JUNIORIZAÇÃO, SEU NOME É BURRICE

17 de Maio de 2011 · 1 Comentário · 467 views

O não tão atual debate sobre a má formação dos jovens profissionais de marketing e propaganda, disfarçada sob a alcunha de juniorização, de verdade verdadeira, é burrice.

Mas é difícil admitirmos que não sabemos (ou não queremos?) formar as novas gerações e prepará-las para nos substituir. Incentivamos nossos filhos a fazerem cursos de inglês em cidades interioranas dos Estados Unidos acreditando que o domínio da lingua estrangeira é, por sí só, passaporte para a competência. Pois não é. Estudar inglês em uma cidadezinha do Arkansas é experiência similar a estudar português no interior do Tocantins.

Portanto não é de hoje que erramos na definição dos valores relevantes na formação do profissional de comunicação e marketing. Os líderes da nossa indústria não escrevem livros, não ministram aulas e em suas aparições, geralmente nas palestras de eventos restritos e caros, se limitam a “chover no molhado” das convicções e dos paradigmas de um ambiente notadamente envelhecido.

A juniorização não é tema de discussão. No começo de carreira o profissional padece das experiências necessárias para o enfrentamento de algumas questões. Faltam os modelos, só isso. O que verdadeiramente choca nossos sentidos é o despreparo intelectual, a prepotência, a falta de referências, a carência de valores, enfim tudo que costuma vir acompanhado da burrice.

Nossos jovens não são incentivados a desenvolverem competências diferenciadas e relevantes, por isso valorizam a comoditização dos comportamentos. A fama de boa faculdade se perpetua, independente do fato dela produzir ou não material acadêmico de qualidade, o domínio de uma ou mais linguas estrangeiras é super valorizado em detrimento de outros conhecimentos mais importantes ao desenvolvimento profissional, os estágios em multinacionais são santificados mesmo que as empresas não respeitem o desenvolvimento sustentável e o respeito ao meio ambiente. Tudo conspira a favor do mediocre.

É nesse ambiente que se promove a tal juniorização. O mais curioso é que aqueles que se dedicam à análise do fato não percebem que prossionais juniores no início de carreira continuam limitados para toda a vida profissional, comprovando a tese da burrice. Enquanto os jovens talentosos nunca são tratados como juniores e sim como profissionais de próspero futuro.

Aos verdadeiramente interessados em mudar a crescente produção de profissionais despreparados, recomendo que suas empresas invistam mais em centros de excelência de formação profissional e menos nas consultorias de gestão, recomendo que os executivos se  dediquem mais ao ensino e menos aos encontros de network, recomendo que os dirigentes escrevam mais livros e menos twiters, enfim um conjunto de atitudes ao alcance de todos para suplantarmos o culto à burrice e o ar de espanto que fingimos fazer quando nos deparamos com a incapacidade alheia.



MÍDIA NO BRASIL, MAIS DO MESMO

3 de Maio de 2011 · Sem Comentários · 594 views

A divulgação dos resultados dos cinco maiores grupos de comunicação do Brasil apresentados na última edição do Meio & Mensagem, é reflexo do comportamento dos profissionais de mídia e condiz com a realidade vivida nas salas de espera das grandes agências brasileiras.

Apesar do discurso fácil que defende a pulverização da verba publicitária dos anunciantes pelos mais variados meios e veículos de comunicação, o dia a dia de uma agência de propaganda apresenta um único dado de realidade: o número de PI`s (pedidos de inserção) para Globo, Estadão, Folha, RBS e Abril (e seus respectivos grupos de empresas) é diretamente proporcional ao número de contatos publicitários dos outros veículos sentados na sala de espera. Ou seja, crescem as PI`s dos cinco à medida que crescem as oportunidades de mídia em outras plataformas de comunicação, que, com muito custo, conseguem espaços nas agendas dos atolados profissionais de mídia envolvidos no penoso e trabalhoso processo de autorizar inserção para cinco empresas.

Portanto não há o que comemorar no crescimento de 17,7% do bolo publicitário que resulta em um faturamento de 29,1 bilhões de reais se, desse montante, 18 bilhões ou 61% se destina aos cinco grupos de comunicação.

Não se trata de colocar em dúvida a capacidade dessas empresas, ícones da comunicação nacional, em promover um constante e consistente processo de modernização capaz de encantar agências e anunciantes com inovações pertinentes (SIC).  Não se fortalece uma indústria, principalmente a de comunicação, com concentração de recursos em um país de 200 milhões de habitantes espalhados por 8 milhões de quilômetros quadrados.

A concentração dos investimentos de mídia no Brasil é um inequívoco sinal de atraso da nossa indústria incapaz de financiar as novas alternativas. Continuamos a fazer mais do mesmo, míopes diante da mudança de comportamento do consumidor. Continuamos a acreditar na ladainha promovida pelos que só se interessam pela manutenção desse status quo e disfarçam seus objetivos com os argumentos de defesa do modelo de negócio da propaganda brasileira.

Esse é o nosso modelo de negócio, o modelo da concentração e da hegemonia que, convenhamos, é desprovido de afinidade com a realidade dos consumidores e por isso, só por isso, tem seus dias contados.