PATROCINADORES BABACAS

17 de Julho de 2010 · 1 Comentário · 184 views

O futebol se nega a sair da pauta. Não bastasse a pífia participação da Seleção Brasileira em solo africano, o bandido Bruno (me nego a usar sua função de goleiro), jogador profissional do Clube de Regatas Flamengo é preso acusado de seqüestro seguido de assassinato.

Por alguns meses cultivamos a ignorância do técnico Dunga que agora soterrado pelo fracasso na África do Sul seria substituído pelo culto aos ignorantes atores do Campeonato Brasileiro da primeira divisão. Pois bem, não há tempo para respirar, os jogadores profissionais (SIC), ausentes das manchetes no último mês, não aguardaram a bola rolar para virar notícia.

No caso do bandido Bruno a empresa empregadora, o Flamengo, assumiu seu papel de patrão e com rapidez invejável suspendeu o jogador. Tivesse verdadeiramente exercido seu papel de empresa responsável, teria assumido as rédeas da situação muito antes da barbaridade do assassinato ter acontecido.

Pego de surpresa pela crueldade do bandido Bruno, o Flamengo se apresenta como vitima das circunstâncias, posição que, além de mentirosa, não lhe cai bem. O Clube de Regatas Flamengo é completamente responsável pelo o que o Brasil inteiro assiste de “boca aberta“. O brutal e covarde assassinato (mais um) de uma mulher. Esse feito foi praticado por um funcionário do Flamengo com sua total e irrestrita anuência.

A pose de patrão traído pelo ingrato Bruno não cabe ao Flamengo. Tão responsável pelas atitudes do jogador quanto o Dunga pelo desempenho da seleção. O Flamengo, como todos os times de futebol brasileiros, é responsável pelos atos de seus funcionários, porque a menos que se prove ao contrário (e será difícil), incentiva toda a ordem de delitos praticados por esses jovens despreparados. Por esses bandidos.

Se eximir de responsabilidade, atitude comum dos clubes de futebol diante do descontrole de seus colaboradores, é a atitude mais comum dessas empresas que aferem recursos através desses seus patrimônios, os jogadores. A suspensão do bandido Bruno não se deu pela dimensão do fato, o qual a presidente do clube tinha, desde o início, amplo conhecimento. Se deu pela impossibilidade de sustentar qualquer versão favorável ao funcionário/patrimônio envolvido até “as tampas“ com o crime.

O Flamengo, assim como os outros clubes de futebol brasileiro, comete o crime da omissão com uma “cara de pau“ de causar espanto e é tão responsável pelo ocorrido quanto o bandido Bruno.

Também praticam a omissão os patrocinadores, os babacas. Empresas que se apresentam como paladinos do esporte nacional, defensoras da formação do caráter do brasileiro através do incentivo à pratica esportiva e, de verdade, não passam de cúmplices dos clubes no crime de deformar a conduta de milhares de jovens brasileiros em favor do culto a personalidade, à mídia fácil, à fama sem conseqüências.

A proximidade de importantes eventos esportivos em solo brasileiro expõe a fragilidade dos patrocinadores babacas entorpecidos pelos valores e desprovidos de qualquer responsabilidade sobre a conseqüência de seus vultuosos investimentos.

A imprensa, refém dos patrocinadores babacas, se limita a perguntar o quanto foi investido para receber, invariavelmente, a mesma resposta: “não podemos divulgar os números“. A cena se repete infinitas vezes e os protagonistas assumem seus papeis de pouco talento com orgulho.

Recomendo que se modifique o texto. Que ao invés de questionar sobre os investimentos a imprensa pergunte sobre o que os patrocinadores estão fazendo em prol da formação de seus patrocinados. Quantos dos jovens jogadores completaram o ensino fundamental e médio? Quantas famílias foram orientadas de como proceder com o dinheiro justamente recebido?

Todos sabem que a responsabilidade das empresas com seus colaboradores extrapola o limite da função.  No caso do futebol, comparecer aos treinos no horário combinado não pode ser a única exigência para quem recebe o que se diz que esses profissionais recebem.

Os clubes omissos e os patrocinadores babacas se fazem de surdos à responsabilidade de orientar os jovens jogadores sobre seus direitos e responsabilidades. Há poucos meses o bandido Bruno deu declarações de fazer corar os mais desprovidos de moral e, mesmo assim, continuou gozando de todos os privilégios reservados aos heróis do esporte nacional. Os patrocinadores babacas do Flamengo não fizeram absolutamente nada com relação ao seu contrato e suas opiniões externaram os pensamentos que se faz supor, são apoiados pelas empresas patrocinadoras.

Precisou esse bandido cometer um dos mais bárbaros crimes já praticado nos últimos tempos para que os patrocinadores babacas viessem a público declarar que o contrato está findo. Agora que o bandido Bruno está preso e execrado pela sociedade brasileira, os babacas se manifestam com a autoridade de um rato.

São covardes esses patrocinadores. Tão despreparados quanto seus patrocinados e tão responsáveis pelos atos criminosos quanto o bandido Bruno. Que sirva de alerta às empresas interessadas no patrocínio esportivo. Patrocinar não é encontrar um bom lugar na camiseta para expor o nome. Patrocinar é se expor como empresa e transferir valores para os jovens desportistas. Se o Brasil irá efetivamente inaugurar uma nova era no esporte, terá que também instaurar um comportamento de mais responsabilidade por parte dos patrocinadores esportivos. Um comportamento que não se limite à exposição de marca. Quem expõe marca em camisetas não é patrocinador, é, simplesmente, babaca.



O ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO NOS SEMÁFOROS DE SÃO PAULO

29 de Junho de 2010 · Sem Comentários · 118 views

É irresistível comentar um fenômeno que acontece em São Paulo e, com certeza, em outras grande cidades brasileiras: a qualidade das apresentações nos semáforos.

Isso mesmo. O espetáculo do crescimento finalmente chegou às esquinas de São Paulo e fez com que os enfadonhos malabaristas de limão fossem substituídos por apresentações que, ouso afirmar, são de profissionais.

É um alívio não ter mais de conviver com os tacanhos aprendizes e passar a presenciar verdadeiros profissionais que estimulam a recompensa pelo belo espetáculo e não pelas visíveis condições financeiras, ou a falta delas.

O fato é que a cada esquina há uma proposta diferente. Nesse final de semana, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, um homem com o uniforme da Seleção Brasileira de futebol fazia acrobacias com uma bola. Um exemplo de pertinência a um mês do início da Copa do Mundo da África do Sul. Na Av. Heitor Penteado, perto da Estação Vila Madalena do Metrô, um malabarista manejava uma esfera, aparentemente de cristal, de tal forma que em um dos trechos do show se tem a nítida impressão que o objeto flutua no ar. Na tradicional esquina entre as avenidas Brasil e Rebouças, artistas manejam com tal desenvoltura as tochas incandescentes que os motoristas esquecem do desproporcional tempo que ficam parados se estiverem na Avenida Brasil.

Tudo isso vem selar o bom momento do Brasil, pelo menos no aspecto de qualidade das situações cotidianas a que somos submetidos. Ninguém admite ser o farol o ambiente ideal para a demonstração pública de dotes artísticos, mas se isso é um fato de difícil solução para as administrações públicas que não conseguem garantir colocações profissionais para os cidadãos, que o recurso seja aprazível aos olhos da comunidade.

As manifestações a que fui submetido no meu final de semana paulistano não foram de crianças carentes exploradas por adultos bandidos. Foram de adultos talentosos explorando seus dotes. Aí está a diferença. O espaço público representado pelas ruas e avenidas pode ser palco de apresentações esporádicas. Isso faz parte do cenário urbano e é saudável. O que é insuportável são as crianças atirando limões desordenadamente para cima simulando uma arte que não existe e estimulando um tipo de filantropia que não cabe mais no modelo de sociedade que almejamos para o Brasil.