O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO NOS SEMÁFOROS DE SÃO PAULO
29 de Junho de 2010 · 562 views
É irresistível comentar um fenômeno que acontece em São Paulo e, com certeza, em outras grande cidades brasileiras: a qualidade das apresentações nos semáforos.
Isso mesmo. O espetáculo do crescimento finalmente chegou às esquinas de São Paulo e fez com que os enfadonhos malabaristas de limão fossem substituídos por apresentações que, ouso afirmar, são de profissionais.
É um alívio não ter mais de conviver com os tacanhos aprendizes e passar a presenciar verdadeiros profissionais que estimulam a recompensa pelo belo espetáculo e não pelas visíveis condições financeiras, ou a falta delas.
O fato é que a cada esquina há uma proposta diferente. Nesse final de semana, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, um homem com o uniforme da Seleção Brasileira de futebol fazia acrobacias com uma bola. Um exemplo de pertinência a um mês do início da Copa do Mundo da África do Sul. Na Av. Heitor Penteado, perto da Estação Vila Madalena do Metrô, um malabarista manejava uma esfera, aparentemente de cristal, de tal forma que em um dos trechos do show se tem a nítida impressão que o objeto flutua no ar. Na tradicional esquina entre as avenidas Brasil e Rebouças, artistas manejam com tal desenvoltura as tochas incandescentes que os motoristas esquecem do desproporcional tempo que ficam parados se estiverem na Avenida Brasil.
Tudo isso vem selar o bom momento do Brasil, pelo menos no aspecto de qualidade das situações cotidianas a que somos submetidos. Ninguém admite ser o farol o ambiente ideal para a demonstração pública de dotes artísticos, mas se isso é um fato de difícil solução para as administrações públicas que não conseguem garantir colocações profissionais para os cidadãos, que o recurso seja aprazível aos olhos da comunidade.
As manifestações a que fui submetido no meu final de semana paulistano não foram de crianças carentes exploradas por adultos bandidos. Foram de adultos talentosos explorando seus dotes. Aí está a diferença. O espaço público representado pelas ruas e avenidas pode ser palco de apresentações esporádicas. Isso faz parte do cenário urbano e é saudável. O que é insuportável são as crianças atirando limões desordenadamente para cima simulando uma arte que não existe e estimulando um tipo de filantropia que não cabe mais no modelo de sociedade que almejamos para o Brasil.












