 às 19:20
Nossa, acho que não demorei muito.
Parabens Bruno, ótimo texto. Muitas idéias e evolução continua nesse caminho. Que quase toda criança, adolescente, adulto irá percorrer.
E apesar da demora, passei por aqui. Sucesso…
Quarta-feira, 10 Junho, 2009 às 22:27
Nossa cara que feeera me emocionei!! acabei de me formar e to na parte entre MBA ou outro curso……
A minha agencia passou por cada passo que vc descreveu….
Parabens e sucesso!
Quinta-feira, 11 Junho, 2009 às 2:56
Eu simplesmente achei fantástico tudo o que disse.
É exatamente assim que me senti na hora da faculdade, ainda mais que entrei com 17 anos.
Me sentia muito perdida, achava o máximo poder sair pra beber água sem pedir para o professor!
Ainda estou no 2° ano de Produção Editorial, e sei que tem muita coisa pra acontecer, e hoje mesmo me bateu um desespero ‘o que eu vou fazer depois da faculdade? pra onde vou?’, ou seja, li esse post na hora certa. Parabéns.
Quinta-feira, 11 Junho, 2009 às 16:08
Péssimo texto! Baseou-se em uma reles psicologia de fundo de quintal, além de estar repleto de clichês! Aliás nem vou comentar o uso de termos de baixo calão! (Ops já comentei indiretamente, rs) Sem contar com os erros de português e erros de construções como logo no início: “Se pararmos para analisar direitinho viver é fazer escolhas antes que façam estas escolhas por você.” Putz! Se (nós) pararmos para analisar, é natural que façam estas escolhas por NÓS! Perdi meu precioso tempo lendo este texto, porém acredito que o nosso nobre colega “comunicador” perdeu ainda mais o seu tempo em escrevê-lo, pois isso não vai acrescentar nada, definitivamente nada a ninguém! Você é profissional de comunicação mesmo? Rá!
Terça-feira, 16 Junho, 2009 às 15:11
Querido “nobre colega” Pedro Paulo. Muito obrigado pelas críticas – elas são sempre bem vindas.
Se meu texto é “repleto de psicologias de fundo de quintal e clichês”, de que importa? Sou comunicador, não sou psicólogo! Não estou analisando o comportamento humano nem escrevendo uma tese científica, estou comentando o meu ponto de vista, um texto informal. Não tinha intenção alguma de servir de “guia do estudante” para nenhum leitor do Bloganda. Eu escrevo para me expressar, e aprendi que um bom comunicador, ou melhor, um “profissional de comunicação” é aquele que sabe passar uma mensagem, aquele que se faz entender. Pensando desta forma, eu sou sim, um profissional de comunicação. Agora, entre ser bom ou ruim, eu prefiro ser humano.
Quarta-feira, 17 Junho, 2009 às 12:02
Olá Bruno,
Seu texto é legal sim.
Esse Pedro ñ sei das quantas, é um cara invejoso com dor de cotovelo.
Me identifiquei total. Eu também fui do grupo do meio,
do grupoda galera gente boa da turma.
Quarta-feira, 17 Junho, 2009 às 17:17
“cÚtovelos” inchados à parte…
Parabéns Bruno, Saudades d td galera!
Abraços a tds
Terça-feira, 17 Novembro, 2009 às 1:00
Ei Brunno….vc nao é do meio nao….sempre saiu na frente… Parabéns pela iniciativa e atitude…Sou sua fã…sempre!!! Bjo
Terça-feira, 8 Dezembro, 2009 às 23:11
parabéns pelo texto Brunno….
vc resumiu bem sua vida e sintetizou experiências.
li o texto duas vezes, muito bom!