Um avatar em Cannes

16 de Junho de 2008 · 2 Comentários · 243 Views

Todo publicitário deveria se programar para participar, pelo menos uma vez na vida, do Festival de Propaganda de Cannes, - a meca da propaganda.

Adoro essas novidades. Um mundo virtual onde podemos nos reinventar. Até para ficar maluco precisamos de tecnologia e computadores. Antes era mais fácil. Ficávamos malucos sozinhos, sem auxílio. Pelo contrário, as pessoas nos ajudavam a sair da loucura. Agora é tudo diferente. As pessoas ajudam a nossa loucura. Ajudam a nos aprofundarmos nos labirintos da mente. Existem empresas regularmente montadas para nos auxiliar nesse processo. Podemos criar um eu virtual, com os nossos defeitos ou defeitos novos. Com as nossas qualidades, ou qualidades novas. Um Avatar. No meu caso, um Avatar Porto Alegre. Nada mal. Todos os homens da minha família seguem a tradição de ter o pré-nome com a letra A. Está mantida a tradição.

A definição para avatar, não eu, o Avatar Porto Alegre, e sim o genérico avatar, segundo a Wikipédia é “Em informática, avatar é a representação gráfica de um utilizador em realidade virtual. De acordo com a tecnologia, pode variar desde um sofisticado modelo 3D até uma simples imagem. São normalmente pequenos, aproximadamente 100 px de altura por 100 px de largura, para que não ocupem demasiado espaço na interface, deixando espaço livre para a função principal do site, programa ou jogo que se está a usar.”

O Avatar Porto Alegre é um pouco de tudo isso e muito mais. Não sei se tenho todas essas medidas, mas tenho certeza, desde criança, que sou pequeno e ocupo pouco espaço. Uma vantagem competitiva quando se viaja muito de avião. E é o que farei, ou melhor, faremos. Vamos para Cannes, na França, mais precisamente para o Festival de Propaganda de Cannes. O sonho dos publicitários.

Não sou um criativo da propaganda. Não sou diretor de arte ou redator. Para esses profissionais de propaganda o Festival de Cannes é uma obrigação, faz parte de sua formação. Esses publicitários conhecem Cannes e o Festival ainda no início de suas carreiras, incentivados pelas agências que, justificadamente, valorizam a participação dos jovens profissionais em eventos dessa relevância.

Meu caso é o de milhares de profissionais de propaganda que não atuam na área da criação publicitária e por isso tem retardada sua participação nos Festivais. Mas, como o sol nasceu para todos, principalmente o da França, lá vamos nós.

AS PREMIAÇÕES DE CANNES

Primeiro, é bom entender que o Festival está em sua 54ª edição (2007) e, nos últimos 10 anos, sofreu adequações naturais para os tempos de hoje. Quando de sua criação, a idéia era incentivar o cinema como meio publicitário, premiando o que se considerava bom para a propaganda nas telas grandes e na televisão.

Depois houve a inclusão, justa, das peças gráficas e, como conseqüência, admitir que o rádio, o marketing direto, a internet e a promoção são dignos de premiação, assim como os casos de cyber. Mais recentemente foi criada uma categoria chamada de Titanium & Integrated, que premia o uso harmonioso e criativo de diferentes meios, ou seja, uma campanha toda é premiada.

Os cases de mídia também são premiados, através da análise do uso adequado dos meios publicitários. Pronto, todo mundo tem seu quinhão ou melhor seu leão. O troféu para os vencedores em cada uma das categorias é o Leão de Cannes, em ouro, prata e bronze. Há uma certa generosidade (coisa de publicitário) e muitos Leões são distribuídos. Em 2007, assisti a uma empolgante palestra do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, sobre o aquecimento global e como nós publicitários podemos contribuir para a solução do problema, e presenciei a entrega do Leão Verde para Al Gore, sem dúvida, uma concessão da organização. Merecida por sinal.

O Festival de Cannes pode ser considerado a meca para todo o publicitário do mundo e, seguindo a tradição mulçumana, recomendo a todos os profissionais da área que, pelo menos uma vez na vida, visitem o evento.

VISITE CANNES, A MECA DA PUBLICIDADE

Organizem a viagem com antecedência e tenham um objetivo claro para o investimento (que não é baixo). O Festival começa em um domingo e termina no sábado seguinte e é formado por seminários, workshops e a apresentação das peças concorrentes em todas as mídias. Minha recomendação é para que a semana seja organizada de forma que você selecione as palestras de seu interesse. Os temas são bastante variados e contemplam diferentes áreas de competência.
Nos momentos livres (sem palestras selecionadas) durante a semana, localize a exibição dos filmes de categorias que lhe interessam profissionalmente. A exibição dos anúncios é por categoria (alimentos, bebidas, higiene pessoal, bancos, automóveis etc.). Escolha os segmentos onde você acredita que a criatividade e a diversidade mundial podem contribuir para o seu repertório de conhecimento.

Reserve um momento para conhecer os casos que concorrem na categoria Titanium. Os trabalhos inscritos são exemplos completos de comunicação integrada e tem sido uma das vedetes do Festival.

Os primeiros short lists (trabalhos pré-selecionados que podem ganhar o Leão) são de mídia impressa (press e out-door) e mídia. Visite a exposição desses trabalhos. Ver propaganda, ajuda a fazer propaganda e aprimora o senso crítico sobre o que é bom e o que não é.

Sexta-feira é o dia da exibição do short list de filme. Tomara que não tenha palestras de seu interesse, porque minha recomendação é para que você fique em uma sala de cinema, fazendo aquilo que nós todos fazemos de melhor: ver propaganda, de preferência da boa.

Nesse dia, a sexta, os auditórios ficam lotados. Todos querem conhecer os trabalhos pré-selecionados pelos jurados. Os trabalhos aprovados são aplaudidos, os trabalhos de gosto duvidoso são assobiados. Isso mesmo, em Cannes não se vaia, se assobia. Todo mundo faz isso, faça você também. Quando não gostar de algo, assobie. Não vale só assobiar para filmes argentinos. Eles são os grandes concorrentes da propaganda brasileira e possuem uma produção de muita qualidade. É bom ficar atento.

OS NÚMEROS DE CANNES

Nessa edição, o Brasil concorrerá com 2.461 trabalhos, sendo 175 filmes, 867 anúncios impressos, 609 outdoors, 396 cyber, 104 trabalhos de mídia, 96 marketing direto, 77 rádio, 17 na categoria Titanium, 72 trabalhos de promoção e 48 em design. Estamos atrás dos Estados Unidos com 3.643 trabalhos e da Alemanha com 2.852.

A agência com mais trabalhos inscritos é a F/Nazca S&S com 231, seguida pela AlmapBBDO e DM9DDB com 184 e 162 respectivamente. Ao todo, 112 agências brasileiras concorrem a um Leão. Vinte e oito dessas possuem uma única inscrição. O destaque curioso é o fato da África, uma das principais agências do mercado brasileiro, concorrer com uma única peça, um filme.

Cannes é isso. Muito trabalho e muita diversão. À noite, Cannes se transforma no que realmente é, uma cidade pequena do litoral francês com muito charme e gente bonita circulando pela La Croisette, a avenida da praia. Nela, estão os hotéis e restaurantes que, durante uma semana, são palco para o encontro com alguns dos expoentes da nossa profissão. Cannes vale a pena.



Uni-duni-te

13 de Junho de 2008 · 13 Comentários · 308 Views

 

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Você encontrou tudo que esperava nesse site?

9 de Junho de 2008 · Sem Comentários · 193 Views

Um dia decidi fazer um site para estudantes, professores e jovens profissionais de propaganda e não perguntei o que pensavam da minha idéia. Sentei e escrevi. Agora fico torcendo para que o site seja visitado.

É justo que queiramos o melhor, o sucesso para nossas iniciativas. Estudamos e trabalhamos para isso. Hoje conhecemos a eficiência de algumas práticas que fazem total diferença na forma com que os produtos são percebidos pelo consumidor. São fáceis de aplicar mas não fazem parte, ainda, dos roteiros de tarefas ordinárias. Por isso são, em muitos casos, consideradas posturas extraordinárias.

Perguntar para os meus leitores (você) se eles encontraram tudo que esperavam nesse site,parece algo fora do comum, mas não é, e será cada vez mais comum a preocupação com o depois da venda, com o pós-venda.

Essa matéria não é restrita aos profissionais de marketing. E considero que nós publicitários devemos prestar mais atenção ao que vem depois da propaganda e da venda de um produto ou serviço: A satisfação do consumidor. Esse será um nicho de atuação para nós publicitários e não duvido se, daqui a algum tempo, surgirem veículos especializados em perpetuar a relação dos produtos e serviços com seus consumidores.

PORTA GIRATÓRIA

De nada adiantam filmes publicitários maravilhosos, com atores de primeiro time, produzidos por profissionais renomados, se o que está sendo anunciando não corresponde, minimamente, à entrega. Fique preso em uma porta giratória de uma agência bancária, sendo abordado por um segurança através do vidro lhe pedindo para que tire tudo de metal que você tem no corpo, inclusive seu pino na perna e seu aparelho dos dentes, que toda a beleza do comercial que veiculou ontem à noite durante sua novela, vai por água abaixo.

Esquivamos-nos desses temas. Afinal, como o profissional de criação, de mídia ou de atendimento de uma agência de propaganda, pode minimizar ou interferir nos efeitos nefastos produzidos pela necessidade de segurança nas agências bancárias? Não sei ao certo, mas tenho algumas idéias.

Toda a campanha publicitária é precedida de uma série de reuniões. Primeiro com o gerente de marketing e sua equipe, depois com o diretor de marketing, depois com mais alguns diretores e, por último, com o presidente. Algumas vezes a família do presidente também dá seus palpites. Enfim, antes de chegar à sua casa, o anúncio passa por um verdadeiro calvário de aprovações, recheado de palpites e “achismos”.

OS CAIXAS

Pois bem, poucas vezes tive conhecimento de empresas anunciantes que submetessem suas propostas criativas àqueles que fazem o dia-a- dia do negócio e que se relacionam com o consumidor. Um supermercado que se utiliza das ofertas para atrair os consumidores deveria submeter seus apelos publicitários aos funcionários do caixa. São eles que mantêm contato com o consumidor exatamente no momento do pagamento, ou seja, no momento de se realizar a promessa feita na TV ou nas páginas de jornal. Assim como um banco que promete simpatia deveria apresentar o anúncio para seus seguranças que são as primeiras caras que se vê ao entrar em uma agência bancária.

Hoje, nós consumidores somos muito conhecidos e, quanto mais conhecidos, mais ignorados. Parece um contra-senso, mas algumas empresas querem saber muito sobre nós para não fazerem nada com essa informação. As operadoras de TV por assinatura são um ótimo exemplo de um péssimo serviço. Elas sabem quem somos e onde moramos. Conhecem alguns dos nossos gostos, pois ao dividirem a sua programação em pacotes são capazes (sic) de identificar nossas preferências. Se chegarmos ao cúmulo de comprarmos uma programação pay per view, a informação fica ainda mais completa. E o que fazer com tudo isso? Nada, absolutamente nada. Pior. É muito melhor não ser cliente de uma operadora de TV por assinatura do que ser. O telefone à disposição dos que não são usuários é atendido rapidamente. O telefone à disposição dos que já são usuários ou não atende ou, se atende, informa que “todas as nossas posições estão ocupadas, tente mais tarde”.

Não é possível não considerarmos que esse tratamento é um dano para o trabalho do profissional de propaganda. As novas gerações de publicitários terão uma tarefa extra de colaborar com seus clientes para a prestação de mais e melhores serviços. Um dos segmentos mais disputados e que mais prestígio traz para uma agência de propaganda é o automobilístico. Atender a uma conta publicitária de uma marca de carro é uma oportunidade para todos os profissionais envolvidos no trabalho.

Esse segmento, além de muito disputado, permite a criação de peças publicitárias que podem fazer a diferença na carreira de um publicitário. Tudo lindo, tudo maravilhoso, não fossem os carros vendidos por lojistas despreparados, que colocam em risco todo o trabalho desenvolvido pela comunicação. Culpados? A indústria, sem dúvida.

PINTURA À PARTE

Um caso clássico é a cobrança em separado da pintura e do frete. Isso é uma agressão, só admissível pelo caráter amigável do brasileiro. Se a pintura é cobrada à parte, podemos considerar a possibilidade de levar o carro sem pintura. E se o frete não está incluso no preço público do carro, podemos também considerar a possibilidade de buscarmos o carro onde ele está antes do frete. Experimente formular essas duas questões para o atencioso vendedor que está à sua frente falando das maravilhas do carro.

Os profissionais de propaganda que se destacam não estão restritos só às criações geniais, mas também ao pensamento amplo de todas as formas com que o consumidor se relaciona com a marca, produto ou serviço que está sendo anunciado. Por isso, as agências se apressaram em montar estruturas que atendam a outras competências, que não só a propaganda. Porém, conhecer e dispor de outras ferramentas não credencia uma agência quanto à eficiência da operação. O mais importante é sair do escritório, ir para a rua e observar como o consumidor se relaciona com o produto que será anunciado. Esse é o melhor briefing que um publicitário pode ter.

Sobre esse site, caso você não tenha encontrado tudo que esperava dele, me escreva e me conte o que, em sua opinião, faltou. Meu endereço é andre@bloganda.com.br .

Você pode não ter encontrado tudo, mas a partir dessa semana, sexta-feira dia 13, o Bloganda lançará oficialmente as tiras do Marcio Sépia, criação do futuro profissional de propaganda Pedro Farias, aluno da UNIMONTE de Santos. Não deixe também de assistir o vídeo do 19º Fest’up: