Archive for Fevereiro, 2010

A ONDA É TIRAR O H DA HONDA

Domingo, Fevereiro 28th, 2010

Motivados pela sandice que tomou conta das marcas que desenvolvem ações de `merchandising´ no programa Big Brother Brasil 10, da TV Globo, esse Bloganda sugere que os consumidores das motos Honda, só as comprem se a empresa aceitar extirpar o H da sua marca.

A proposta é ridícula, mas nos parece a única medida possível diante do que aconteceu na última semana envolvendo a notória marca de motos e uma ação de product placement, o correto nome para o que foi desenvolvido pela Honda, durante o BBB 10.

Ocorre que gerentes de marketing limitados e profissionais de propaganda gananciosos se rendem a loucura congênita do Boninho, uma corruptela diminutiva do nome do diretor da série BBB, o José Bonifácio Brasil de Oliveira, e se rendem às suas maluquices sem medir as conseqüências.

Em uma prova do líder, nome que se dá às competições de quintas-feiras para definir qual participante irá indicar um outro para o juízo popular e uma possível eliminação, os reclusos deveriam encher tonéis acrílicos com álcool e gasolina cenográficos, em uma referencia ao modelo da moto Honda que aceita os dois combustíveis.

De gosto duvidoso a prova foi um fracasso. Primeiro porque era ridícula na essência e segundo porque não orientaram o apresentador da atração, o jornalista Pedro Bial, sobre as regras da competição. O fato é que na sua versão original, ao vivo, os 3 primeiros colocados, além de disputarem a liderança, ganharam 3 modelos da moto Honda.

Algumas horas depois, sabe Deus porque, todos, espectadores e participantes foram comunicados que a prova estava sofrendo uma perícia. Justa, a medida procurava sanar determinadas distorções que podem acontecer em uma atração ao vivo, principalmente em uma emissora que só sabe transmitir futebol em tempo real. Portanto a revisão dos resultados poderia indicar com mais justiça os participantes concorrentes à liderança e nunca, NUNCA, retirar o presente ganho algumas horas antes.

Mas a marca japonesa, seguindo alguma tradição oriental ou motivada somente pelo espírito doentio do diretor do programa, desclassificou dois concorrentes finalistas e, de lambuja, retirou seus presentes. Caso haja necessidade de tradução o que ocorreu foi o seguinte: 10 pessoas trancafiadas em uma casa há aproximadamente 60 dias, são submetidas a uma prova primária para divulgação de um benefício do patrocinador. Os finalistas recebem desse patrocinador um prêmio por seu desempenho. No paralelo o resultado indica o novo líder da atração. Observem que são duas coisas diferentes. A prova da liderança é uma prerrogativa da direção do programa que conduz a atração ao seu gosto e ao suposto gosto da audiência. A marca, envolvida na ação de comunicação, deve se limitar à sua exposição e, em nenhum momento, pode se envolver nas regras, ou falta delas, do programa.

A decisão do diretor Boni em desclassificar dois dos três finalistas, não poderia sugerir que a Honda retirasse o presente já dado e anunciado. Mais uma vez a TV Globo corrompe regras do bom comportamento comercial e submete, com autoritarismo, os anunciantes ao constrangimento. Gostaria de estar presente na próxima reunião de diretoria da Honda e assistir o diretor de marketing de motos explicando para seus pares porque se submeteu às vaidades do diretor do programa, na realidade contratado e pago para fazer o que as marcas querem e não o contrário.

Diversos são os depoimentos, nas últimas semanas, das atitudes autoritárias do Boninho com relação às ações de product placement no programa. Ao invés dos ataques megalomaníacos do rapaz, a emissora deveria tomar cuidado com o desenvolvimento das provas, tão infantis que sugerem que além da mulher, o diretor tem contratado sua filha de menos de dois anos para implementa-las.

Para os profissionais de marketing e propaganda da Honda motivados mais pela vaidade do que pela audiência do programa para investirem milhões de reais, fica o alerta para que não se submetam mais ao suposto conhecimento do Boninho sobre a natureza humana. Retirar o presente dado foi uma grosseria sem precedentes na televisão brasileira e notabilizou a inversão de papéis que a hegemonia da televisão brasileira submete as marcas de notoriedade, reféns de caprichos absurdos.

Na cultura brasileira é difícil aceitar situações como `desconvidar` ou `despresentear` alguém. Isso é tão grosseiro quanto trocar um nome ou, mais pertinente no caso da marca, chama-la de Onda, pelo menos no momento, enquanto não vira Marola.

O CIDADÃO COMUM, O DUNGA E UMA OUTRA HISTÓRIA

Segunda-feira, Fevereiro 22nd, 2010

Na propaganda, o cidadão comum é aquele com um padrão de comportamento típico, capaz de ser identificado e reunido como um grupo de consumidores que as marcas almejam por representarem expressivo volume de vendas para os produtos.

O cidadão comum nunca está sozinho. Ele só existe no coletivo apesar de ser tratado no singular. A grande maioria da comunicação é feita para ele, assim como as questões éticas esbarram no pensamento do cidadão comum. Impossível pensar em propaganda sem levar em conta o cidadão comum.

No Brasil o cidadão comum assume contornos de celebridade e essa distorção provoca riscos para a propaganda. Nosso gosto pelo futebol e nossa paixão pela seleção canarinho são exemplos de nacionalismo. Em tempo de Copa do Mundo vestimos as cores do Brasil e torcemos, verdadeiramente, pelos craques nacionais um dos produtos de exportação mais valorizados em todo o mundo.

Os jogadores brasileiros são heróis, exemplos a serem seguidos, portanto, deixaram a condição de cidadãos comuns para se tornarem símbolos nacionais. Seu comandante supremo, o técnico da mais importante e vitoriosa seleção do mundo deveria também reunir os atributos de um olimpiano.

No entanto, o técnico da seleção brasileira é um “zero à esquerda“, desprovido de carisma e simpatia. Um cidadão comum elevado a categoria de celebridade pela teimosia dos dirigentes do futebol nacional que apostam na mediocridade. O Dunga é uma afronta a inteligência nacional. Um jogador limitado com passagens pífias pelo futebol brasileiro e internacional.

O Dunga era parte integrante de uma seleção nacional campeã do mundo por obra e graça de dois ou três craques, categoria que, sabidamente, ele nunca fez parte. Esse cidadão comum se notabilizou no cenário nacional por movimentar os braços como se tocasse uma cuíca, uma forma rudimentar de transmitir dedicação típica daqueles desprovidos de qualquer talento e, consequentemente, reféns da vontade.

O Dunga não tem a menor condição de ser técnico da seleção brasileira ou de qualquer outro selecionado nacional por mais tacanho que seja o país no esporte bretão. Ele só está nessa condição porque nós brasileiros valorizamos mais a vontade do que o talento, porque somos credos de que as forças divinas irão conspirar a favor dos limitados, porque desde pequenos aprendemos a desprezar o mérito para valorizar a tese rasteira de que somos todos iguais.

Esse amontoado de besteiras dá fruto e, de uma hora para outra, mesmo sabedores de que o Dunga representa o que de pior pode existir no esporte nacional passamos, em coro, a acreditar que ele é a solução e que sua antipatia e aversão às pessoas não é recurso dos incompetentes e sim um comportamento de um típico cidadão comum.

O Dunga está onde está para redimir o cidadão comum, para eleva-lo ao status de relevância, para retira-lo do limbo coletivo e coloca-lo no panteão dos vencedores. Um inútil movimento que de tempos em tempos tenta corromper a ordem natural das coisas na esperança que o cidadão comum galgue posições de destaque na sociedade.

O mais impressionante é que alguns grandes anunciantes brasileiros entorpecidos pela possibilidade de aviltar a natureza apostam no azarão e promovem a mediocridade com ares de sucesso. Há um anúncio da cerveja Brahma com o tal Dunga recitando alguma das suas besteiras sobre garra, vencer ou qualquer outra bobagem do gênero.

Com essa atitude a tradicional marca de cerveja engrossa a fileira dos que querem transformar cidadãos comuns em pessoas diferenciadas uma fórmula falida de divulgação.

Não acredito que sejamos campeões mundiais pela sexta vez nessa edição africana da Copa do Mundo e nos lamentos que ocorrem depois dos nossos fracassos futebolísticos vamos nos lembrar da figura inexpressiva do Dunga e proclamaremos aquilo que todos sabem mas resistem em admitir: o Dunga não poderia nunca ser técnico da seleção brasileira de futebol.

Ainda em 2010 vamos viver outra situação onde a mediocridade vai dar as cartas. Corremos o risco de em outubro vermos guindada ao segundo turno da eleição presidencial o Dunga da política, a Dilma, uma outra figura sem qualquer relevância política, desprovida de carisma e simpatia, uma cidadã comum elevada a condição de pretendente ao cargo máximo da republica por obra da prepotência do presidente em exercício. Mas isso é uma outra história.