Quem são os caras
21 de Abril de 2008 · 6 Comentários · 338 Views
É importante que tenhamos referências profissionais, mas o fato de nos conhecermos ou estabelecermos associações que facilitam as relações, não significa amizades fraternas de longa data.
Publicitários se conhecem. Isso é uma verdade. Conhecemos-nos, se não pessoalmente, temos referências uns dos outros. Sabemos sobre os empregos, os sucessos, os prêmios e temos amigos em comum. O que, no nosso caso, já é quase uma amizade de infância.
É incrível nossa capacidade em associar pessoas e fatos. Fazemos parte de uma grande comunidade, onde sempre teremos algo em comum. Ou quase sempre.
Ainda atuo como professor, e nessa condição, tenho a preocupação em falar para os meus alunos que, caso conheçam alguém verdadeiramente relevante na profissão, não precisam perder tempo perguntando se esse relevante alguém me conhece, porque, possivelmente, a resposta será não. Faço isso para não frustrar um hábito da nossa profissão, que é considerar que todo mundo sabe quem é todo mundo.
O fato de nos conhecermos ou estabelecermos associações que facilitam as relações, não significa amizades fraternas de longa data. Significa que estamos atentos uns aos outros e, melhor, que admiramos determinados profissionais mais pelos seus feitos que pelos seus olhos.
Defendo que é importante que tenhamos referências profissionais. Eu tenho algumas. Por exemplo, nunca dividi uma sala ou um avião com Washington Olivetto e ele é minha grande referência profissional. Com ele concluí que somos contadores de histórias, com ele quis eu ser também um contador. O fato de nunca termos estado juntos, não muda em nada minha relação de admiração e respeito por esse profissional. E hoje, muitos anos depois, ainda não tive a oportunidade de conversar com o Washington pessoalmente. Também nutro uma grande admiração pelo Julio Ribeiro, profissional que me ensinou a pensar em planejamento de comunicação. Pois não o conheço e nunca estivemos juntos.
Outros personagens importantes na minha vida profissional eu conheci e convivi e muito me orgulho disso. Defendo a idéia de que é importante montarmos uma network, uma rede de relacionamentos profissionais. Esses relacionamentos são estabelecidos nas salas de aula, entre os colegas. Ao seu lado pode estar sentado um parceiro profissional de muita qualidade.
Também não despreze o relacionamento com os professores. E nesse caso, por favor, não julgue pelas aparências. Muitos dos nossos mestres desfrutam de prestígio e amizade com muitos publicitários e, dessa forma, podem ajudar em um início de carreira.
Os palestrantes convidados das faculdades também podem ser uma forma de ampliação de seus conhecimentos profissionais. É uma praxe que no final da apresentação esses profissionais divulguem seus endereços na Internet, pois anote e no dia seguinte escreva. Faça considerações sobre o que você ouviu ou formule uma pergunta. Leia algumas vezes antes de enviar. Verifique se faz sentido a questão. Não queime seu filme. Esse palestrante vai gostar desse retorno. Freqüentar palestras também é uma maneira de se aprimorar profissionalmente e conhecer pessoas. Selecione áreas do seu interesse e assista a seminários. Além do mais isso complementa seu currículo. Você tem um?
Por outro lado, quando iniciar sua tão sonhada carreira profissional, não esqueça que tem um monte de gente querendo conhecer sua história pessoal. Seja disponível para passar para frente aquilo que você aprendeu. Ou seja, dê palestras, cursos e seminários. Receba as pessoas, atenda ao telefone. Vai lhe cansar, mas é assim que funciona.
CURRÍCULO
E sobre seu currículo? Está atualizado? Completo? É verdadeiro?
Em nossos currículos, mais importante que o cargo que ocupamos, são os clientes ou projetos dos quais participamos. O nome das marcas com as quais trabalhamos nos credencia. É uma referência, uma sinalização para o mercado.
Muitos de nós começamos em empresas pequenas. Nossas credenciais são para quem prestamos serviços. Participar de uma ação promocional na praia como supervisor da empresa de promoção X pode não ter valor nenhum. Ser supervisor da ação promocional da Jonhson & Jonhson é currículo.
Outro importante detalhe é a cultura do currículo curto. Sob o pretexto de que as pessoas lêem cada vez menos, se faz currículos menores que não retratam suas experiências profissionais. Pois convoco todos para uma cruzada contra o currículo commodity, aquele que os consultores indicam, que estão à disposição nos sites, que não dizem nada. Currículo é a apresentação. Quem fez pouco, tem currículo pequeno; quem fez muito, tem currículo grande. Não há regras. Ou se há, se elas nos são impostas, vamos romper com essa ditadura que trata diferentes como iguais.
Os currículos são diferentes porque nossas experiências são diferentes.
Ainda bem!


















