Onde está Ágile
1 de Fevereiro de 2010 · 570 views
O carro da Chevrolet foi lançado discretamente e não é visto nas ruas brasileiras, mesmo assim os executivos responsáveis pela estratégia de marketing acreditam no sucesso.
“O comprador do Ágile é diferente (…)“. A afirmação entre aspas foi extraída da revista Proxxima, edição de janeiro-fevereiro de 2010 e é creditada a Gustavo Colossi, diretor de marketing da Chevrolet.
É verdade o comprador do Ágile é muito diferente, ele não existe, não comprou o carro, não tem notícias sobre o lançamento e não está nem aí para as teorias do executivo de marketing que tenta transformar em estratégia o estrondoso fracasso do novo modelo da GM.
Esse é um fenômeno dos tempos de hoje. Com a comunicação voltada para nichos, os fracassos se transformam em pensamentos estratégicos. Tudo estava previsto e, nesse caso, o fato do consumidor brasileiro não ter a menor idéia de que carro é esse, é minimizada por uma suposta estratégia que privilegiou àqueles que precisam conhecer o produto, afinal o carro foi feito para eles.
Esquecem os arautos dos supostos sucessos que há mercados onde o nicho é desculpa de perdedor. A General Motors amargando perdas em sua sede nos Estados Unidos, não pode se dar ao luxo de lançar carros nichados em um de seus principais mercados internacionais, simplesmente porque esses segmentos não sustentam as pretensões de uma marca de automóveis voltada para a comercialização de volumes.
Evasivas como “dificilmente vai ao banco, usa sempre internet. Tem um jeito diferente de levar a vida. Para se comunicar com esse público era preciso fazer algo diferente. A campanha precisava ser dinâmica e sensorial” reputadas ao mesmo profissional, são, no mínimo ridículas. Nada aconteceu com o lançamento, tanto para o consumidor brasileiro “apaixonado por carros“, muito menos para esse povo “diferente“.
O mais surpreendente é que essa mesma montadora foi protagonista de um dos mais festejados lançamentos de carros de nicho da história da indústria no Brasil, o Corsa em 1994.
Ali havia estratégia. Os carros equipados com motorização de 1 litro eram desprovidos de design ou acabamento interno e o Corsa, recém lançado na Europa, trazia para a categoria de carros populares a qualidade que o consumidor brasileiro merecia.
A campanha de lançamento do Corsa foi um exemplo de criatividade e inovação e provocou uma divisão nas águas da percepção da classe média brasileira, grande compradora de carros, sobre os motores menos potentes.
A estratégia criativa contou com a compra de espaço exclusivo durante 24 horas em uma rádio com perfil jovem em São Paulo, além de outras ousadias e o modelo se transformou em um sucesso de vendas até os dias de hoje.
Comparem a história do Corsa com a constatação que “nos primeiros 20 dias da campanha o site contou com 300 visitantes únicos que ficaram nove minutos interagindo com a marca e visitaram, em média, oito páginas do portal” (Proxxima Jan-Fev página 28).
300 visitantes únicos? Nove minutos? Esse Bloganda é capaz de ter desempenho superior.
Em tempos de multiplataformas, o profissional de propaganda e marketing há de se encantar com os resultados e não com as estratégias. O pífio desempenho do Ágile é percebido por sua ausência nas ruas brasileiras e não há “doses extras de tecnologia aplicada no site” (Proxxima Jan-Fev página 28) que revertam esse fato.
Tags: Ágile, apaixonado por carros, carros populares, Chevrolet, Corsa em 1994, criatividade e inovação, diretor de marketing, estratégia, General Motors, GM, Gustavo Colossi, nichos, profissional de propaganda e marketing, Proxxima














Segunda-feira, 1 Fevereiro, 2010 às 14:55
Sou comprador do Agile e não tenho nada do que reclamar, aliás tenho sim, tenho a reclamar de todas essas reportagens “vendidas” que são veiculadas por gente que nem o carro tem para poder falar mal.
O carro está com um preço com itens de série que nem carro de luxo aqui no Brasil tem.
E para a informação do blog, no mês de janeiro, foram vendidas 5664 unidades do carro… Nada mal para um carro que como o blog diz não tem compradores não é mesmo?
Terça-feira, 2 Fevereiro, 2010 às 7:09
Realmente a campanha é fraca, quase não se fala do carro e quando se fala, não convence. Mas o principal problema é o carro, aqui entre amigos e conhecidos, a cada 10 pessoas 8 dizem que o carro é feio.
Terça-feira, 2 Fevereiro, 2010 às 16:36
Márcio,
Realmente não sou proprietário de um Ágile, mas não acredito que isso seja impedimento para a análise da entrevista do Diretor de Marketing da GM sobre o lançamento do modelo, nem coloque o texto na categoria de “reportagens ‘vendidas’”, seja lá o que isso significar.
Também não tivemos a mínima pretensão de fazer um coparativo custo/benefício com outros modelos de carros brasileiros, por isso, agradecemos suas informações sobre os itens de série do Ágile.
Outra questão importante para que nossas opiniões não sejam tratadas como “reportatens ‘vendidas’” é trazer a fonte da informação e um comparativo. Feito isso você irá perceber que isoladamente os 5 mil emplacamentos do Ágile em janeiro (dados sem fonte) parecem importantes, mas no cenário nacional coloca seu querido modelo longe das primeiras posições, ou seja, o fracasso continua.
Terça-feira, 2 Fevereiro, 2010 às 19:43
André,
Sobre os 5 mil emplacamentos, confira no site da Fenabrave, lá tem essa informação.
Dizer que o carro é um fracasso porquê é o décimo mais vendido é um absurdo… Sendo assim, o Civic, o Punto, a S10, a Hillux, são todos carros fracassados vide sua posição no “ranking”.
Você mesmo disse que não é proprietário de um Agile, já se deu ao “trabalho” de fazer o test-drive em um? O carro é tão fracassado que a GM está tendo que aumentar a demanda mensal de 6mil para 8mil carros para atender a lista de espera.
Realmente, se isso é um fracasso eu fico muito feliz de ter um carro fracassado.
Quarta-feira, 3 Fevereiro, 2010 às 9:32
Marcio,
Em nenhum momento do artigo vinculamos o sucesso comercial de um modelo de automóvel ou sua estratégia de lançamento, ao comportamento de seus consumidores. Se você está feliz com seu carro fracassado (suas palavras), isso é ótimo, assim como também seria ótimo você estar feliz se a estratégia de lançamento do Ágile e seus resultados comerciais fossem um sucesso. Esse Bloganda analisa os aspectos técnicos da comunicação das marcas e não as emoções de seus usuários, nem daqueles que ficam felizes com produtos desprovidos de métodos apurados de comunicação.
Quarta-feira, 3 Fevereiro, 2010 às 17:38
Vamos falar a verdade, por favor. O carro não ajuda nem um pouco. É feio e para piorar, aquela cor matou o carro.
Quinta-feira, 4 Fevereiro, 2010 às 9:29
Gosto é gosto…
Tem gente que paga mais de 30k em um carro que é o mais vendido e mesmo assim tem problema de motor e freio…
Realmente, é o famoso “bonitinho mas ordinário”…
Prefiro meu “fracasso de vendas”
Sexta-feira, 19 Fevereiro, 2010 às 11:19
Realmente pessoal, sou publicitária e concordo plemanente. Eu nem sabia que esse carro existia. Hoje, com muito mais liberadade, o departamento de marketing das empresas tem diversas formas para fazer a divulgação, ainda mais no mercado automobilístico, onde todos os dias vemos várias propagandas. Para se destacar é necessário criativadade e saber aonde divulgar e qual o público que será atingido. A propaganda sempre será a “alma do negócio”. Sabemos, também, que mesmo coisas ruins, quando bem divulgadas, vendem!!! Nós, publicitários e deptos de marketing, precisamos começar a olhar de um jeito diferente, inovador, para que o produto se destaque da concorrência.