TROPA 2, MAIS DO QUE O ASSUNTO DA SEMANA
8 de Outubro de 2010 · Sem Comentários · 500 views
Tropa de Elite é o assunto obrigatório da semana. Parabéns ao peruano Mario Vargas Llosa, à mineira Dilma, ao paulista Serra, ao chinês do Nobel da Paz, mas o único assunto possível nessa verdadeira “semana do saco cheio” é o filme do Padilha.
Padilha é um cara curioso. Ele fala do filme com se tivesse dirigido a Noviça Rebelde, ou seja, o diretor mais badalado da atualidade em terras brasileiras, não assume os ares afetados de seus espectadores. Não discute a temática da corrupção e da violência sob dogmas políticos, religiosos, sociais ou econômicos. Ele somente fez um filme.
E que filme é esse? Tecnicamente é um belo filme. Os atores estão primorosos, a fotografia é caprichada e a montagem é instigante. Os planos fechados, principalmente nos diálogos causam ansiedade e esse sentimento torna-se praticamente insuportável quando acompanhado da batida insistente de um coração como trilha do espetáculo. Definitivamente o filme não é A Noviça Rebelde.
Não se engane pelo boné e o tênis, o Padilha não é um rebelde, muito menos um paladino da justiça. Eu já falei, ele só fez um filme e muito bem feito, por sinal. Nós é que temos de fazer o resto. Se quisermos. O Padilha é a síntese dos objetivos do cinema. Ele usa sua câmera para mostrar uma situação ficcional com inspiração na realidade. O Padilha faz cinema, nós fazemos a realidade.
Não procurem no Tropa aquilo que a elite gosta de debater. O Tropa é mais do que o surrado tema da segurança pública. O filme recorre a um conceito genérico que parece ter sumido do nosso vocabulário: o sistema. Esse sim é o personagem encarnado em um Wagner Moura de muita alma, mesmo que para isso tenha que mostrar muito corpo. Isso é dialética.
O Padilha ressuscitou o sistema e a dialética, por isso, muito mais do que o Coronel Nascimento, nós é que estamos vingados. Pelo menos enquanto durar o filme, pelo menos enquanto existirem Padilhas.













