A PROPAGANDA POLÍTICA NÃO É GRATUÍTA

17 de Agosto de 2010 · Sem Comentários · 74 views

Hoje, dia 17, começa a propaganda eleitoral obrigatória em rádio e televisão. Formalmente começa a campanha para as eleições de 3 de outubro. A oportunidade sugere algumas considerações.

A televisão e o rádio são concessões públicas. Ou seja, os proprietários das emissoras possuem o direito, renovável de tempos em tempos, de explorar comercialmente (vender espaços publicitários) suas freqüências de transmissão.

Para isso se esmeram na produção de conteúdos de entretenimento ou informação e desenvolvem o posicionamento para suas empresas com o objetivo de se fazerem reconhecidas pelo público e presentes na distribuição de verbas publicitárias das empresas. Portanto o “chororo“ das emissoras que caracteriza o ambiente pré-eleitoral, que impõe a cessão de parte dos horários para propaganda eleitoral gratuita, não se justifica. 

Ao cederem obrigatoriamente espaços de sua programação, as emissoras estão honrando um compromisso constitucional de amplo conhecimento. E isso não significa como pregam alguns, uma interferência estatal ou cerceamento da liberdade de expressão. As freqüências de televisão e rádio são patrimônios públicos explorados por particulares sem nenhum tipo de controle. É natural que em determinadas situações o Estado reivindique para si o direito de utilizar seu patrimônio, por exemplo, na divulgação dos partidos e candidatos que disputam cargos eletivos.

Além disso, a mini-reforma eleitoral promovida no ano passado pelo Congresso Nacional determinou um ressarcimento financeiro às emissoras de rádio e televisão através de isenção de impostos em valor correspondente a 80% do que deixaram de veicular por causa da propaganda “cada vez menos“ gratuita.

O espaço destinado à propaganda eleitoral possuí grande valor para os partidos políticos que passaram a entender o papel de uma comunicação de qualidade para a conquista de votos. Profissionais de comunicação são mobilizados para desenvolverem estratégias capazes de transmitir boas impressões dos que postulam mandatos.

Com a proximidade de mais uma eleição, cresce o questionamento do papel da comunicação sobre a decisão dos brasileiros. Aparecem os paladinos da justiça, homens e mulheres de conversa fácil, geralmente vinculados às ONGs de proteção (sic) dos cidadãos. Cabe a esses o papel de denunciarem a manipulação das massas, quando na realidade, oriundos das classes dominantes, querem manter seus benefícios.

Assim como agem com a propaganda comercial, um justo instrumento de informação da sociedade, que é constantemente atacado por trazer as classes menos favorecidas para padrões de consumo inimagináveis, esses “donos da verdade“ querem impor o silêncio aos postulantes a cargos públicos por considerar que ao falarem influenciam a decisão dos brasileiros. Pregam a mordaça para continuarem no poder.

Considero importante para o desenvolvimento da sociedade o tratamento profissional dado aos candidatos. Não há como ludibriar uma sociedade informada. Não admito que o marketing político seja capaz de maquiar um candidato a ponto de levar os cidadãos ao erro. Creio que esse tipo de pensamento é simplista e procura atribuir aos profissionais de comunicação uma responsabilidade que não é deles.

A propaganda política em rádio e televisão não é gratuita, é um direito da sociedade. É direito dos brasileiros conhecerem os candidatos em um espaço que é seu e com a qualidade das ferramentas da comunicação à disposição. O contrário disso é a tutela que, aliás, já foi experimentada pela sociedade brasileira que conhecia os postulantes aos cargos públicos através de fotos 3X4, sem direito à voz.



A FALSA POLÊMICA

2 de Agosto de 2010 · Sem Comentários · 82 views

Não há nada do que possamos nos orgulhar em termos criativos nesse primeiro semestre de 2010. Nem o “recorde“ de leões em Cannes nos oferece animo para uma avaliação positiva.

Dia desses, em uma entrevista, o interlocutor questionou-me sobre a melhor campanha desse 2010. Silêncio. A carência de opções me deixou sem palavras e o jornalista sem a reposta rápida que esperava.

A situação foi constrangedora e fui salvo pela lembrança de uma loira sem graça (para os padrões brasileiros), se esfregando em uma lata de cerveja (sem graça para os padrões brasileiros), observada por um fotógrafo voyer (sem graça para os padrões brasileiros) e ainda, por uma multidão de desocupados beberrões de beira de praia (finalmente algo para os nossos padrões).

O anúncio era para o relançamento de uma cerveja que até então freqüentava nichos de mercado e que investiu em um posicionamento de maior apelo popular. O sucesso foi instantâneo, muito por culpa do nome da cerveja e por sua perfeita tradução encarnada na loira pop internacional.

Estava armada a confusão. Julgamento, suspensão, entrevistas, opiniões. Todos os ingredientes do sucesso sistematicamente estudado. Essa foi a melhor campanha de 2010 até esse momento. E diante do enfadonho criativo em que nos encontramos, é capaz de emplacar o ano como o grande destaque.

O fato é que a concorrência não sossega. Não quando o assunto é cevada onde um ponto de participação significa milhões de faturamento e nos brinda, nesse pós-copa, com uma campanha capaz de fazer corar de vergonha um calouro do curso de propaganda.

Gênios desses que habitam agências de propaganda (sic) e anunciantes endinheirados propõe uma questão: “Por que a lata de uma marca de cerveja é branca, quando todos os seus equipamentos são vermelhos?“ . Isso mesmo.

Foi difícil explicar para a família de marcianos que passava as férias de julho em minha casa, em um intercambio interplanetário, que não éramos seres de inteligência inferior. Eles partiram de volta para casa, o planeta verde (cuidado com cores), crentes que, a se considerar a campanha da cerveja, não temos salvação. Eu concordo com eles.

Quem é o executivo do anunciante que aprova uma campanha como essa? Por favor, apresente-se, imediatamente, ao departamento de pessoal. Esse individuo deve ser, além de demitido, proibido de exercer qualquer função ligada à comunicação. Mas nós já devíamos esperar algo do gênero. Esse Ser deve ter sido o mesmo que aprovou a campanha que durante meses nos importunou mostrando o Dunga berrando palavras de estimulo. Essa INTELIGEMCIA já havia denunciado o crime. 

A falsa polemica das cores da embalagem de cerveja é tão imbecil que não precisamos aguardar o desfecho da campanha para condená-la à sustação, não por ferir nosso regramento ético e sim por ferir, de morte, nossa inteligência.