PUBLICITÁRIOS, ASSIM COMO SARNEY…

28 de Junho de 2011 · Sem Comentários · 208 views

…acreditam em acidentes. Por isso não podemos condenar o imortal Presidente do Senado por considerar o impeachment do Presidente Collor um evento esporádico que não merece registro em fotos nas dependências de nossa Câmara Alta.

Nós publicitários insistimos que o mensalão foi um acidente. Algo que não tem nenhuma correlação com a forma que fazemos negócios, tão pouco com o modelo brasileiro de propaganda que favorece a concentração de investimentos em projetos hegemônicos.

Nós publicitários insistimos que o Sr. Marcos Valério é (ou era) mais careca que profissional de propaganda. Fingimos que não o conhecemos e execramos sua figura do nosso convívio. Esquecemos que, semanas antes das denúncias, fazíamos reverência à capacidade negocial de suas duas agências, detentoras de polpudas fatias de verbas públicas e privadas.

Nós publicitários ao invés de aproveitarmos o mensalão e rever nossas condições de trabalho, nossos métodos de formação profissional ou o modelo de remuneração de nossas empresas, nos escondemos atrás de medidas paliativas de eficiência duvidosa.

Pessoalmente eu concordo com o Sarney. O impeachment foi um acidente que começou na eleição democrática do Presidente Fernando Collor, sabidamente um desqualificado que, à época, foi considerado o mal menor do que seu oponente.

O acidente do mensalão não é um caso isolado como tentam fazer crer algumas lideranças do mercado publicitário. Muito menos é assunto superado por decreto e distante do dia-a-dia dos que militam na propaganda. Nosso modelo de negócio favorece a concentração de investimentos e beneficia os projetos hegemônicos da mídia. Esse comportamento viciado encontra respaldo entre os anunciantes públicos e privados que insistem em “virar a cara” para um consumidor cada vez mais disperso entre as infinitas opções de informação e entretenimento.

O Sarney recuou, atendendo suas frágeis convicções sobre qualquer assunto. Nós, publicitários, precisamos avançar, atendendo o senso de responsabilidade que já demonstramos em outras situações e romper os paradigmas a favor de um modelo mais democrático e moderno.



OS ANUNCIANTES NÃO ASSISTEM TELEVISÃO

13 de Junho de 2011 · Sem Comentários · 258 views

Haverá um tempo em que saberemos o segredo do sucesso da televisão brasileira com os anunciantes nacionais. Um fenomeno de relacionamento inabalável, mesmo diante da  queda de audiência do meio. Acreditem, anunciantes não assistem televisão.

Só pode ser essa a chave do enigma que provoca o investimento de 64% da verba publicitária em um meio que, notadamente, apresenta desinteresse por parte do telespectador.

Como não assiste aos programas que apoia com mais da metade da verba, o grande anunciante brasileiro acredita no que lhe contam as agências de propaganda e desta forma se sente seguro em promover um investimento acima de qualquer suspeita mas abaixo da crítica em termos de qualidade da programação ou afinidade com o público.

Pois essa coluna irá contar para os anunciantes aquilo que eles se negam (espertos) a assistir.

No início de cada Santo dia temos as maratonas dos matinais. Os regionais são uma agressão explícita a inteligência humana. Uma sucessão de acidentes automobilísticos ocorridos ao amanhecer do dia. Essa é a pauta diária. Na versão nacional o desprezo para com a informação assume ares de um continente a ponto de um dia desses sermos todos brindados pelo estimulante tema “segurança dos motociclistas”, com direito de entradas ao vivo e até a demonstração de um air bag para os que andam sobre duas todas. Tudo isso lá pelas 8 horas da manhã.

O resto do período matinal é povoado por um tipo de programa transgênico, sem personalidade que mistura receitas culinárias com dicas de saúde. Esses são seguidos por jornalísticos (esporte e atualidade) que padecem de pautas bem elaboradas e apresentadores convincentes. Na longa tarde se acumulam reprises. Quando não de filmes, de qualquer outra coisa que, com certeza, já foi assistida pelos brasileiros.

A teledramaturgia de toda noite, entremeada pelos jornalísticos, é um convite, cada vez mais aceito, ao  desligamento dos aparelhos de televisão.

Os programas na faixa noturna, depois do martírio da última telenovela, são inovadores nas resenhas e mofados na produção. Antigas idéias com jovens atores e velhos atores sem idéia alguma.

Portanto, não é de se estranhar a migração da audiência da televisão  para outras plataformas, inclusive por aqueles que decidem os investimentos de suas empresas em publicidade. É somente dessa forma que se compreende o fato dos índices cairem e os recursos não. Se assistissem no que investem, os anunciantes iriam perceber o que o consumidor já descobriu: a qualidade da programação da TV aberta no Brasil não justifica sua participação da divisão das verbas publicitárias.