O CIDADÃO COMUM, O DUNGA E UMA OUTRA HISTÓRIA

22 de Fevereiro de 2010 · 257 views

Na propaganda, o cidadão comum é aquele com um padrão de comportamento típico, capaz de ser identificado e reunido como um grupo de consumidores que as marcas almejam por representarem expressivo volume de vendas para os produtos.

O cidadão comum nunca está sozinho. Ele só existe no coletivo apesar de ser tratado no singular. A grande maioria da comunicação é feita para ele, assim como as questões éticas esbarram no pensamento do cidadão comum. Impossível pensar em propaganda sem levar em conta o cidadão comum.

No Brasil o cidadão comum assume contornos de celebridade e essa distorção provoca riscos para a propaganda. Nosso gosto pelo futebol e nossa paixão pela seleção canarinho são exemplos de nacionalismo. Em tempo de Copa do Mundo vestimos as cores do Brasil e torcemos, verdadeiramente, pelos craques nacionais um dos produtos de exportação mais valorizados em todo o mundo.

Os jogadores brasileiros são heróis, exemplos a serem seguidos, portanto, deixaram a condição de cidadãos comuns para se tornarem símbolos nacionais. Seu comandante supremo, o técnico da mais importante e vitoriosa seleção do mundo deveria também reunir os atributos de um olimpiano.

No entanto, o técnico da seleção brasileira é um “zero à esquerda“, desprovido de carisma e simpatia. Um cidadão comum elevado a categoria de celebridade pela teimosia dos dirigentes do futebol nacional que apostam na mediocridade. O Dunga é uma afronta a inteligência nacional. Um jogador limitado com passagens pífias pelo futebol brasileiro e internacional.

O Dunga era parte integrante de uma seleção nacional campeã do mundo por obra e graça de dois ou três craques, categoria que, sabidamente, ele nunca fez parte. Esse cidadão comum se notabilizou no cenário nacional por movimentar os braços como se tocasse uma cuíca, uma forma rudimentar de transmitir dedicação típica daqueles desprovidos de qualquer talento e, consequentemente, reféns da vontade.

O Dunga não tem a menor condição de ser técnico da seleção brasileira ou de qualquer outro selecionado nacional por mais tacanho que seja o país no esporte bretão. Ele só está nessa condição porque nós brasileiros valorizamos mais a vontade do que o talento, porque somos credos de que as forças divinas irão conspirar a favor dos limitados, porque desde pequenos aprendemos a desprezar o mérito para valorizar a tese rasteira de que somos todos iguais.

Esse amontoado de besteiras dá fruto e, de uma hora para outra, mesmo sabedores de que o Dunga representa o que de pior pode existir no esporte nacional passamos, em coro, a acreditar que ele é a solução e que sua antipatia e aversão às pessoas não é recurso dos incompetentes e sim um comportamento de um típico cidadão comum.

O Dunga está onde está para redimir o cidadão comum, para eleva-lo ao status de relevância, para retira-lo do limbo coletivo e coloca-lo no panteão dos vencedores. Um inútil movimento que de tempos em tempos tenta corromper a ordem natural das coisas na esperança que o cidadão comum galgue posições de destaque na sociedade.

O mais impressionante é que alguns grandes anunciantes brasileiros entorpecidos pela possibilidade de aviltar a natureza apostam no azarão e promovem a mediocridade com ares de sucesso. Há um anúncio da cerveja Brahma com o tal Dunga recitando alguma das suas besteiras sobre garra, vencer ou qualquer outra bobagem do gênero.

Com essa atitude a tradicional marca de cerveja engrossa a fileira dos que querem transformar cidadãos comuns em pessoas diferenciadas uma fórmula falida de divulgação.

Não acredito que sejamos campeões mundiais pela sexta vez nessa edição africana da Copa do Mundo e nos lamentos que ocorrem depois dos nossos fracassos futebolísticos vamos nos lembrar da figura inexpressiva do Dunga e proclamaremos aquilo que todos sabem mas resistem em admitir: o Dunga não poderia nunca ser técnico da seleção brasileira de futebol.

Ainda em 2010 vamos viver outra situação onde a mediocridade vai dar as cartas. Corremos o risco de em outubro vermos guindada ao segundo turno da eleição presidencial o Dunga da política, a Dilma, uma outra figura sem qualquer relevância política, desprovida de carisma e simpatia, uma cidadã comum elevada a condição de pretendente ao cargo máximo da republica por obra da prepotência do presidente em exercício. Mas isso é uma outra história.

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