Estudar é preciso, trabalhar não é preciso
3 de Novembro de 2009 · 289 views
A formação do profissional de propaganda não se dá nas empresas, se dá nas faculdades e em todos os sub-produtos que proporcionam informação.
A ShowEast é um evento americano com pretensões internacionais. Isso significa dizer que os americanos fazem a festa e o mundo é convidado para conhecer a casa nova. Nesse caso, a casa nova, são os lançamentos dos filmes para a próxima temporada, o inverno americano.
Como todo o evento que se preza, a ShowEast é composta por algumas palestras, algumas exibições de filmes em lançamento, muito equipamento e uma incontável possibilidade de promover relacionamentos. Sim, é para isso que esses eventos existem, para promover o relacionamento interpessoal.
Mesmo com toda a tecnologia a nossa disposição tornou-se imperativo que, em alguns momentos, tenhamos um contato face to face. A relação digital ficou tão banalizada nos dias de hoje, que os momentos olho no olho assumiram uma grande importância.
Encontrar-se no lobby do hotel para uma conversa regada a café é o motivo do deslocamento de quilometros até a cidade de Orlando. Desses encontros se espera resultados nos negócios e eu não duvido nada de que isso possa realmente ocorrer tamanha é a vontade de todos para que ocorra.
As grandes coorporações empresariais aproveitam o evento para promoverem suas reuniões anuais com gente de todo o mundo, ou de parte dele. Sempre sinto falta de europeus nesses encontros americanos. Esses encontros servem para troca de práticas de sucesso em diferentes realidades.
Participar de um evento com essas características, para mim, é uma grande experiência. Depois de anos vivenciando esse tipo de situação ainda não me cansei de admirar as inumeras possibilidades de negócios e de ideias que surgem pelo simples fato de, durante não mais do que uma semana, nós sairmos do ambiente de trabalho convencional e explorarmos outros ambientes.
Na minha época de estudante, preocupado com a minha viabilidade, uma forma bonita de dizer ¨como ganhar dinheiro¨, participei pouco desses momentos que na época de faculdade se traduzem nos seminários, palestras, encontros, festivais, fóruns e uma infinidade de nomes que significam a mesma coisa: um monte de gente junta conversando sobre um tema específico.
Depois de quase trinta anos de trabalho em propaganda, uma das dicas que eu ainda acho relevante é de que os futuros profissionais de propaganda aproveitem o período de formação para se formar. Isso mesmo, se formar. E se formar não é servir café em agências de propaganda. Se formar é participar do processo de exposição à informação, retenção da informação e transformação dessa informação em conhecimento e, me parece, que servir café é mais modesto do que isso.
A ânsia pelo estágio a qualquer custo, para fazer qualquer coisa, como forma de formação, nada mais é do uma forma de exploração de mão de obra desqualificada e barata. A ideia de que a formação profissional se dá pela vivência de determinadas situações reais da vida no ambiente de trabalho é uma verdade relativa, que perdura até a página 3.
Incapaz de fazer a sinapse (a transformação da informação em conhecimento, para ser apropriado e aplicado em situações aparentemente diferentes) é resultado de uma exposição massiva a teses e conceitos que não são o dia a dia de um anunciante preocupado com suas vendas, de um veiculo preocupado com seus contratos de patrocínio ou de uma agência de propaganda preocupada com seu faturamento.
É uma mentira, uma lenda a informação de que um publicitário se forma fazendo. Uma maneira de manter longe do conhecimento acadêmico uma vasta quantidade de profissionais que em anos de profissão nãos conseguem ascender profissionalmente, simplesmente porque não tem formação apesar de anos de atividade diária. O fazer tem seu papel reservado no teatro da formação do profissional, mas acreditem é um bom coadjuvante. Acreditem.
A formação do profissional de propaganda não se dá nas empresas, se dá nas faculdades e em todos os sub-produtos que proporcionam informação.
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Terça-feira, 3 Novembro, 2009 às 16:41
Há um tremendo equívoco neste artigo. As faculdades não ensinam nem metade do que acontece em uma situação real. Nem tecnologia, nem mídias novas, e tão pouco as dificuldades da profissão que realmente acontecem.
Oque se ensina lá, pelo visto são os circo de horrores de uma utopia meramente imaginada por algum pseudo publicitário, que nunca teve dificuldades na vida. Muito óbivio que o círculo desta profissão é fechado a estamentos e de network (o se preferir o mais intimamente conhecido Q.I – para os mais alienados: quem indique). Isso mesmo. O cara que e um publicitário pro exemplo da Africa, pula pra Loducca, que pula pra W/, que pula para Neogama, e por aí vai, criando um círculo vicioso sem fim. E quanto aos cliente que acham um absurdo você cobrar pelo fee, já que nunca decidem exatamente o que querem, mesmo quando assinam no briefing? Já viram o aborrecimento que isso dá? Achar que vai aprender na faculdade 100% da profissão é treinar para pular de para-quedas, em um duto de ar. Porém quando chegar no mercado de trabalho (se é que vai chegar), verá que treinou a vida inteira para pular de avião, e na verdade, pula de um precipício…. Na verdade, quem faz a diferença é aquele cara, que todos chamam de “nerd”, ou “looser”, que perde os dias de folga da faculdade estudando e trabalhando, e não aqueles “Wuinners” ou “Pops” que vivem em festas e baladas, mas não aguentam o tranco de uma queda.
Se for para ficar baseado realmente em uma faculdade que ensina a ter egos inflados e babar ovo, nos publicitários consagrados, preferi aprender a profissão por mim mesmo, e só pegando o canudo, pra porvar que sei. Afinal de contas, do que vi, no mercado, não é nem de perto o que as faculdades ensinam.
E pasmem vocês… Podem achar que minha opnião é absurda, cretina e cheia de subversões, mas quem em sua sã consciência, dariam ouvidos a um “looser”?
Quinta-feira, 5 Novembro, 2009 às 20:58
Leandro, não sei qual a faculdade que você cursou e, muito menos, como a cursou. Os equivocos do artigo são os mesmos equivocos do mercado: acreditar em verdades pré-concebidas.
Agências, veículos e anunciantes não tem condições de formar ninguém e duvido que tenham interesse nisso. Esse é o papel reservado às faculdades, o que não significa obrigatoriamente que elas façam bem feito, mas isso é outra discussão.
Quinta-feira, 12 Novembro, 2009 às 8:40
Extremamente válido este seu artigo!
E extremamente lamentável o comentário de Leandro Silveira.
As pessoas tendem a confundir as coisas: é óbvio que estudar é diferente de trabalhar. O que não é diferente é a teoria da prática.
Muitos acham que só vão aprender no mercado, mas o mercado espera de fato é trazer pessoas que acrescentem algo às suas empresas, que venham contribuir com o novo, e não que entrem em empresas para “aprender”.
Em várias oportunidades (conversas, aulas, palestras e em redes sociais) tenho defendido a extrema necessidade de FORMAÇÃO.
Parabéns. Palavras sábias!
Quarta-feira, 9 Dezembro, 2009 às 19:04
A formação academica ensina a pensar. O Mercado a agir.