Parem o mundo que o break sumiu
16 de Outubro de 2007 · 7 Comentários · 483 Views
O break comercial, aquele espaço para a propaganda televisiva consagrado como a “hora do xixi”, não vai mais existir. E a primeira conseqüência imediata de sua derrocada é “a que horas vamos fazer xixi?”. Toda uma civilização posta em risco, por conta da impossibilidade daquela “paradinha”, tão fundamental para satisfazer nossas necessidades fisiológicas.
Pois virem-se sobre o xixi. Façam antes, segurem, se sujem, não sei, porque o que nos interessa e é mais importante do que o xixi é: como vamos atuar como publicitários sem o break comercial?
Os mais céticos e persecutórios podem reputar à sua tradicional falta de sorte a coincidência entre o fim do break e sua entrada no mercado profissional: “Logo agora que eu me formei e preciso arranjar um emprego, acabou o break!!!”. Lamentos à parte, foi exatamente isso que ocorreu. Sem dó ou piedade.
Não serve de consolo, mas podem acreditar que tem gente (dos grandes), lamentando bem mais do que vocês, jovens profissionais. Gerações e gerações de publicitários sustentaram famílias através do break e esgotaram esse modelo como quem explora petróleo, até o fim.
NOVA REGRA
O break comercial, ou seja, os 15 minutos por hora destinados à comercialização de espaços para a propaganda, tem seus dias contados como modelo de negócio dos veículos. A digitalização da televisão vai impor uma nova regra e, nessa regra, não cabem espaços exclusivos para a propaganda. Não cabe definir o que é conteúdo e o que é comercial.
Para facilitar a compreensão disso, façamos um paralelo com a Internet. Algum de nós consegue imaginar a Internet com break comercial, espaços diferenciados onde, ao invés de acesso aos conteúdos, fiquemos submetidos à venda de produtos e serviços? Óbvio que não.
Reclamamos das intervenções pouco criativas a que somos submetidos quando visitamos determinados sites. Pois bem, televisão digital está mais para Internet do que para a tv que conhecemos hoje. Ouso afirmar que a tv como conhecemos não vai mais existir e fará parte da história que vamos contar para os mais próximos.
HORA DE REPENSAR
Nesse novo modelo, que não permite a separação entre conteúdo e comercial, o break desaparece, os 30 segundos vão para o espaço e todo o modelo de negócio sobre o qual está calçada nossa propaganda deve ser repensado. Estamos fazendo isso?
Li, certo dia, de um renomado e respeitado profissional de televisão, um chiste (gozação) sobre a impossibilidade de todos os conteúdos terem merchandising, ou seja, inserções comerciais no corpo do conteúdo. A gozação era sobre o fato de ser inverossímil que os conteúdos tenham capacidade de absorver o volume comercial que hoje está diluído nos 15 minutos por hora.
Me surpreendo com o fato de alguns se agarrarem ao que conhecem e desprezarem o que está por vir. Não sei aonde vamos “enfiar” os 15 minutos de comerciais por hora, mas sei que não quero assistir televisão digital com breaks comerciais e que por isso, só por isso, eles terão outro formato na televisão de amanhã.
Na transmissão digital, assim como na Internet, o telespectador vai poder escolher o programa que quer assistir e assistí-lo no horário que bem entender. Se não é refém da grade de horário das emissoras, também pode optar em pular todos os comerciais. A introdução desse novo modelo pode até ser retardada, como efetivamente vem sendo, mas não tem como ser evitada.
Sobre tv digital cabe outro alerta, para que não sejamos tidos como bobos. A qualidade de recepção da imagem na tv digital é um dos seus benefícios, mas está distante de ser o único como querem nos vender. TV digital não é tv com qualidade de imagem. TV digital é tv sem espaços comerciais, sem grades de programação e sem espaços publicitários. É nisso que os futuros profissionais de propaganda devem pensar, refletir e apresentar idéias, sob pena de, mais uma vez, ficarmos a reboque dos projetos hegemônicos que visam à perpetuação do status quo.


















