A MIGRAÇÃO DAS AUDIÊNCIAS

9 de Agosto de 2011 · Sem Comentários · 198 views

Em editorial da última edição da revista Tela Viva (Converge Comunicações – 216, junho 2011), o editor André Mermelstein questiona “Em um mundo de mídias fragmentadas, com cada vez mais opções ao consumidor, não estará a TV aberta, tão fundamental para a integração nacional, se tornando um veículo menor, desimportante, quando abre mão de gerar conteúdos para virar um loteamento de projetos comerciais ou confessionais? Não corre o risco de ficar para trás naquilo que sempre foi sua marca: a inovação, o desenvolvimento de talentos, a informação e o entretenimento?”

São pertinentes as questões do jornalista e encontram ressonância no comportamento do consumidor como se observa nas informações contidas na coluna Sem Intervalo, de Cristina Padiglione (jornal O Estado de S. Paulo, 04 de agosto de 2011, Caderno 2, página D8) com título “Globo cai 7% no Ibope nacional em sete meses”.

Segundo as informações do instituto de pesquisa divulgadas pela coluna a “TV Globo perdeu 7% de audiência absoluta, indo de 19 para 17,7 pontos e 6% de share – de 44,9% para 42,2%, com um adendo: o número de televisores ligados baixou de 42,3% em 2010, para 41,9% em 2011”, isso considerando a projeção para todo o território nacional, de janeiro a julho desse ano em comparação a 2010, das 7 horas à 0 hora.

É cada vez mais freqüente esse tipo de informação que, em toda nova divulgação, se arma de dados numéricos como se necessitasse respaldar com a matemática aquilo que todos constatamos.

Não condeno a atenção aos números, uma das formas mais eficientes de quebrar a resistência aos novos tempos, mas considero que a conquista pela atenção do consumidor brasileiro é também um exercício de sensibilidade de agências e anunciantes. O placar das audiências televisivas apresenta a fadiga típica de um meio que procura se adequar à nova ordem da mídia.

Alguns chamam esse processo de fragmentação das mídias, expressão cada vez mais usada para denominar o crescente desinteresse dos brasileiros por aquilo que é programado pela TV. Aparelhos desligados não significam fragmentação e sim migração. O consumidor migra por considerar outras opções de informação e entretenimento.

O conceito de fragmentação é mais palatável aos profissionais de mídia que podem considerar o atual momento uma transição do comportamento dos consumidores para a adoção de outras plataformas. Desconfio que é mais do que isso. Os consumidores não estão fragmentando seu consumo de mídia, estão alterando hábitos, abandonando padrões enfim, migrando. Os números de audiência começam, tardiamente, a retratar essa realidade. Resta saber quando a distribuição das verbas irá acompanhar.



REFÉNS

2 de Agosto de 2011 · Sem Comentários · 215 views

“Na era digital, os consumidores não querem ser reféns da programação” a afirmação é de Fernando Laurito Summa, gerente de produto da LG Brasil em entrevista para a jornalista Marili Ribeiro na matéria “TV com acesso à internet ganha mais recursos”,  publicada na terça-feira, dia 26 de julho no Caderno de Negócios do jornal O Estado de S. Paulo (página B14).

Em determinado momento a jornalista afirma “As emissoras vinham resistindo a essa iniciativa, por temerem prejuízos ao faturamento com publicidade” em referência ao fato que a fabricante Sony foi a primeira a personalizar o conteúdo de uma emissora aberta, o SBT.

Parabéns ao SBT que, com sua atitude, procura libertar o consumidor do seqüestro promovido pela resistência à modernidade, ou melhor, aos fatos. Não se pode mais admitir que o modelo de negócio da propaganda brasileira dite as regras de comportamento do cidadão sobre o consumo das mídias.

Na mesma direção da libertação, o Internet Advertising Bureau (IAB) divulgou sua estimativa de que o setor de buscadores movimentará R$ 3,040 bilhões em publicidade até o final desse ano (edição impressa do Meio & Mensagem de 1 de agosto de 2011, Sérgio Damasceno, página 36 e 37), o que fará da internet o terceiro maior meio de comunicação no Brasil atrás da televisão e jornal.

Viva os números que sempre existiram, mas só agora são divulgados. Ou seja, o comportamento do consumidor não é refletido no dia a dia da compra de mídia pelas agências brasileiras que continuam apostando em um cidadão que, por não existir, não consome os produtos que são anunciados.

Só nos dias 29, 30 e 31 de agosto (sexta, sábado e domingo), mais de 2 milhões de brasileiros foram ao cinema, o que significa 30% a mais do que o mesmo final de semana de 2010 e deixaram nas bilheterias R$ 24 milhões, 45% a mais do que no ano passado.

A compra de mídia não acompanha o comportamento do consumidor e a divulgação dos números é um fator relevante, mas não determinante para a mudança de postura das agências e anunciantes. É preciso questionar o que realmente impede que a distribuição das verbas reflita as audiências dos meios e veículos e para isso o primeiro passo é admitir que os consumidores, verdadeiramente, não são mais nossos reféns.