A ética e o companheirismo

14 de Dezembro de 2009 · 4 Comentários · 193 views

Forjei na propaganda relações que, se não tão íntimas, foram valiosas para me considerar uma pessoa querida pelos meus pares e capaz de provocar mobilizações em prol de idéias para o aprimoramento da nossa profissão. Isso parece companheirismo, mas para nós publicitários, é ética.

Somos mais éticos do que companheiros. A afirmação é forte, mas é verdadeira. Muitas atividades profissionais se pautam pelo companheirismo. Médicos, advogados e engenheiros, são companheiros uns dos outros.

Isso os torna imunes aos ataques da sociedade que não consegue ver prosperar denuncias das mais diferentes ordens, tais como, erros profissionais, cobranças indevidas, reservas de mercado entre outros.

Nós publicitários, desenvolvemos a capacidade de avaliação sobre o trabalho alheio sem restrições. Por isso promovemos e participamos de inúmeros festivais onde submetemos nossos trabalhos à apreciação de outros publicitários e encaramos os resultados com naturalidade quando não somos premiados, e com festa quando conquistamos alguma láurea.

É difícil imaginar médicos submetendo seus procedimentos para um grupo de jurados médicos isentos. O que acontece, com alguma freqüência, são os congressos médicos onde a apresentação de trabalhos é patrocinada por laboratórios farmacêuticos interessados na divulgação de suas patentes.

Não satisfeitos com os Festivais, mantemos nosso próprio órgão fiscalizador, capaz de retirar de veiculação qualquer anúncio que não respeite o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Não abrimos sindicâncias estéreis. Qualquer consumidor desgostoso dos rumos da propaganda reclama e é imediatamente atendido.

Experimentem essa agilidade nos Conselhos Regionais de Medicina ou Engenharia e na Ordem dos Advogados do Brasil. Os companheiros se protegem em detrimento da ética.

Por isso o jovem profissional de propaganda precisa entender desde cedo que algumas das nossas atitudes são orientadas pela ética e não pelo companheirismo. Somos vaidosos, valorizamos nossas conquistas e conseguimos destacar do coletivo aquilo que foi pensado e executado individualmente. Não há ressentimentos nesse comportamento que é ético, porém desprovido do sentido de companheirismo que conhecemos que enaltece o coletivo e não o individual. Isso é o personalismo da propaganda e é o que provoca o culto às personalidades. Faça o teste, sua mãe conhece mais publicitários famosos do que cardiologistas.

Expomo-nos através dos trabalhos ao juízo permanente da sociedade e dos nossos pares e não nos escondemos das conseqüências. Sofremos a condenação à propaganda de cigarros e a extinção da mídia exterior na cidade de São Paulo. Em ambos os casos debatemos o tema com a maturidade necessária sem ceder das nossas posições, mas cientes das responsabilidades e sem os escapes das grandes corporações.

O espaço que o debate sobre a propaganda ocupa no cenário nacional é diretamente proporcional à ética da atividade. Só em ambientes onde as relações éticas se sobrepõe ao companheirismo a discussão prospera e todos nós, profissionais de propaganda, devemos nos orgulhar disso.



Se quiser falar comigo não anuncia na TV aberta

8 de Dezembro de 2009 · 5 Comentários · 309 views

Todas as vezes que esse Bloganda tentou apelar para a mobilização de seus leitores não obteve resultados positivos. Mas somos persistentes e continuamos querendo mostrar que nossas propostas encontram eco no conjunto da sociedade preocupada com a formação do profissional de propaganda.

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Nossa derradeira iniciativa para esse ano de 2009 é localizar pessoas que concordem com a afirmação “Se quiser falar comigo não anuncia na TV aberta”. Quanto mais pessoas aderirem ao movimento, mais bem informados ficarão agências e anunciantes para definirem a aplicação das suas verbas publicitárias.
O movimento “Se quiser falar comigo não anuncia na TV aberta” faz coro com a queda de audiência da TV no Brasil que chega a registrar na média nos últimos 10 anos, 12% a menos de aparelhos ligados. Porém esse número não parece suficiente para convencer agências e anunciantes de que para falar com determinadas pessoas a TV aberta não funciona.

Por isso queremos que você envie um comentário com, no mínimo, a frase “eu concordo” para que possamos iniciar a contabilização de quantos brasileiros hoje vivem na condição de excluídos da publicidade por que optaram por outras plataformas de comunicação e outras mídias.

Sabemos que a iniciativa é, no mínimo, pretensiosa, mas temos convicção de que os números divulgados pelos institutos de pesquisa não correspondem à realidade de que, cada vez mais, a TV aberta atraí menos.

Nas últimas semanas as redes de televisão do Brasil culparam o calor para o afastamento da audiência. Portanto ficam afastadas razões como a grade que não se atualiza, a mesmice dos enredos, a carência de bons atores, a chatice dos telejornais, a falta de inovação e mais uma centena de justificativas e tudo fica na conta do calor.

A campanha “Se quiser falar comigo não anuncia na TV aberta” defende o calor, não o aquecimento, e ousa desafiar os defensores do frio como salvação da TV que, mesmo no inverno causticante, agências e anunciantes terão de encontrar outros meios de transmitir suas mensagens publicitárias.

Participe da campanha “Se quiser falar comigo não anuncia na TV aberta” e não concorra a nada a não ser ao risco de ter uma distribuição de verbas mais alinhadas ao comportamento do consumidor e menos atrelada às vontades dos grandes meios de comunicação, principalmente a TV aberta brasileira.