O VOO CEGO DA MÍDIA TELEVISÃO

11 de Julho de 2011 · Sem Comentários · 379 views

É surpreendente a fragilidade dos números de audiência da televisão brasileira, critério pelo qual os anunciantes baseiam seus investimentos publicitários.

Se algumas semanas atrás afirmamos que os anunciantes de televisão não assistem ao meio e só por isso lhe destinam 64% das suas verbas, agora é possível afirmar que, além de não assistirem, os números que orientam suas escolhas padecem de assertividade. Ou seja, veicular em televisão no Brasil é um voo cego que só se mantém por conta do modelo da propaganda nacional.

As chuvas e o frio dos últimos dias em São Paulo faziam a festa das emissoras de televisão que costumam apostar no encarceramento doméstico da população para manterem suas audiências em alta. O fato é que os controladores da mídia brasileira não contavam com as quedas de energia e esse acontecimento, fora do roteiro, fez com que as aferições de audiência sofressem um revés.

A situação é tão precária que a quebra de 100 aparelhinhos que aferem as audiências de 100 famílias paulistanas gerou um atraso de 6 horas na divulgação dos números da sexta-feira, dia 10 de junho. Isso sem considerar a possibilidade dos números não corresponderem à verdade.

Faz tempo que não promovemos um debate com o mercado publicitário brasileiro sobre a necessidade de uma severa revisão nos critérios de aferição de audiências e na metodologia desse processo. Todos admitimos as mudanças no cenário social nacional, portanto parece lógico (não sei se conveniente) admitir que os critérios de medição estão desatualizados e não refletem a realidade nacional.

Para ficar em dois exemplos sugiro a revisão da metodologia em Belém, a capital do Pará e em Brasília, a capital do país. Caso essas duas praças sugeridas por esse Ponto de Vista apresentem mudanças nos resultados de audiência e isso provoque alteração no que se admite hoje como verdade absoluta, quem sabe o mercado não se anime e promova definitivamente uma grande mudança nos critérios de aferição de audiências de televisão. Em tempo. Esse seria um relevante tema para os organizadores do próximo Congresso Brasileiro de Comunicação. Pensem nisso.

Afinal nesse país tudo muda, menos os números hegemônicos da TV, o peculiar rateio das audiências entre as emissoras e a desproporcional participação da televisão nas verbas publicitárias.



A PREFERIDA DO ABILIO

4 de Julho de 2011 · Sem Comentários · 404 views

Não há confirmação da família Diniz, mas tudo indica que essa fábula infantil era a preferida do pequeno Abilio quando criança.

“A chuva era considerável. Forte o suficiente para apavorar o escorpião ilhado sobre uma folha de médio porte fadada a afundar. Próximo dele havia um sapo de ar plácido, absolutamente encantado com o espetáculo da natureza.

O escorpião assustado, na medida de um escorpião, chama o sapo insistentemente. Na verdade está ali uma carona providencial até a margem do pequeno rio para evitar, na sua perspectiva, um mal maior. A sua morte.

O sapo se faz de surdo como todo o sapo, mas o escorpião é insistente, afinal seu tempo está para acabar e a chuva está para aumentar. Tanto esforço pela atenção do sapo dá resultado e, sem perda de tempo, o escorpião pede a cobiçada carona.

O sapo descarta a possibilidade afirmando nunca ter ouvido caso similar, um sapo ajudar um escorpião, mas a luta pela sobrevivência produz estranhas reações e o peçonhento jura gratidão eterna pelo ato de suprema bondade do réptil.

Depois de uma emocionada negociação o sapo se rende aos argumentos do escorpião e aceita ajudá-lo a alcançar a margem e a tão sonhada sobrevivência. E lá se vão os dois recentes companheiros.  O resgatado e o salvador.

Já bem próximo da margem, o suficiente para que o escorpião não corresse mais nenhum risco, aconteceu o inevitável, a mordida fatal que levaria, em segundos, o sapo à morte.

Entre assustado e resignado com seu destino, o sapo pergunta para o escorpião o porque de tanta maldade para quem o havia salvo a vida. Entre assustado e resignado, o escorpião responde: `é a minha natureza`.”