Dois bancos, um presidente e os saltos altos

5 de Novembro de 2008 · 1 Comentário · 112 Views

Não gosto de atrasar os textos do Bloganda. Por isso, antes das justificativas, peço desculpas aos blogandeiros, apesar de considerar que a companhia do Marcio Sépia é muito boa.

Atrasei a coluna por causa do volume de novidades com as quais fomos brindados nesse começo de semana.
Quando poderíamos imaginar que os bancos Itaú e Unibanco iriam se fundir?
Quando poderíamos imaginar que, enquanto os dois publicitários responsáveis pelas contas dos bancos batiam boca em público, seus clientes brindavam a união com champanhe e bem-casados?

Por falar nisso, me passa pela cabeça a seguinte dúvida: ou o Nizan Guanaes e o Fábio Fernandes sabiam muito ou não sabiam era nada.

Como essa história não vazou? O que falaram os organizadores da coletiva para o pessoal da produção do cenário atrás dos dois principais executivos dos bancos? O cenário tinha as marcas do Itaú e do Unibanco lado a lado.

O que foi dito para o pessoal do MAM – Museu de Arte Moderna?

Sem respostas para todas essas questões, resta-me dizer que eu não acho nada sobre a fusão. Uma colunista social de um grande jornal paulistano afirmou que, no momento em que as dez vias do contrato foram assinadas pelos representantes das famílias controladoras dos dois bancos, houve muita emoção entre os presentes e momentos de lembrança sobre os ideais dos fundadores das instituições. Ou seja, uma baboseira. Vocês realmente acreditam que controladores de empresas do tamanho do Itaú e do Unibanco se emocionam com situações como essa?

Tentar humanizar as relações comerciais é um dos vícios dos dias de hoje.
Já houve um texto publicado nesse Bloganda em que comentávamos que, a continuar assim, todos teremos o mesmo patrão. A profecia está se confirmando.

Mudando de assunto, escrevo esse artigo sem saber quem será o próximo presidente dos EUA. Tenho lá os meus palpites, mas não vou revelar porque aprendi que uma das magias dos americanos é nos surpreender. De toda forma, termina a novela e o mundo enfim saberá que nada, absolutamente nada, mudará.

Nos mesmos moldes da mega-fusão bancária brasileira, a eleição do presidente dos Estados Unidos não altera em nada a ordem natural das coisas.

O que não se altera também é a forma com que a indústria automobilística percebe a si mesma e o seu consumidor. Visitei o Salão do Automóvel em São Paulo. Centenas de modelos de carros e de modelos de mulheres. Não quero parecer ingênuo, mas essa fórmula “carros & mulheres” está ultrapassada. Eu quero saber como é que a Terra não vai se transformar em uma panela de pressão, sem recursos naturais para alimentar a humanidade e a indústria “cola” ao lado de cada carro uma mulher.

Os carros são lindos e as mulheres são lindas, mas a combinação é desastrosa. Tão cuidadosas são as indústrias automobilísticas na elaboração de suas peças publicitárias e tão banais no projeto de seus estandes promocionais. Por que há de haver uma mulher de vestido longo ao lado de um carro? O que isso significa? Qual a mensagem? Para qual público?

Não há respostas e tudo que objetivava a tão sonhada diferenciação, fica absolutamente igual.

Cada vez mais, nós publicitários estaremos envolvidos com todos os pontos de contato das marcas com os consumidores, portanto eventos como o Salão do Automóvel são importantes na construção e consolidação de projetos de comunicação. Nada se diferencia no Salão. Os carros são parecidos, os estandes são parecidos e as mulheres são parecidas.

A exceção fica para marcas que foram construídas sob outras plataformas, que não os sapatos das promotoras.



Chegando no cliente

31 de Outubro de 2008 · 2 Comentários · 76 Views



As traquinagens da TV Cultura

27 de Outubro de 2008 · Sem Comentários · 112 Views

Nossa TV mais pública se alia aos interesses privados.
A TV Cultura divulgou nos últimos dias sua decisão de, a partir de janeiro de 2009, não mais aceitar em sua programação, anúncios de produtos infantis.

A medida, tomada no interior de sua administração, é mais uma demonstração do pouco espírito público do canal, que toma atitudes de grande impacto, sem precedê-las de uma ampla discussão com a sociedade.
A TV Cultura é um exemplo de excelência na sua programação, em especial a destinada às crianças. Construiu esse patrimônio a partir de sucessivas iniciativas de sucesso que obtiveram, rapidamente, reconhecimento nacional e internacional.
O mercado publicitário, representado por agências e anunciantes, foi o apoiador de primeira hora dessa forma de tratar a programação infantil. Aderiu à proposta e, respeitadas as condições comerciais do canal, investiu na produção de comerciais e licenciamento de produtos.
Tudo foi feito com muita ética e responsabilidade. Os anúncios procuravam seguir a orientação dos programas e as marcas se beneficiaram dessa atitude conquistando novos consumidores empolgados com um novo jeito de se fazer TV e propaganda para crianças.
Embalados por interesses mais difusos do que aqueles que fizeram a TV Cultura apoiar um candidato à presidência da República nas últimas eleições, a decisão além de arbitrária é demagógica e atende aos interesses dos que pretendem satanizar a propaganda como a origem de todos os males que afligem a sociedade brasileira.

Não é papel da TV Cultura ceder às pressões de membros de seu Conselho Curador diretamente interessados na proibição da propaganda infantil. Mais honesto seria promover o debate em torno do assunto. Foi dessa forma que, há quase 10 anos, o canal promoveu uma revolução na concepção de programas infantis e reinventou a maneira de produzir programas com a colaboração de diversos especialistas.
A proibição é um ato covarde que não faz jus às tradições da TV Cultura. É a maneira mais fácil, mais prática e mais autoritária. Ao proibir a propaganda de produtos infantis, a TV Cultura rompe o debate sobre a construção da auto-regulamentação, promovido por todos os setores que compõe a indústria da comunicação, inclusive a sociedade civil e que pretende evitar os constantes arroubos de censura sobre a liberdade da expressão comercial.
Baseados em teses que já foram visitadas pela propaganda para a formulação da auto-regulamentação, os defensores da proibição procuram impingir aos anunciantes, agências e veículos a fama de irresponsáveis, interessados somente no lucro fácil advindo do consumo desenfreado que atinge, inclusive e principalmente as crianças.
Esquecem os censores dos tempos modernos, que a atividade publicitária, há muito, tomou a decisão de se auto-regulamentar e discutir com a sociedade os abusos de determinadas marcas e produtos. Esquivam-se do debate e apelam para a proibição, inclusive por força de lei. Utilizam-se de métodos sórdidos como os que provocaram a decisão da TV Cultura, a mais pública das nossas TVs que insiste em se render aos interesses privados.

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Assista aqui o programa especial do Ver TV que foi ao ar dia 19/10/08 na TV Câmara:

http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=MAT&velocidade=100k&Materia=73906

Durante o programa foi discutido o projeto de lei que prevê restrição da publicidade infantil, tema da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”.

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* Envie sua peça com título para campanha@bloganda.com.br.
Ela deverá estar no formato de página simples, em RGB e no máximo com 400kb.
Envio das peças até o dia 20/11/2008. Saiba mais clicando aqui.