Onze, o último BBB

21 de Fevereiro de 2011 · Sem Comentários · 485 views

Em nota oficial destinada às emissoras de televisão, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (reparem na redundância entre o nacional e o Brasil), condenou os reality shows apresentados por todos os canais.

Na manifestação patrocinada pela mais relevante entidade porta voz do pensamento da Igreja no Brasil houve uma condenação pública sobre a temática dessas deprimentes competições que povoam a grade de programação dos canais abertos brasileiros.

O chamamento da CNBB é sobre a responsabilidade das emissoras com os conteúdos de sua programação, o caráter público das concessões e a missão das emissoras de radiodifusão constantes, inclusive, na Constituição Federal.

Fez a CNBB o que toda a entidade representante da sociedade civil, nesse caso religiosa, deveria fazer. Manifestar-se sobre o que acredita ser nocivo aos brasileiros, sem medo da condenação ou do ostracismo impostos pela carência de refletores que o tema sugere.

Enquanto a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, está preocupada com um punhado de ex-governadores que recebem aposentadoria, assunto que, por sinal, rende desproporcionais entrevistas, a Conferência se dedica a tentativa de preservar o que ainda resta de dignidade nos detentores dos meios de comunicação no Brasil.

Mas a resposta não tardou e veio de quem, por hábito, se esconde, a TV Globo. A emissora em nota se afirmou laica, ou seja, ao invés de refutar as considerações a respeito da péssima qualidade de seu programa BBB (Big Brother Brasil), defendendo-o ou assumindo sua responsabilidade e se comprometendo a rever os critérios (SIC) que a levam a sustentar essa programação, preferiu fugir do tema e pior, faltar com a verdade, ou melhor, mentir.

Pois a Globo não é e nunca foi uma emissora laica. A Globo é uma emissora católica e como tal deve seguir as recomendações da CNBB. A Globo mantém em sua grade regular e semanal a Missa do Padre Marcelo e não se tem a informação de que o Padre compre o horário para o culto, assim como outros religiosos fazem em outras emissoras.

Todo o casamento das telenovelas da TV Globo acontece em igrejas católicas na presença de um padre e não há registro sobre a encenação de ritos de outras religiões, principalmente das neo protestantes, proprietárias da principal concorrente da TV Globo.

Também não há qualquer tipo de concessão para outros credos nos folhetins, principalmente os de época, que sempre apresentam um padre católico a interferir na trama.

A TV Globo é uma empresa que explicita sua condição religiosa e que comete o pecado de submeter sua audiência ao desagradável espetáculo encenado pelo reality show.

É dever dos Bispos condenar e expurgar os pecados cometidos pelo seu rebanho. É obrigação da TV Globo acatar as orientações de seus superiores religiosos, é uma graça para os brasileiros se libertarem do seu algoz  intelectual representado por um punhado de retardados trancafiados em uma casa por 90 dias e, finalmente, é humano os patrocinadores admitirem o erro e jurarem nunca mais cometê-lo.

Para finalizar e amenizar a sensação de culpa, própria dos católicos, que a TV Globo sente depois do pito público, vale lembrar que Pedro, o amigo e apóstolo que se tornaria o primeiro Papa, também negou conhecer Jesus na noite de sua prisão e, mesmo assim, foi perdoado a tempo de profetizar:     “Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:13-15).

Segundo Rábano Mauro, escritor, filósofo e teólogo alemão de século IX em o Significado Místico dos Números :  “O número onze é figura da transgressão da lei e também dos pecadores, tal como mostra o salmo 11 (cujo número de per si já é símbolo) quando diz: “Salvai-me Senhor, pois desaparecem os homens santos”. Daí que também Deus tenha ordenado que se instalassem no tabernáculo da Aliança esse mesmo número de cortinas de peles de cabra para representar os que pecam”.

Portanto, não há motivos par duvidar que esse será o último BBB.  É só torcer.



MEU EU VINTAGE

31 de Janeiro de 2011 · Sem Comentários · 351 views

Descobri que não sou retrógado, sou vintage. Nada mais vintage do que minhas idéias e minhas roupas. Nada mais vintage do que aquilo que ensino para meus filhos. Alguns “bom dia” ao amanhecer, uns “obrigado”, “por favor” e o incomparável “com licença”, extirpados de nossa língua, podem retornar ao vocabulário sob o manto do vintage.

Tudo que parecia retro na minha já desgastada existência está redimido pelo vintage, seja la o que for isso.

Um dia desses, na ponte aérea, peguei um voo vintage. A pintura do avião remetia ao design de 30 anos atrás assim como o uniforme das comissárias e a vinheta de segurança.

Na pesquisa para esse artigo descobri que um tradicional site de videos pornográficos possui uma categoria de sexo vintage. Resisti a tentação de visitá-lo por considerar que seria muito difícil, aos quase 50 anos, descobrir que ate nisso já fiquei ultrapassado e que por uma concessão da modernidade tornou-se cool fazer sexo da  forma como aprendi.

A propaganda, macaca de auditório de toda a modernidade, mesmo que não saiba muito bem o porque, já bebe dessa fonte e nesse processo somos brindados com a linguagem invariavelmente sépia.

Aos adeptos do vintage recomendo esquecerem a forma e resgatarem o conceito. Sugiro recuperarem a criatividade, abrirem mão do discurso fácil, investirem nos talentos, apostarem na maturidade, valorizarem a ética, defenderem as diferenças e os diferentes, condenarem a juniorizacao, não terem medo da opinião, não se submeterem as hegemonias, enfim tudo o que parecer meio démodé (assim como a palavra démodé), pode voltar a ter um lugar ao sol.

A ousadia deveria ser o símbolo do vintage, só assim podemos resgatar a propaganda de duas décadas atrás e reconquistar o espaço de vanguarda (olha a vanguarda ai gente) perdido para a mediocridade.

Tornei-me vintage sem saber, quase que naturalmente e estou muito feliz com esse processo. Acredito que a propaganda pode se beneficiar do momento e promover o resgate dos valores que construíram esse negócio no Brasil. Foi por conta dos questionamentos relevantes que nos transformamos em uma indústria e não, como pensam alguns, pelo modelo que adotamos. Nosso modelo é conseqüência do debate exaustivo, postura que os modernos execram e que agora pode retornar à cena.

Nosso negócio, composto por anunciantes, agências e veículos, precisa reaprender a debater os “assuntos proibidos” ceifados da pauta pelas conveniências de alguns poucos, diga-se de passagem.

A vantagem de ser vintage é não temer a condenação por pensar diferente e isso, me desculpem os Juniores, não é um estilo datado de nominho pernóstico, isso é um processo, uma opção que a muito a propaganda cedeu à “cultura da sobrevivência”, que, no final das contas, é o que está nos matando.