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Que saudades da Bahia

Terça-feira, Janeiro 19th, 2010

Tenho que confessar que sinto mais saudades do Dorival Caymi do que da Bahia, mas como ninguém imortalizou uma canção sobre as saudades do genial compositor brasileiro, fico com sua frase para expressar meu sentimento.

Evito explorar questões pontuais que possam delatar minhas impressões de gaúcho expatriado, mas não resisto a tentação de fazer um comentário sobre a saída das Casas Bahia do mercado gaúcho depois de 5 anos de atividade sob o pretexto de má compreensão dos gaúchos com relação à loja e da loja em relação aos gaúchos.

Ridículo. Mas prospera. A ponto do principal jornal da capital do estado listar os motivos da decisão. Todos, obviamente, ligados a fatores que fazem de nós gaúchos seres incapazes de conviver com os estrangeiros exploradores.

As justificativas começam pela força das redes locais, o foco inadequado da publicidade, uma falta de gauchismo, nome com pouco apelo e por último, mas muito grave, a pouca disposição da rede para entender as peculiaridades do mercado gaúcho e adaptar suas práticas às peculiaridades locais. Uma bobagem sem tamanho.

O insucesso das marcas em determinados mercados está vinculado a diversos fatores e entre eles é importante sua capacidade em compreender os valores regionais. Mas o fato do maior varejista brasileiro, detentor da maior verba de publicidade do Brasil ter aportado em terras gaúchas já é motivo suficiente para que se cogite que o projeto foi cercado dos cuidados necessários para lograr êxito.

A batida em retirada é uma decisão estratégica e não uma batalha regional. As redes locais se é que existem, não competem com a grandeza das Casas Bahia nem comprometem seu despempenho e isso não é desonra, é a realidade. Não há foco inadequado de publicidade que segundo o jornal valoriza preço e condições de pagamento enquanto os gaúchos comparam juros e vantagens de cada modalidade, seja lá o que isso significa.

Prefiro não comentar a falta de gauchismo e o nome com pouco apelo para evitar um confronto explícito com o editor pouco cuidadoso que permitiu que algo do gênero fosse escrito e publicado e reforça tudo que devemos evitar sobre o nosso regionalismo.

Os valores regionais não podem ser confundidos com a mesquinhez do dia a dia. É muito mais do que isso. As músicas do Dorival Caymi são exemplos do cultivo de valores sem interferências menores como a decisão de uma rede de varejo sair do Rio Grande do Sul. Enquanto considerarmos plausível que a falta de gauchismo ou o nome de pouco apelo possam ser motivos para a decisão empresarial seremos motivo de chacota.

Definitivamente precisamos seguir o mestre Dorival Caymi e escutar o que mamãe dizia para pararmos de publicar bobagens.