Archive for Agosto, 2009

O verdadeiro estelionato

Segunda-feira, Agosto 17th, 2009

Quando esse artigo for publicado já terão acontecido outros rounds da batalha entre a TV Globo e a TV Record, mas nosso poder de prever o futuro aponta para uma sucessão de ignorâncias, por isso não precisamos nos preocupar com o tempo das bestialidades, Globo e Record defendem que qualquer hora é hora para sabotar a inteligência do consumidor e assim o fazem.

Tudo parecia tranqüilo no reino da Dinamarca, seja lá onde for isso. A Globo não dava mostras de estar incomodada com a disputa pelas estrelas de nenhuma grandeza em que se envolveram SBT e Record. Impávida do alto de seus índices de audiência, a líder se limitava a praticar seu esporte preferido: “garfar” toda a verba disponível no mercado publicitário brasileiro.

Mas tudo era só aparência. Com dificuldades em conquistar seu pleito em estabelecer que toda a verba existente no mercado só tem razão de ser se estiver sob seu domínio, a Vênus Platinada (era assim que a Globo era chamada nos idos de 80) desferiu um golpe de morte sobre sua concorrente e como todo o golpe desse gênero, não permite desculpas ou arrependimentos.

Ainda sabemos pouco de onde teria saído a ordem para, no principal telejornal da emissora, atacar a TV Record. O casal apresentador do telejornal pretensamente nacional apresentou as armas, não deixou espaço para concessões e taxou toda a diretoria da concorrente de estelionatários.

Algo pouco elegante e aparentemente motivado por alguns ridículos pontos de audiência que migraram para A Fazenda da TV Record. Não é a primeira vez que observamos a miopia da Globo em relação à fuga de audiência para a concorrência. Nesse ano mesmo e alvo de um artigo nesse Bloganda – Relevância e Audiência – a emissora optou por transmitir jogos de futebol de pouca importância em detrimento da final da Taça Libertadores da América que envolvia um time de Belo Horizonte e teve seu jogo final em território brasileiro.

Na ocasião alertamos para o fato dos anunciantes se posicionarem contrariamente a orientação de privilegiar a qualquer custo a audiência. Patrocinadores compram além dos aparelhos de televisão ligados. Compram valores que podem ser agregados à sua marca. Em nada agrega a briga intestina entre as duas emissoras. Pelo contrário, ela estimula um tipo de jornalismo que há muito evitamos e desrespeita o consumidor.

Enquanto a TV Globo admitir o vale tudo da audiência será difícil evitar a sangria de telespectadores da TV aberta para outros formatos e assim que os patrocinadores perceberem que as acusações não agregam em nada suas marcas, orientarão suas verbas para outros meios, pois não vão aceitar serem vitimas desse sim verdadeiro estelionato.

Mídias, encantem-se com as compras

Segunda-feira, Agosto 3rd, 2009

Há quem defenda que o ato de comprar satisfaz uma necessidade de todo ser humano, seja ele de que gênero (homem/mulher) ou classe social (rico/pobre). Portanto, na propaganda, o profissional de mídia é uma pessoa realizada, afinal é sua responsabilidade efetuar as compras dos anunciantes junto aos veículos de comunicação.

Por essa lógica os profissionais de mídia são pessoas felizes. Passam a vida pensando na melhor compra e onde seu dinheiro vale mais. Para tanto se cercam de um conjunto de ferramentas que os ajuda a fazer a escolha certa. Nesse processo nem sempre os mídias agradam a todos. Aqueles que não foram brindados com um pedaço da verba sentem-se prejudicados e tendem emitir juízo de valores sobre a capacidade do profissional de mídia.

Além da compra amparada por aspectos técnicos, os mídias são privilegiados porque podem acompanhar a trajetória de suas compras e, em alguns casos, observar as reações das outras pessoas sobre sua decisão.

Tudo isso deveria fazer do mídia um profissional de propaganda feliz. Deveria.

Longe de considerar que os profissionais de mídia são pessoas tristes, mas o fato de passarem a vida comprando não alivia a pressão e a cobrança sobre o melhor investimento. Quanto mais crescem profissionalmente, mais oneram as suas compras e quanto maiores as verbas, menos veículos são contemplados e isso provoca contrariedade, crítica e juízos de valores.

Além disso, há outro fator. A hegemonia da mídia no Brasil (TV Globo e Editora Abril) não faz da aquisição de espaços publicitários uma atividade criativa ou cheia de ousadias e riscos, pelo contrário, um mídia pode passar toda a sua vida profissional comprando sempre a mesma coisa e, pasmem, isso é a regra, não a exceção.

Comprar, nesse caso, se torna um ato repetitivo, sem as emoções típicas dos grandes lances. Um patrocínio do futebol ou da Fórmula 1 é um ato burocrático. O comprador é o mesmo e o vendedor, invariavelmente, também. Não há surpresas.

Os profissionais de mídia percebem a chegada das novas mídias e a mudança do consumidor em relação a elas, mas são incapazes de impor essa realidade em um cenário engessado, vinculado aos números absolutos de audiência que afastam os investimentos de tudo que é diferente. Dessa forma, é difícil ser feliz, mesmo com dinheiro.

As compras precisam encantar, caso contrário tornam-se um ônus. Os futuros profissionais de propaganda, principalmente aqueles dedicados à mídia, mídia necessitam de um dose diária de encantamento, sob pena de tornarem-se profissionais dispensáveis no processo de produção da propaganda.