Os profissionais de mídia desaparecem em estruturas cada vez mais voltadas ao planejamento e criação.
Na esteira das discussões sobre o modelo de negócio da propaganda brasileira, o Conselho Executivo das Normas Padrão (CENP) criou um grupo de profissionais com o objetivo de concluir o que já está determinado: o modelo adotado com exclusividade pelo Brasil e completamente diferente de tudo que existe no mundo afora é a melhor forma de conduzir os negócios da propaganda nacional.
Estamos cansados de abordar o tema nesse Bloganda. Não há mais razão para manter esse formato de remuneração e essa estrutura que acumula, por força de lei, as atividades de criação e mídia, sob a mesma estrutura empresarial. Observem que é tão escandalosa essa situação de imposição, que além de não permitir a discussão, o que por si só já é demonstração de autoritarismo, exclui as outras atividades que se inserem no contexto da propaganda, como por exemplo, o planejamento.
EXCLUÍDA
Em resumo, tudo pode na propaganda, menos permitir que agências exclusivamente dedicadas à compra de espaços publicitários atuem no mercado brasileiro. Pode agência dedicada ao planejamento, pode agência dedicada exclusivamente à criação, mas agências de mídias NÃO PODEM!
Por que será? “É o modelo mais adequado ao tamanho e características do mercado nacional”, justificam os apoiadores da idéia.
A nós parece o modelo mais adequado à preservação do estado de coisas na propaganda brasileira. Um estado hegemônico que não contempla a distribuição de verbas pela distribuição de audiências, um modelo de um único veículo soberano, enquanto paga as contas das agências inchadas por estruturas de mídia, cada vez mais desprestigiadas, principalmente pelos anunciantes.
Os profissionais de mídia desaparecem em estruturas cada vez mais voltadas ao planejamento e criação de soluções de comunicação para os anunciantes. Os profissionais de mídia, nesse cenário, se tornaram obsoletos, cercados por instrumental e ferramentas que são comuns a qualquer estrutura, independente de seu tamanho.
O departamento de mídia que representou nas últimas quatro décadas uma fortaleza de competência na proposição de novos formatos para os investimentos dos anunciantes tende a se tornar um departamento burocrático, emissor de autorizações, “juniorizado”. Incapaz de se adequar aos novos tempos e às próximas mídias; fadado ao papel de coadjuvante no cenário mais complexo do que o proposto pelos cardeais da propaganda nacional.
Os futuros profissionais de propaganda oriundos das faculdades de publicidade devem considerar o trabalho do mídia como um dos mais relevantes dentre as áreas de competência de uma agência de propaganda. As escolas precisam estimular o debate sobre o modelo de negócio brasileiro a fim de retomar a valorização do profissional de mídia.