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Estudar é preciso, trabalhar não é preciso

Terça-feira, Novembro 3rd, 2009

A formação do profissional de propaganda não se dá nas empresas, se dá nas faculdades e em todos os sub-produtos que proporcionam informação.

A ShowEast é um evento americano com pretensões internacionais. Isso significa dizer que os americanos fazem a festa e o mundo é convidado para conhecer a casa nova. Nesse caso, a casa nova, são os lançamentos dos filmes para a próxima temporada, o inverno americano.

Como todo o evento que se preza, a ShowEast é composta por algumas palestras, algumas exibições de filmes em lançamento, muito equipamento e uma incontável possibilidade de promover relacionamentos. Sim, é para isso que esses eventos existem, para promover o relacionamento interpessoal.

Mesmo com toda a tecnologia a nossa disposição tornou-se imperativo que, em alguns momentos, tenhamos um contato face to face. A relação digital ficou tão banalizada nos dias de hoje, que os momentos olho no olho assumiram uma grande importância.

Encontrar-se no lobby do hotel para uma conversa regada a café é o motivo do deslocamento de quilometros até a cidade de Orlando. Desses encontros se espera resultados nos negócios e eu não duvido nada de que isso possa realmente ocorrer tamanha é a vontade de todos para que ocorra.

As grandes coorporações empresariais aproveitam o evento para promoverem suas reuniões anuais com gente de todo o mundo, ou de parte dele.  Sempre sinto falta de europeus nesses encontros americanos. Esses encontros servem para troca de práticas de sucesso em diferentes realidades.

Participar de um evento com essas características, para mim, é uma grande experiência. Depois de anos vivenciando esse tipo de situação ainda não me cansei de admirar as inumeras possibilidades de negócios e de ideias que surgem pelo simples fato de, durante não mais do que uma semana, nós sairmos do ambiente de trabalho convencional e explorarmos outros ambientes.

Na minha época de estudante, preocupado com a minha viabilidade, uma forma bonita de dizer ¨como ganhar dinheiro¨, participei pouco desses momentos que na época de faculdade se traduzem nos seminários, palestras, encontros, festivais, fóruns e uma infinidade de nomes que significam a mesma coisa: um monte de gente junta conversando sobre um tema específico.

Depois de quase trinta anos de trabalho em propaganda, uma das dicas que eu ainda acho relevante é de que os futuros profissionais de propaganda aproveitem o período de formação para se formar. Isso mesmo, se formar. E se formar não é servir café em agências de propaganda. Se formar é participar do processo de exposição à informação, retenção da informação e transformação dessa informação em conhecimento e, me parece, que servir café é mais modesto do que isso.

A ânsia pelo estágio a qualquer custo, para fazer qualquer coisa, como forma de formação, nada mais é do uma forma de exploração de mão de obra desqualificada e barata. A ideia de que a formação profissional se dá pela vivência de determinadas situações reais da vida no ambiente de trabalho é uma verdade relativa, que perdura até a página 3.

Incapaz de fazer a sinapse (a transformação da informação em conhecimento, para ser apropriado e aplicado em situações aparentemente diferentes) é resultado de uma exposição massiva a teses e conceitos que não são o dia a dia de um anunciante preocupado com suas vendas, de um veiculo preocupado com seus contratos de patrocínio ou de uma agência de propaganda preocupada com seu faturamento.

É uma mentira, uma lenda a informação de que um publicitário se forma fazendo. Uma maneira de manter longe do conhecimento acadêmico uma vasta quantidade de profissionais que em anos de profissão nãos conseguem ascender profissionalmente, simplesmente porque não tem formação apesar de anos de atividade diária. O fazer tem seu papel reservado no teatro da formação do profissional, mas acreditem é um bom coadjuvante. Acreditem.

A formação do profissional de propaganda não se dá nas empresas, se dá nas faculdades e em todos os sub-produtos que proporcionam informação.

Mídias, encantem-se com as compras

Segunda-feira, Agosto 3rd, 2009

Há quem defenda que o ato de comprar satisfaz uma necessidade de todo ser humano, seja ele de que gênero (homem/mulher) ou classe social (rico/pobre). Portanto, na propaganda, o profissional de mídia é uma pessoa realizada, afinal é sua responsabilidade efetuar as compras dos anunciantes junto aos veículos de comunicação.

Por essa lógica os profissionais de mídia são pessoas felizes. Passam a vida pensando na melhor compra e onde seu dinheiro vale mais. Para tanto se cercam de um conjunto de ferramentas que os ajuda a fazer a escolha certa. Nesse processo nem sempre os mídias agradam a todos. Aqueles que não foram brindados com um pedaço da verba sentem-se prejudicados e tendem emitir juízo de valores sobre a capacidade do profissional de mídia.

Além da compra amparada por aspectos técnicos, os mídias são privilegiados porque podem acompanhar a trajetória de suas compras e, em alguns casos, observar as reações das outras pessoas sobre sua decisão.

Tudo isso deveria fazer do mídia um profissional de propaganda feliz. Deveria.

Longe de considerar que os profissionais de mídia são pessoas tristes, mas o fato de passarem a vida comprando não alivia a pressão e a cobrança sobre o melhor investimento. Quanto mais crescem profissionalmente, mais oneram as suas compras e quanto maiores as verbas, menos veículos são contemplados e isso provoca contrariedade, crítica e juízos de valores.

Além disso, há outro fator. A hegemonia da mídia no Brasil (TV Globo e Editora Abril) não faz da aquisição de espaços publicitários uma atividade criativa ou cheia de ousadias e riscos, pelo contrário, um mídia pode passar toda a sua vida profissional comprando sempre a mesma coisa e, pasmem, isso é a regra, não a exceção.

Comprar, nesse caso, se torna um ato repetitivo, sem as emoções típicas dos grandes lances. Um patrocínio do futebol ou da Fórmula 1 é um ato burocrático. O comprador é o mesmo e o vendedor, invariavelmente, também. Não há surpresas.

Os profissionais de mídia percebem a chegada das novas mídias e a mudança do consumidor em relação a elas, mas são incapazes de impor essa realidade em um cenário engessado, vinculado aos números absolutos de audiência que afastam os investimentos de tudo que é diferente. Dessa forma, é difícil ser feliz, mesmo com dinheiro.

As compras precisam encantar, caso contrário tornam-se um ônus. Os futuros profissionais de propaganda, principalmente aqueles dedicados à mídia, mídia necessitam de um dose diária de encantamento, sob pena de tornarem-se profissionais dispensáveis no processo de produção da propaganda.