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O VERDADEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO

Segunda-feira, Dezembro 12th, 2011

“Nenhuma pessoa física ou jurídica que, direta ou indiretamente, seja detentora de parcela do capital com direito a voto ou, de qualquer forma, participe da administração de qualquer entidade de prática desportiva poderá ter participação simultânea no capital social ou na gestão de outra entidade de prática desportiva disputante da mesma competição profissional”, artigo 27 da Lei Pelé que institui as normas gerais sobre o esporte no Brasil.

No atropelo da lei, os times do Cruzeiro e do Atlético Mineiro, rivais históricos da cidade de Belo Horizonte, entraram em campo no domingo, 4 de dezembro, na situação em que um, o Galo Mineiro, poderia, ao vencer, mandar a Raposa, para a segunda divisão. Verdadeiro sonho de todo torcedor alvinegro.

Bons tempos em que a Raposa de Minas era o apelido de time. Hoje a verdadeira raposa mineira do futebol brasileiro é o banco BMG. Quem conhece uma agência?

Preocupado com o destino do futebol nacional a instituição financeira (Encontraram uma agência?) empresta dinheiro aos insolventes clubes e, como pagamento ou garantia, recebe cotas patrimoniais de jogadores e assina sua marca (SIC) nas camisetas. Tudo articulado por um competente departamento de marketing que posiciona o banco BMG para que, quando os brasileiros andarem pelas ruas e se depararem com uma fachada estampada com a marca, a identifiquem como parceira da paixão nacional. Cadê a fachada? Aceito fotos.

No mínimo 12 equipes brasileiras mantém negócios com o banco que, dessa forma tem o direito de assinar as camisetas dos clubes, uma espécie de “manto sagrado”, com direito a aparições televisivas sem as tradicionais restrições ao merchandising. Deve ser por que todos reconhecem ser o BMG o verdadeiro banco do povo brasileiro. Uma agência pelo amor de Deus!

Ao ser sócio de jogadores (estima-se 50 deles) através do fundo Soccer BR1 e credor dos clubes, o BMG “participa da gestão” de mais de uma equipe e, portanto, está enquadrado nas limitações da Lei Pelé. Algo, aparentemente, irrelevante diante do histórico de serviços prestados ao Brasil pela instituição financeira.

 Para quem desconhece ou ainda duvida dos serviços do BMG para o esporte nacional vale descrever o que aconteceu no jogo entre os rivais Cruzeiro e Atlético Mineiro. Necessitado da vitória para permanecer Série A do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro não só venceu como aplicou uma goleada inédita no rival, 6 X 1, e dessa forma salvou os investimentos do banco, seu patrocinador. Por seu lado o Atlético Mineiro ao se render aos encantos do futebol arte do rival prestes a ser rebaixado, também salvou os investimentos do banco, também seu patrocinador. Ou seja, contrariando Otto Lara, mineiro não é solidário só no câncer.

Alguns, mais afoitos, afirmam que a operação se deu pela transferência de recursos de patrocínio do Cruzeiro para o Atlético em 2012. Um ajuste de contas desprovido de qualquer moral ou ética, feito nas barbas das duas torcidas que, rigorosamente, não significam nada para os que patrocinam o futebol brasileiro. Então, por que patrocinam?

Diante disso tudo é conveniente dobrar a atenção no vinculo das marcas aos clubes, arenas ou transmissões futebolísticas sob pena de verem seus nomes apoiarem safadezas. Sem recursos a tendência é pela moralização. Enquanto isso não acontece vamos continuar procurando uma agência do banco BMG.

Cuidado com o merchan

Terça-feira, Novembro 29th, 2011

Ao ser retirado do porta-malas do carro, o traficante carioca protagonizou uma cena inusitada para a qual as grandes marcas não se preparam: a inclusão involuntária no cenário do crime, sem o menor poder de controle da situação.

O meliante, de tamanho avantajado, estava deitado no porta-malas do carro e, tirante o espanto diante da instantânea notoriedade, aparentemente, poderia permanecer ali por horas, quem sabe dias, tal o conforto que a marca japonesa de carros oferece aos seus ocupantes, malas de todos os tipos.

Dias desses, disposto a oferecer um merecido descanso aos neurônios me postei diante da televisão para ser bombardeado com o festival de histórias mal contadas e mal interpretadas em que se transformou a teledramaturgia brasileira, curiosamente, a queridinha dos anunciantes nacionais.

Gozando do merecido vácuo intelectual da programação recheada de ações de merchandising, cabal demonstração da liberdade artística e editorial da emissora (SIC), me deparei com um personagem, estudante de medicina, encantado por um modelo de carro.

O personagem conversava animadamente com um, mais animado, vendedor da loja, um tipo que não existe e que, caso a fabricante automotiva queira recuperar, basta com parte do investimento em mídia, oferecer adequado treinamento para sua brigada de vendas da vida real.

Na seqüência, o futuro médico aparece convencendo a mãe a lhe assinar um cheque em branco para a suposta compra de livros de medicina que, com interpretação sofrível, os protagonistas admitem serem muito caros.

Corta. Cena da concessionária e, novamente, o simpático vendedor aparece entregando as chaves do “carrão” para o personagem canalha que usou o cheque dos livros para adquirir o veículo automotivo, sem se abalar em enganar a mãe e cometer o deslize ético para conquistar, a todo custo, o almejado sonho de consumo.

Tudo absolutamente normal na ficção, não fosse o fato que a sequência de cenas envolvendo a loja do carro é uma ação de merchandising que deve ter custado verdadeira fábula à fabricante coreana que se sujeita a pagar caro para ter o seu nome vinculado ao cafajeste da trama televisiva.

Diferente do retratado no começo desse artigo, nesse caso a inserção da marca não foi obra do acaso, foi supostamente planejada e contou com a anuência dos responsáveis pelo marketing (?) do fabricante o que, no mínimo, sugere uma avaliação de valores e um alerta: cuidado com o merchan.