GRATUIDADE ONEROSA

31 de Maio de 2011 · Sem Comentários · 343 views

Há duas semanas foi comemorado o aniversário de 25 anos da Fundação SOS Mata Atlântica e na ocasião o publicitário Fabio Fernandes, responsável pela campanha Faça Xixi no Banho, foi homenageado. Junto com ele outros apoiadores do trabalho da entidade foram lembrados e a nova campanha publicitária foi apresentada. O filme é uma iniciativa da produtora Pindorama e a trilha é do compositor, sambista, boa gente, Arlindo Cruz.

Agora começa uma maratona enfrentada por todas as Ongs para conseguir espaços publicitários e veícular filmes, spots e anúncios impressos de graça. Cada uma possuí uma estratégia para pedir a generosidade dos veículos.

Existem as Ongs que super valorizam seu papel na salvação da humanidade e colocam o veículo em situação de xeque, como se uma negativa significasse o comprometimento de negócios no futuro.

Há aquelas que não questionam a disponibilidade, vontade ou afinidade do veículo com a causa e se limitam a enviar o material e junto a carta de agradecimento pelo espaço cedido.

Ainda existem em grande número, principalmente nos movimentos sociais, as instituições que procuram cooptar os veículos para as suas causas e detalham, no ato do pedido, o mar de dificuldades enfrentado por aqueles que, como eles, tentam, sozinhos, fazer um mundo melhor.

O profissional de propaganda, não raramente, se vê envolvido em causas alheias e a forma com que o assunto é tratado pelo mercado publicitário é amadora.

Na situação de agência há interesses pouco nobres com as contas filantrópicas encaradas como possibilidade de exercício criativo para a conquista de prêmios ou forma de agradar determinados clientes. Para os  veículos são claros os interesses em atender o pedido da agência para cobrar a fatura lá na frente, através de outras campanhas.

Mas é no anunciante onde se encontram as maiores contradições. Foi-se o tempo em que organizações não governamentais eram acometidas pela pequenez administrativa, incapazes de articular recursos e desenvolver projetos. Vivam de ideais difusos sem planejamento ou perspectivas de futuro. Hoje essas entidades são organismos bem administrados, com recursos e métodos de avaliação de resultados, capazes de captar corações, mentes e bolsos em prol de idéias bem estruturadas.

Se a comunicação é elemento fundamental na vida de uma Ong esse assunto também precisa ser profissionalizado. Não se pode admitir que a propaganda seja tema de segunda categoria na elaboração de políticas de relacionamento das entidades filantrópicas com a sociedade.

Enquanto as Ongs e suas agências pedirem espaço e os veículos distribuírem o restolho das suas vendas, nenhuma das partes estará exercendo seu papel social e, apesar das aparências, ninguém estará fazendo o bem, pelo contrário. A gratuidade nesse caso é onerosa e colabora com a desarticulação política e com os péssimos resultados das campanhas sociais no Brasil.



DEMITIDOS DO TWITER

26 de Maio de 2011 · Sem Comentários · 299 views

Consta que dois jornalistas da Folha de São Paulo foram demitidos da redação por terem feito críticas à cobertura do jornal quando da morte do Vice-Presidente José Alencar, através de seus respectivos twiters.

Não consigo perceber o que poderia ter gerado a crítica dos jornalistas, visto que coberturas de enterros não se caracterizam por motivar grandes arroubos jornalísticos, quanto muito a trajetória de vida do agora falecido, seus feitos e realizações e algumas aspas de repercussão.

Lamento o motivo e não as demissões, afinal adoraria ler que o prestigiado jornal desligou seus profissionais por escreverem besteiras, mesmo que com essa decisão arriscasse ficar com sua redação vazia, tamanho o número de asneiras produzidas diariamente pelos periódicos brasileiros.

Mas restou aos dois jornalistas a porta da rua pela crítica pública que fizeram ao seu empregador e, cá entre nós, o motivo é pouco nobre, mas absolutamente justo. E mais. Demonstra o despreparo desse circo de focas em que se transformaram as redações dos meia dúzias de grandes jornais nacionais.

Para os não iniciados, foca é o nome que se dá aos jornalistas em início de carreira. Não sei o porque, mas arriscaria afirmar que deve ser por causa da felicidade do animal motivada por uma singela sardinha ou bolinhas coloridas.

Sardinhas e bolinhas são prêmios merecidos para os que povoam o jornalismo tupiniquim, incapaz de produzir uma opinião embasada ou uma profunda apuração dos fatos. Não raramente vemos pautas transformadas em manchetes, manchetes travestidas de denúncias e aspas com poder de confissões.

Há um grande jornal paulistano que todo dia faz menção a uma suposta censura que estaria sofrendo por não poder publicar matérias sobre um determinado assunto. Detalhe, o assunto está superado e em mais nada diz respeito ao leitor do jornal, mas a companhia insiste no assunto ressentida por não ter mais contra quem brigar ao ponto de inventar batalhas e inimigos.

O twiter, seja lá o que significa isso, é uma forma de comunicação primária inserida em um universo de alta tecnologia. Algo comparável ao fogão a lenha em uma moderna cozinha. Faz a mesma comida, mas todos insistem em decifrar um sabor diferente. Escrever em 140 caracteres está mais para limitação intelectual do que para poder de síntese. Se propor a seguir (SIC) alguém e ler os seus 140 caracteres é, no mínimo, pobreza de espírito. Gostaria de saber o que leva alguém a “seguir” uma empresa de pasta de dentes e o que motiva a empresa  de pasta de dentes considerar a possibilidade de ser “seguida” por alguém.

Desde o advento do twiter nada ocorreu de relevante provocado pela ferramenta. O máximo que é divulgado são números que,convenhamos, não significam nada. Fulano de tal é seguido por tantas pessoas, a mensagem tal ficou nos top trends da semana. Essa história de top trends me lembra o ditado sobre pretensão e água benta, todo mundo tem o que quer.

Os ex-funcionários do jornal Folha de São Paulo se queimaram no fogão a lenha pelo simples fato de não saberem cozinhar. Duvido que queiram aprender e aposto que continuarão se queimando encantados pela forma e não pelo conteúdo.