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O mea culpa do Bloganda e o prêmio da DM9DDB

Segunda-feira, Julho 13th, 2009

Se eu não fosse responsável por esse site, faria um comentário sobre o artigo da semana passada, O SILÊNCIO DO BLOGANDA e não perdoaria o redator pelo fato de não mencionar o prêmio de Agência do Ano para a DM9DDB, recebido na 56ª edição do Festival de Cannes.

Está estampado em todos os jornais dedicados ou não à propaganda, o fato da DM9DDB a mais baiana das agências brasileiras ter recebido pela terceira vez o Prêmio de Agência do Ano no  Festival de Cannes. As duas vezes anteriores foram nos anos de 98 e 99. Então, antes dos nossos comentários, PARABÉNS DM9DDB.

Ainda mais lamentável é o fato do Brasil ter conquistado também a segunda posição entre as todas as agências que competiam no festival. A AlmapBBDO ficou em segundo lugar com uma diferença muito pequena de pontos para a DM9DDB, 40 a 36.

Acontece que essa premiação é resultado de um intrincado processo de pontos que contempla os leões das categorias de Film, Press, Out-door e Rádio e a inclusão de trabalhos nos respectivos shorts lists.

Pois bem, não é justificativa, mas todo o discurso sobre o Festival, tanto os que o antecederam, como os que foram formulados durante e depois do evento, defendem uma propaganda plural, glorificam a categoria Titanium & Integrated que premia o conjunto das ações de comunicação, incham os casos de mídia e super valorizam o cyber e o direct. Por que então quando é para premiar a agência do ano tudo isso que é “moderno” fica de fora da pontuação?

Coisas de Cannes. Aprendi, depois de 30 anos de profissão, que não critico os critérios do Festival, mas permito-me esquecer de mencionar um prêmio que pouco reflete a realidade da a atividade publicitária.

Isso não significa que a DM9DDB não faça por merecer quantos prêmios quiserem lhe conferir. Essa é uma das grandes agências brasileiras e do mundo, mas estou muito velho para saber que o prêmio não foi uma conquista.O prêmio é conseqüência de uma estratégia planejada com o intuito de ganhar o prêmio. De novo, isso é justo.

É justo, mas de gosto duvidoso. Sabedores que as peças incluídas nos 4 shorts lists valem 1 ponto, até o limite de 10 e que isso aumenta as chances de vitória, a DM9DDB planejou seu desempenho e sai desse edição da crise com um título bem ao gosto do seu idealizador, Nizan Guanaes. Com certeza ouviremos nos próximos meses que o arauto do apocalipse, afinal ele previu a crise no MaxiMidia do ano passado, se preparou para os tempos difíceis mas não perdeu o foco na excelência criativa, ao ponto de se sagrar, pela terceira vez, Agência do Ano.

Esse título é que vai ficar e deve beneficiar toda a cadeia produtiva da propaganda brasileira que, em pleno ano de vacas magras, conquista os dois primeiros lugares entre as agências que participaram do Festival de Cannes. Vão entender de crise assim, lá em casa!

O Rutênio está demitido. Estamos todos vingados

Segunda-feira, Maio 4th, 2009

Quantas inglesas feias cantam? Todas. E quantas cantam bem? A que foi descoberta por um desses realities show que fazem o delírio dos espectadores no mundo todo e que têm como destaque seus apresentadores, os verdadeiros protagonistas do espetáculo.

Depois de uma semana inteira ouvindo, e pior, vendo uma inglesa esquisitíssima gritar em um palco para delírio da platéia e de uma comissão julgadora remunerada para ter todas aquelas reações, nosso aprendiz de feiticeiro tupiniquim, o Roberto Justos, também cumpriu seu papel social, demitiu o Rutênio.

O Rutênio foi demitido na última terça feira, dia 28 no reality show Aprendiz 6 – Universitário, onde competem estudantes do Brasil inteiro por uma oportunidade profissional em uma das empresas do empresário Roberto Justus, presidente da Newcom e principal executivo da maior agência de propaganda do mercado brasileiro, a Y&R.

O programa, exibido pela TV Record é um exemplo de qualidade em todos os aspectos, com destaque especial para a atuação de Justus. Nessa edição, o publicitário tem superado as expectativas com uma performance na medida certa entre o chefe exigente e o orientador cordial.

Na semana anterior, em uma decisão que transgride o regulamento, Roberto Justus demitiu, sem os ritos usuais, um participante que questionou os métodos do programa. Com essa atitude o publicitário apresentador demonstrou controle sobre a situação e forneceu mais lenha para a sexta edição do programa.

Mas e o Rutênio? Tão feio quanto a inglesa, com um carregado sotaque e pouca (ou nenhuma) classe no trato com as pessoas, principalmente com as mulheres, Rutênio caiu em desgraça quando escreveu uma carta repleta de erros de português para a líder da semana, com orientações de como ela deveria se comportar na liderança.

Rutênio errou tantas vezes que decidi tratá-lo nesse Bloganda. Em primeiro lugar, a liderança é uma decisão colegiada das equipes, em sistema de rodízio. As equipes são compostas, nessa fase do programa, por 6 participantes, portanto, a atitude do Rutênio de escrever uma carta para a líder é uma demonstração de prepotência. Ao escrever, o candidato registrou sua contrariedade e, a partir daí, evitou os conflitos naturais advindos das diferentes opiniões entre as pessoas. Rutênio pensou em utilizar seu manuscrito para livrar-se de possíveis responsabilidades pelo fracasso do grupo, algo parecido com o “Eu avisei!”.

Pois o “Eu avisei!” é uma das piores atitudes que um profissional pode tomar. Ao se trabalhar em grupo e, principalmente, em prol de um grupo, as contrariedades devem ser debatidas e o processo de convencimento tem que ser integral. Rutênio não estava convencido das decisões e não procurou se convencer. Ele encontrou o caminho mais curto e covarde, registrou suas opiniões em um papel e na hora da cobrança soltou o seu “Eu avisei!”.

O fato é que a carta do Rutênio era uma demonstração de analfabetismo crônico. Um amontoado de palavras desconexas, como suas idéias, escritas em uma grafia que, segundo o candidato, era português. Pois não era.

Rutênio é um analfabeto prepotente, uma casta que sobrevive no Brasil a custa dos beneplácitos de professores irresponsáveis e instituições mercantilistas. Reputou seus erros a pouca iluminação da suíte que os participantes do programa ocupam em um hotel de luxo na capital paulista.

Eu conheço centenas de Rutênios. Jovens prepotentes, sem formação intelectual ou bagagem cultural que desafiam a lei da natureza ao ascenderem na escola até as universidades. Vocês conhecem os Rutênios das suas classes. Pessoas despreparadas que expõe suas opiniões em discussões estéreis com os professores e no dia da apresentação final do trabalho de conclusão de curso para a Banca Examinadora, questionam os julgadores que identificam sua mediocridade.

Não satisfeito em expor suas deficiências pessoais em rede nacional de televisão, Rutênio afirmou que a participante líder de seu grupo na prova, “não gosta de pensar”. Típica atitude de Rutênios.

Nas nossas vidas profissionais vamos encontrar muitos Rutênios no caminho e nossa tendência será protegê-los e em alguns casos temê-los. Roberto Justus e o seu Aprendiz fizeram um favor para a vida coorporativa brasileira. Expuseram a ignorância do Rutênio ridicularizando-o em público e descartaram a desprezível figura. Rutênios vocês estão demitidos.

Veja o 6º episódio: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3