Archive for Junho, 2010

O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO NOS SEMÁFOROS DE SÃO PAULO

Terça-feira, Junho 29th, 2010

É irresistível comentar um fenômeno que acontece em São Paulo e, com certeza, em outras grande cidades brasileiras: a qualidade das apresentações nos semáforos.

Isso mesmo. O espetáculo do crescimento finalmente chegou às esquinas de São Paulo e fez com que os enfadonhos malabaristas de limão fossem substituídos por apresentações que, ouso afirmar, são de profissionais.

É um alívio não ter mais de conviver com os tacanhos aprendizes e passar a presenciar verdadeiros profissionais que estimulam a recompensa pelo belo espetáculo e não pelas visíveis condições financeiras, ou a falta delas.

O fato é que a cada esquina há uma proposta diferente. Nesse final de semana, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, um homem com o uniforme da Seleção Brasileira de futebol fazia acrobacias com uma bola. Um exemplo de pertinência a um mês do início da Copa do Mundo da África do Sul. Na Av. Heitor Penteado, perto da Estação Vila Madalena do Metrô, um malabarista manejava uma esfera, aparentemente de cristal, de tal forma que em um dos trechos do show se tem a nítida impressão que o objeto flutua no ar. Na tradicional esquina entre as avenidas Brasil e Rebouças, artistas manejam com tal desenvoltura as tochas incandescentes que os motoristas esquecem do desproporcional tempo que ficam parados se estiverem na Avenida Brasil.

Tudo isso vem selar o bom momento do Brasil, pelo menos no aspecto de qualidade das situações cotidianas a que somos submetidos. Ninguém admite ser o farol o ambiente ideal para a demonstração pública de dotes artísticos, mas se isso é um fato de difícil solução para as administrações públicas que não conseguem garantir colocações profissionais para os cidadãos, que o recurso seja aprazível aos olhos da comunidade.

As manifestações a que fui submetido no meu final de semana paulistano não foram de crianças carentes exploradas por adultos bandidos. Foram de adultos talentosos explorando seus dotes. Aí está a diferença. O espaço público representado pelas ruas e avenidas pode ser palco de apresentações esporádicas. Isso faz parte do cenário urbano e é saudável. O que é insuportável são as crianças atirando limões desordenadamente para cima simulando uma arte que não existe e estimulando um tipo de filantropia que não cabe mais no modelo de sociedade que almejamos para o Brasil.

A VERDADE SOBRE A COPA EM 3D NOS CINEMAS

Quinta-feira, Junho 3rd, 2010

O prazo de entrega de um projetor digital 3D é de janeiro de 2011. Ou seja, qualquer dono de cinema do mundo que queira incrementar o seu parque de exibição com a instalação de projetores capazes de reproduzir imagens em terceira dimensão, independente do seu tamanho e dinheiro, terá de esperar até o próximo ano para alcançar seu pleito.

Isso é conseqüência do volume de pedidos que a indústria do cinema fez à indústria de tecnologia e a falta de capacidade de ambas se estruturarem para atender a demanda do público.

Desde 1895, quando da primeira projeção pública patrocinada pelos irmãos Lumière, o cinema mudou muito pouco seu modelo de operação. Nos últimos 100 anos sua plataforma foi a mesma, com exceção do som e da cor, duas revoluções para suas épocas, rapidamente incorporadas ao sistema operacional da produção, distribuição e exibição.

A terceira dimensão é uma experiência original da década de 50 mas só se incorporou à indústria do cinema 60 anos depois e se não pegou todos de surpresa, pegou todos despreparados, o que, cá entre nós, é pior do que o susto.

Como ocorre em momentos de euforia tecnológica há uma esquizofrenia coletiva em relação ao 3D e com a proximidade da Copa do Mundo da África e a divulgação de que alguns jogos serão captados com o recurso da terceira dimensão, os olhares se voltaram para o evento esportivo e sua transmissão em salas de cinema do Brasil.

A verdade é que alguns jogos terão efetivamente suas imagens captadas com as câmeras especiais criadas para proporcionarem a ilusão do 3D. Também é verdade que essas imagens serão editadas e se transformarão em um filme da Copa que, possivelmente, será lançado nas telas de cinema. O que ninguém sabe é sobre a possibilidade da transmissão ao vivo de jogos em 3D em cinemas.

O primeiro obstáculo é a própria FIFA, proprietária do evento e única detentora do direito de liberar as imagens para transmissões ao vivo. O segundo obstáculo é a capacidade física das imagens chegarem ao seu destino, o que nós chamamos de banda, e que no caso brasileiro é um forte limitador. Também é importante considerar que no Brasil os direitos de transmissão são da TV Globo e não se conhece o interesse da emissora em projetar ou não os jogos em 3D no cinema.

Mesmo assim, diariamente lemos notas nos jornais especializados ou não, sobre o fato dos cinemas transmitirem, em terceira dimensão, os jogos da Copa. Pois nada disso é ainda verdade e só serve para criar expectativas no mercado de agências e anunciantes que cultivam a inovação mas sobrevivem com modelos arcaicos do tipo “mídia da mãe“.

Quisessem mesmo inovar não precisariam esperar a Copa do Mundo e sua eventual transmissão em salas de cinema. Basta produzir anúncios 3D e veicular nos lançamentos mensais que ocorrem nas mais de 100 salas brasileiras capacitadas com a tecnologia.