AS FUSÕES, JUNÇÕES E OUTROS SENÕES.
Domingo, Maio 2nd, 2010A semana foi marcada pela união de duas importantes operações de agências de propaganda no Brasil. A W do genial Washington Olivetto e a McCann de algum genial, mas como não conhecemos, não podemos nominar.
Já abordamos nesse Bloganda o fato desses movimentos entre agências de propaganda serem comuns e naturais. Fusões, junções ou qualquer outro tipo de “pode vir quente que eu estou fervendo“ fazem parte da vida corporativa das empresas de comunicação.
Há tempos a W, um dos principais ícones da propaganda nacional, estava merecendo uma saculejada, algo que mudasse o curso de uma história que foi de muito sucesso mas que se encaminhava para o ocaso. A McCann também procurava sua identidade desde a saída da talentosa Adriana Cury, portanto a fome com a vontade de comer irá contribuir para o sucesso da operação.
O importante para os futuros profissionais de propaganda é entender que esses movimentos só são vitoriosos porque são precedidos de muita negociação e principalmente, do aval dos anunciantes. É ingenuidade considerar que os anunciantes de ambas as agências não foram consultados e mais do que isso, empenharam seu compromisso de continuar investindo fortemente através da nova agência que nasce.
Nesse caso, foi fundamental a participação da Nestlé que mantém conta publicitária em ambas agências e foi a grande avalista da união. O mesmo ocorreu quando a Lintas, hoje Borghierh Lowe, se fundiu com a MPM, hoje Lodduca MPM. Na época a Philips mantinha produtos nas duas agências e não fosse seu compromisso de continuar investindo em mídia através da MPM Lintas, a operação teria sido um fracasso.
As afinidades que justificam uma fusão são importantes, mas não fundamentais. O importante é saber se quem paga a conta para uma agência está disposto a pagar para duas. Isso é o lado menos romântico, mas real. Há outro aspecto objetivo nas fusões que são as demissões de publicitários. É ingenuidade pensar que as agências irão continuar com as mesmas estruturas operacionais de quando estavam separadas. Publicitários serão demitidos em nome da eficiência operacional. Assim é a vida.
Torço para que a fusão ofereça uma sobrevida digna à W e recupere o espírito criativo da McCann. Torço para que a Nestlé se empolgue com o momento e volte a investir em propaganda e não em ingressos de jogos de futebol ou no aniversário de carreira do Roberto Carlos. Enfim torço para a volta da ordem natural das coisas e não nas invencionices dos magos da comunicação hábeis nas rupturas e incompetentes na construção.












