QUEM CONTROLA A IMPRENSA NO BRASIL?
26 de Outubro de 2010 · Sem Comentários · 884 views
Projetos hegemônicos, regionais, controlados por famílias com forte influência política e interesses empresariais, financiados pelo poder público. Essa é a definição de mídia no Brasil.
Portanto é irrelevante a grita dos tradicionais veículos de comunicação contra o suposto controle da imprensa. A imprensa é, e sempre foi, controlada no país. A questão é saber por quem.
Ao que parece a possibilidade do controle mudar de mãos apavora aqueles que por dois séculos foram beneficiados pela inércia da sociedade brasileira incapaz de criar mecanismos para se libertar do monopólio exercido pelas famílias controladoras dos meios de comunicação e, como tal, detentoras do poder de divulgar aquilo que consideram pertinente aos seus interesses que, cá para nós, nunca foi a democracia brasileira. Pelo menos no seu stricto sensu.
Para as empresas de comunicação a democracia sempre foi uma bandeira pesada. Um arroubo de jovens idealistas (ou só idealistas) evitado até o limite e, quando não mais possível, citado em frios editoriais, sem grandes paixões.
A imprensa brasileira utiliza de seu maior patrimônio, a confiança da população, para abusar do “direito” de informar o que lhe interessa, sem nenhuma preocupação com a verdade.
Seus líderes, entrincheirados em associações patronais, se negaram a participar da ampla discussão com a sociedade durante a Primeira CONFECOM, a Conferência Nacional de Comunicação, instancia democrática, que objetivava debater o momento histórico da comunicação no Brasil no final de 2009.
Sob o pretexto da “truculência” dos interlocutores representantes da sociedade civil, os empresários da comunicação fugiram de medo do confronto de idéias. Covardes, esses herdeiros de conglomerados de comunicação preferiram ignorar o apelo da sociedade por uma mídia mais representativa da diversidade nacional.
Fizeram o papel de avestruz e apostaram na incapacidade de articulação dos brasileiros. O fato é que o Brasil mudou, e como isso deve doer nos ouvidos acostumados às ladainhas de liberdade que sempre favoreceram o status quo da imprensa brasileira.
Os tempos são outros e o que parecia consolidado pode ser questionado e essa tarefa incomoda, e muito, os detentores do controle da imprensa. O que está em jogo nesse momento no Brasil, não é a censura praticada por órgãos externos com participação da sociedade. O que está em jogo é a perda da hegemonia dos veículos de comunicação sobre o pensamento nacional.
Não há, por parte dos defensores de mecanismos da sociedade sobre a mídia, nenhuma menção a censura como fazem crer os capitães dos veículos, desesperados diante da perspectiva de praticar um esporte raro no jornalismo brasileiro, o respeito à diversidade.













