A VERDADE SOBRE A COPA EM 3D NOS CINEMAS
3 de Junho de 2010 · 1 Comentário · 284 views
O prazo de entrega de um projetor digital 3D é de janeiro de 2011. Ou seja, qualquer dono de cinema do mundo que queira incrementar o seu parque de exibição com a instalação de projetores capazes de reproduzir imagens em terceira dimensão, independente do seu tamanho e dinheiro, terá de esperar até o próximo ano para alcançar seu pleito.
Isso é conseqüência do volume de pedidos que a indústria do cinema fez à indústria de tecnologia e a falta de capacidade de ambas se estruturarem para atender a demanda do público.
Desde 1895, quando da primeira projeção pública patrocinada pelos irmãos Lumière, o cinema mudou muito pouco seu modelo de operação. Nos últimos 100 anos sua plataforma foi a mesma, com exceção do som e da cor, duas revoluções para suas épocas, rapidamente incorporadas ao sistema operacional da produção, distribuição e exibição.
A terceira dimensão é uma experiência original da década de 50 mas só se incorporou à indústria do cinema 60 anos depois e se não pegou todos de surpresa, pegou todos despreparados, o que, cá entre nós, é pior do que o susto.
Como ocorre em momentos de euforia tecnológica há uma esquizofrenia coletiva em relação ao 3D e com a proximidade da Copa do Mundo da África e a divulgação de que alguns jogos serão captados com o recurso da terceira dimensão, os olhares se voltaram para o evento esportivo e sua transmissão em salas de cinema do Brasil.
A verdade é que alguns jogos terão efetivamente suas imagens captadas com as câmeras especiais criadas para proporcionarem a ilusão do 3D. Também é verdade que essas imagens serão editadas e se transformarão em um filme da Copa que, possivelmente, será lançado nas telas de cinema. O que ninguém sabe é sobre a possibilidade da transmissão ao vivo de jogos em 3D em cinemas.
O primeiro obstáculo é a própria FIFA, proprietária do evento e única detentora do direito de liberar as imagens para transmissões ao vivo. O segundo obstáculo é a capacidade física das imagens chegarem ao seu destino, o que nós chamamos de banda, e que no caso brasileiro é um forte limitador. Também é importante considerar que no Brasil os direitos de transmissão são da TV Globo e não se conhece o interesse da emissora em projetar ou não os jogos em 3D no cinema.
Mesmo assim, diariamente lemos notas nos jornais especializados ou não, sobre o fato dos cinemas transmitirem, em terceira dimensão, os jogos da Copa. Pois nada disso é ainda verdade e só serve para criar expectativas no mercado de agências e anunciantes que cultivam a inovação mas sobrevivem com modelos arcaicos do tipo “mídia da mãe“.
Quisessem mesmo inovar não precisariam esperar a Copa do Mundo e sua eventual transmissão em salas de cinema. Basta produzir anúncios 3D e veicular nos lançamentos mensais que ocorrem nas mais de 100 salas brasileiras capacitadas com a tecnologia.













