Contra as retrospectivas e a favor da avaliação

22 de Dezembro de 2009 · 163 views

As retrospectivas ao final de cada ano são momentos extremos de falta de assunto.
Revistas, jornais e TVs promovem um amontoado de notícias, supostamente relevantes para o entendimento do ano e exibem o conteúdo com ares de espetáculo, quando, na realidade, não passam de um prato requentado, sem nenhum caráter jornalístico.

As retrospectivas só tem valor se forem acompanhadas de uma análise crítica dos acontecimentos, com a opinião de especialistas e situadas em um contexto histórico que seja de conhecimento do receptor da mensagem. Caso contrário se transformam naquilo que verdadeiramente são, uma forma de ocupar tempo e espaço em veículos que supõe não ter mais nada para contar à sua audiência.

Esse Bloganda não tem mais assuntos para 2009 a não ser pelo fato estarmos encerrando um ano onde ficou ainda mais notória a incapacidade do mercado publicitário brasileiro em inovar. Não há novidades na TV, no jornal, na revista ou no rádio. Agências e anunciantes contemplam velhas fórmulas e se rendem às mesmices quanto admitem que a cobertura é importante em tempos de vacas gordas e fundamental em tempos de vacas magras. Ou seja, nada muda, porque a “mídia da mãe” é a única maneira de fazer o negócio da propaganda continuar prosperando.

Nos eventos dirigidos aos publicitários estamos de “SACO CHEIO”, isso mesmo, em letras maiúsculas, dos paladinos da modernidade, arautos dos novos tempos que são capazes de divulgar idéias sobre inovação mas incompetentes para, verdadeiramente, aplicá-las.

O modelo de negócio da propaganda brasileira é um modelo velho e arcaico que só interessa aos projetos hegemônicos dos grandes veículos de comunicação. É um modelo incapaz de assumir os novos formatos, as novas mídias, as novas plataformas, pelo simples fato de não saber como se remunerar. Nos últimos anos, negando a tradição de pensar sobre o que falamos, repetimos a ladainha de que o modelo brasileiro é um exemplo para o resto do mundo e que a remuneração sobre a compra de espaços publicitários é o melhor formato que existe.

Mentira, não é. Nas novas plataformas de comunicação não há espaços para serem vendidos, então como se remunerar propondo inovações de comunicação para os anunciante. Fácil, não se propõe nada.

Esse Bloganda continuará em 2010 a propor uma reflexão sobre os efeitos do mercado sobre a formação do profissional de propaganda, continuará defendendo nossa categoria profissional e sua valorização através da qualificação e, por que não, da regulamentação. Continuaremos semanalmente a tratar de temas que direta, ou indiretamente, influenciam a propaganda brasileira. E, principalmente, continuaremos a propor uma constante avaliação das nossas fortalezas e fraquezas, pois essa é a única forma de continuarmos evoluindo e inovando, assim como fazem os anos. Um feliz 2010.

Próxima edição dia 4 de janeiro de 2010.

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