Archive for Janeiro, 2010

Não contém glúten

Segunda-feira, Janeiro 25th, 2010

O que nós publicitários podemos fazer a favor do Haiti, devastado pelo terremoto, e contra o Arruda, o Governador ladrão do Distrito Federal?

Já nos manifestamos nesse Bloganda sobre o fato de que, sendo publicitários, nunca seremos convocados para coisas efetivamente importantes, assim como acontece com os médicos.


Propaganda Faz Diferenca
Criação da Almap BBDO, assinada pela ABAP e ABA.

Isso, sem dúvida, nos torna menos importantes para a humanidade. Por isso, toda vez que presencio situações como as vividas pelo povo haitiano, penso em como poderia ser útil como publicitário, não como cidadão, para ajudar, dentro da minha área de competência e conhecimento.

O mesmo ocorre com relação aos acontecimentos de Brasília e sua ladroagem oficial. O Governador, reincidente por sinal, é filmado recebendo propina e continua a desafiar a lógica se mantendo no cargo e zombando da população do Distrito Federal, exatamente no ano que a capital brasileira comemora a marca dos 50 anos. Mais uma vez, me pergunto, o que posso fazer como publicitário nesse tipo de situação? A propósito, o Arruda está precisando mais de um delegado para acompanhá-lo até a carceragem, do que de um médico, mas mesmo nesse caso é difícil encontrarmos algo para um típico publicitário fazer.

Perdoem a comparação, mas me sinto um glúten. Não tenho a mínima idéia do que seja um glúten ou quais efeitos provocam no corpo humano, mas vocês já perceberam que toda a embalagem de produtos alimentícios que se preza traz, em destaque, a expressão, não contém glúten? Ora, se a grande maioria dos produtos alimentícios não contém o bendito glúten porque a indústria continua divulgando o fato com destaque? É o mesmo que declarar que o produto não contém ácido sulfúrico.

O glúten em destaque nos produtos alimentícios por sua ausência é comparável a nós publicitários. Ambos existem e, quem sabe, sejam recomendáveis em algumas situações, mas sua ausência é mais festejada do que sua presença.

Não acredito que o Haiti precise de glúten ou de publicitários, como também não acredito que possamos combater ladrões como o Arruda pela presença do glúten ou de publicitários. Portanto, eu não sei quanto ao glúten, mas para nós publicitários eu recomendo altas doses de cidadania, civismo, ética, responsabilidade e generosidade.

Que saudades da Bahia

Terça-feira, Janeiro 19th, 2010

Tenho que confessar que sinto mais saudades do Dorival Caymi do que da Bahia, mas como ninguém imortalizou uma canção sobre as saudades do genial compositor brasileiro, fico com sua frase para expressar meu sentimento.

Evito explorar questões pontuais que possam delatar minhas impressões de gaúcho expatriado, mas não resisto a tentação de fazer um comentário sobre a saída das Casas Bahia do mercado gaúcho depois de 5 anos de atividade sob o pretexto de má compreensão dos gaúchos com relação à loja e da loja em relação aos gaúchos.

Ridículo. Mas prospera. A ponto do principal jornal da capital do estado listar os motivos da decisão. Todos, obviamente, ligados a fatores que fazem de nós gaúchos seres incapazes de conviver com os estrangeiros exploradores.

As justificativas começam pela força das redes locais, o foco inadequado da publicidade, uma falta de gauchismo, nome com pouco apelo e por último, mas muito grave, a pouca disposição da rede para entender as peculiaridades do mercado gaúcho e adaptar suas práticas às peculiaridades locais. Uma bobagem sem tamanho.

O insucesso das marcas em determinados mercados está vinculado a diversos fatores e entre eles é importante sua capacidade em compreender os valores regionais. Mas o fato do maior varejista brasileiro, detentor da maior verba de publicidade do Brasil ter aportado em terras gaúchas já é motivo suficiente para que se cogite que o projeto foi cercado dos cuidados necessários para lograr êxito.

A batida em retirada é uma decisão estratégica e não uma batalha regional. As redes locais se é que existem, não competem com a grandeza das Casas Bahia nem comprometem seu despempenho e isso não é desonra, é a realidade. Não há foco inadequado de publicidade que segundo o jornal valoriza preço e condições de pagamento enquanto os gaúchos comparam juros e vantagens de cada modalidade, seja lá o que isso significa.

Prefiro não comentar a falta de gauchismo e o nome com pouco apelo para evitar um confronto explícito com o editor pouco cuidadoso que permitiu que algo do gênero fosse escrito e publicado e reforça tudo que devemos evitar sobre o nosso regionalismo.

Os valores regionais não podem ser confundidos com a mesquinhez do dia a dia. É muito mais do que isso. As músicas do Dorival Caymi são exemplos do cultivo de valores sem interferências menores como a decisão de uma rede de varejo sair do Rio Grande do Sul. Enquanto considerarmos plausível que a falta de gauchismo ou o nome de pouco apelo possam ser motivos para a decisão empresarial seremos motivo de chacota.

Definitivamente precisamos seguir o mestre Dorival Caymi e escutar o que mamãe dizia para pararmos de publicar bobagens.