O CIDADÃO COMUM, O DUNGA E UMA OUTRA HISTÓRIA

22 de Fevereiro de 2010 · Sem Comentários · 75 views

Na propaganda, o cidadão comum é aquele com um padrão de comportamento típico, capaz de ser identificado e reunido como um grupo de consumidores que as marcas almejam por representarem expressivo volume de vendas para os produtos.

O cidadão comum nunca está sozinho. Ele só existe no coletivo apesar de ser tratado no singular. A grande maioria da comunicação é feita para ele, assim como as questões éticas esbarram no pensamento do cidadão comum. Impossível pensar em propaganda sem levar em conta o cidadão comum.

No Brasil o cidadão comum assume contornos de celebridade e essa distorção provoca riscos para a propaganda. Nosso gosto pelo futebol e nossa paixão pela seleção canarinho são exemplos de nacionalismo. Em tempo de Copa do Mundo vestimos as cores do Brasil e torcemos, verdadeiramente, pelos craques nacionais um dos produtos de exportação mais valorizados em todo o mundo.

Os jogadores brasileiros são heróis, exemplos a serem seguidos, portanto, deixaram a condição de cidadãos comuns para se tornarem símbolos nacionais. Seu comandante supremo, o técnico da mais importante e vitoriosa seleção do mundo deveria também reunir os atributos de um olimpiano.

No entanto, o técnico da seleção brasileira é um “zero à esquerda“, desprovido de carisma e simpatia. Um cidadão comum elevado a categoria de celebridade pela teimosia dos dirigentes do futebol nacional que apostam na mediocridade. O Dunga é uma afronta a inteligência nacional. Um jogador limitado com passagens pífias pelo futebol brasileiro e internacional.

O Dunga era parte integrante de uma seleção nacional campeã do mundo por obra e graça de dois ou três craques, categoria que, sabidamente, ele nunca fez parte. Esse cidadão comum se notabilizou no cenário nacional por movimentar os braços como se tocasse uma cuíca, uma forma rudimentar de transmitir dedicação típica daqueles desprovidos de qualquer talento e, consequentemente, reféns da vontade.

O Dunga não tem a menor condição de ser técnico da seleção brasileira ou de qualquer outro selecionado nacional por mais tacanho que seja o país no esporte bretão. Ele só está nessa condição porque nós brasileiros valorizamos mais a vontade do que o talento, porque somos credos de que as forças divinas irão conspirar a favor dos limitados, porque desde pequenos aprendemos a desprezar o mérito para valorizar a tese rasteira de que somos todos iguais.

Esse amontoado de besteiras dá fruto e, de uma hora para outra, mesmo sabedores de que o Dunga representa o que de pior pode existir no esporte nacional passamos, em coro, a acreditar que ele é a solução e que sua antipatia e aversão às pessoas não é recurso dos incompetentes e sim um comportamento de um típico cidadão comum.

O Dunga está onde está para redimir o cidadão comum, para eleva-lo ao status de relevância, para retira-lo do limbo coletivo e coloca-lo no panteão dos vencedores. Um inútil movimento que de tempos em tempos tenta corromper a ordem natural das coisas na esperança que o cidadão comum galgue posições de destaque na sociedade.

O mais impressionante é que alguns grandes anunciantes brasileiros entorpecidos pela possibilidade de aviltar a natureza apostam no azarão e promovem a mediocridade com ares de sucesso. Há um anúncio da cerveja Brahma com o tal Dunga recitando alguma das suas besteiras sobre garra, vencer ou qualquer outra bobagem do gênero.

Com essa atitude a tradicional marca de cerveja engrossa a fileira dos que querem transformar cidadãos comuns em pessoas diferenciadas uma fórmula falida de divulgação.

Não acredito que sejamos campeões mundiais pela sexta vez nessa edição africana da Copa do Mundo e nos lamentos que ocorrem depois dos nossos fracassos futebolísticos vamos nos lembrar da figura inexpressiva do Dunga e proclamaremos aquilo que todos sabem mas resistem em admitir: o Dunga não poderia nunca ser técnico da seleção brasileira de futebol.

Ainda em 2010 vamos viver outra situação onde a mediocridade vai dar as cartas. Corremos o risco de em outubro vermos guindada ao segundo turno da eleição presidencial o Dunga da política, a Dilma, uma outra figura sem qualquer relevância política, desprovida de carisma e simpatia, uma cidadã comum elevada a condição de pretendente ao cargo máximo da republica por obra da prepotência do presidente em exercício. Mas isso é uma outra história.



Beyoncé e a faixa da Nestlé

8 de Fevereiro de 2010 · 1 Comentário · 151 views

No último sábado fui assistir ao show de Beyoncé. Na verdade um pacote promocional do tipo “pague 1 e leve 2″, porque a apresentação da americana foi antecedida pela presença no palco de Ivete Sangalo e as duas foram maravilhosas, esbanjando talento e simpatia.

No entanto, mesmo em momentos como esse, que sugerem entrega total ao divertimento é impossível não fazer considerações sobre as privações a que nós brasileiros somos submetidos.

Vamos começar pelo Estádio do Morumbi, um patrimônio do São Paulo Futebol Clube, orgulho de seus torcedores, mas completamente desprovido de qualquer condição de abrigar uma partida de futebol, quanto mais um espetáculo musical.

O Morumbi é uma vergonha arquitetônica. Quando chove (um pleonasmo para os dias de hoje em São Paulo) as águas da arquibancada superior escoam por canos projetados sobre as acomodações inferiores. E, mesmo depois da chuva, essa água continua escorrendo por, cronometradas, duas horas.

Os serviços de alimentação, elementares para qualquer espetáculo público, seja esse de futebol ou música, são risíveis, primários, comparáveis a uma festa junina de alunos do ensino fundamental de uma escola pública na periferia de cidades brasileiras.

Esquecem os administradores desses locais que os freqüentadores correm o risco de sentirem necessidades fisiológicas, dessas comuns como xixi e coco, e por isso, só por isso há a necessidade de manter banheiros (vou abrir mão do “limpo”) para atender essas necessidades.

O Morumbi, gostem ou não os paulistanos e, principalmente, os são-paulinos, não reúne nenhuma condição para receber um jogo de Copa do Mundo entre os selecionados de Gana e Costa Rica, quanto mais pleitear ser a sede da abertura dos jogos de 2014.

Fomos ao estádio de táxi, exercitando a civilidade possível diante de um local da cidade completamente carente de transporte público (não vou exigir “de qualidade” para não pressionar nosso incipiente, incolor e inodoro Prefeito Municipal). Na chegada se enfrenta situações normais (?) para um local que irá receber 60 mil almas, dessas que fazem xixi e coco, mas a surpresa estava na saída.

Mais uma vez civilizados, procuramos os portões de saída na execução da última música afim de evitar os congestionamentos. A visão de uma das avenidas de acesso ao estádio era um colírio para os olhos, dezenas (quem sabe, centenas) de táxis. São Paulo, a maior cidade da América Latina, não iria nos decepcionar e, mesmo depois de todas as dificuldades, teríamos um retorno ao lar tranqüilo depois das duas emocionantes apresentações.

Subimos a rua consultando os taxistas sobre sua disponibilidade e as informações davam conta de que estavam lá aguardando os passageiros agendados. Sublime civilidade. Parcela significativa das 60 mil almas, dessas que fazem xixi e coco, havia reservado táxi para o retorno, um exemplo de previdência.

Já quase no que se pode chamar de “altos do Morumbi” encontramos um taxista carente de reservas e disposto a denunciar a picaretagem desses bandidos que prestam um serviço público e se aproveitam de um poder incipiente, incolor, inodoro e incompetente, liderado pelo Prefeito Municipal. Os safados encostados nos carros brancos com chapa vermelha não aguardavam ninguém, na verdade esperam a avenida congestionar para propor corridas com preço fechado aos incautos cidadãos que diante da falta de outras opções se rendem ao estelionato promovido por esses pilantras.

Esse Bloganda está encaminhando a denuncia à SPTrans, um desses incipientes, incolores, inodoros e incompetentes órgãos públicos. Vamos ver no que dá.

Antes das apresentações decidi que esse artigo seria sobre essa experiência. Já dentro do estádio, mas ainda sem fome ou vontade de fazer xixi, pensei em alertar para a importância de se patrocinar eventos dessa magnitude e como as empresas brasileiras exploram mal esse tipo de oportunidade. Me chamava atenção uma faixa de péssima qualidade da Nestlé, mal instalada em uma das torres de controle da luz. Um deserviço para a marca. Me passou pela cabeça que se esses caras fazem uma porcaria dessas em uma faixa com o logotipo à vista de 60 mil pessoas, imagina como fazem os produtos que ninguém olha e que são consumidos na confiança de uma suposta qualidade.

Diante de todas as dificuldades impostas por um local carente e um Estado inexistente, a faixa da Nestlé perdeu relevância. De uma certa maneira os patrocinadores já perceberam a armadilha que é patrocinar eventos no Brasil por isso adequam sua participação às condições existentes. Afinal quem dá importância para a faixa da Nestlé.